Letramento literário na escola: por que alfabetizar não basta para formar leitores
DOI:
https://doi.org/10.34140/bjbv8n4-015Palavras-chave:
letramento literário, formação do leitor, ensino de literatura, leitura, mediaçãoResumo
Pela primeira vez desde 2007, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil registrou mais não leitores do que leitores na população brasileira. O dado recoloca uma pergunta antiga: por que a escola, que alfabetiza a grande maioria das crianças, tem tanta dificuldade em formar leitores de literatura? Este artigo tem como objetivo analisar, a partir da literatura especializada, as razões dessa dificuldade e as práticas pedagógicas apontadas como caminho para o letramento literário na educação básica. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, que reuniu obras de referência sobre leitura, letramento e ensino de literatura, além de documentos normativos e dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. A análise indica que a dificuldade não decorre da presença da literatura na escola, mas de uma escolarização inadequada, que fragmenta o texto, subordina a leitura a exercícios de outra natureza e ignora a experiência do leitor real. Os resultados também apontam três condições para o letramento literário: práticas sistematizadas de leitura, como a sequência básica e os círculos de leitura; espaço para a leitura subjetiva e para a conversa sobre os livros; e mediação qualificada, com acervo acessível e tempo garantido, condição que ganha peso diante de uma cultura digital que disputa a atenção dos estudantes. Conclui-se que formar leitores exige que a escola trate a literatura como experiência a ser vivida e compartilhada, e não apenas como conteúdo a ser explicado.
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