Regimes algorítmicos de visibilidade na educação superior: dataficação, vigilância e os limites da classificação
DOI:
https://doi.org/10.34140/bjbv8n4-013Palavras-chave:
algoritmos, dataficação, vigilância, visibilidade, educação superior, justiça algorítmica, responsabilidade éticaResumo
A expansão dos sistemas de dados e algoritmos nas universidades promete melhorar a educação por meio da personalização e do acompanhamento mais preciso dos estudantes. Contudo, essa dataficação produz efeitos políticos e éticos que frequentemente permanecem invisíveis. O presente artigo analisa como os algoritmos educacionais criam regimes específicos de visibilidade que distribuem reconhecimento, atenção e recursos de forma desigual. Argumenta-se que a dataficação não é uma atividade meramente técnica ou neutra, mas uma prática que reorganiza a experiência acadêmica segundo categorias que servem a lógicas de vigilância capitalista e controle institucional. A partir de perspectivas críticas sobre conhecimento situado, justiça algorítmica, performatividade e responsabilidade ética, o artigo demonstra que os dados reduzem a singularidade dos sujeitos a variáveis comparáveis, ocultam dimensões importantes da vida universitária e podem reproduzir desigualdades existentes. Por fim, propõe que a educação superior resista à transformação da visibilidade em verdade e da classificação em identidade, mantendo a primazia do diálogo, da escuta e do reconhecimento da capacidade crítica dos estudantes.
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