Com quantos paus se constrói a integração regional? Não existe um desenho pronto, mas uma ferramenta fundamental: a democracia transnacional

Autores

  • Rafael Cesar Ilha Pinto

DOI:

https://doi.org/10.34140/bjbv8n3-120

Palavras-chave:

integração regional, democracia transnacional, governança multinível, neofuncionalismo, intergovernamentalismo

Resumo

O presente artigo examina as crises recorrentes de legitimidade, a estagnação institucional e os surtos de desintegração que atingem os processos de integração regional contemporâneos. Parte-se do diagnóstico de que tanto o insulamento tecnocrático postulado pelo neofuncionalismo quanto a diplomacia de topo teorizada pelo intergovernamentalismo liberal incorrem no mesmo ponto cego: a marginalização da participação popular e da sociedade civil na construção comunitária. Como alternativa teórica e analítica, o trabalho defende que a resiliência e a sustentabilidade dos blocos dependem da incorporação da democracia transnacional e da governança multinível. Mediante análise comparada de inspiração weberiana entre a União Europeia — marcada pela dominação legal-racional e por um crônico déficit democrático — e as experiências sul-americanas do Mercosul e da Unasul — caracterizadas pelo hiper-intergovernamentalismo personalista e pela fragilidade de instâncias como o Parlasul, o FCES e os fóruns sociais —, demonstra-se que nem a pura eficiência regulatória nem a afinidade ideológica de cúpula garantem a coesão regional diante de crises sistêmicas. Conclui-se que a emergência de uma esfera pública transfronteiriça, apta a submeter as decisões dos blocos ao escrutínio cívico e à deliberação inclusiva, constitui o requisito estrutural indispensável para mensurar a legitimidade e a sobrevivência das instituições comunitárias no século XXI.

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Publicado

2026-09-15

Como Citar

Pinto, R. C. I. (2026). Com quantos paus se constrói a integração regional? Não existe um desenho pronto, mas uma ferramenta fundamental: a democracia transnacional. Brazilian Journal of Business, 8(3), e89271. https://doi.org/10.34140/bjbv8n3-120

Edição

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Artigos