Educação e cultura empreendedora no Ceará: gênese, marcos legais e evolução ecossistêmica

Autores

  • Ricardo Cesar de Oliveira-Borges
  • Paulo Henrique Farias Teles
  • Christian Friedrich Meier Neto

DOI:

https://doi.org/10.34140/bjbv8n3-119

Palavras-chave:

educação empreendedora, ecossistema empreendedor, educação, inovação tecnológica, desenvolvimento regional

Resumo

A trajetória histórica, social e econômica da humanidade revela que a consolidação do estudo do empreendedorismo representa uma mudança profunda na forma como a sociedade compreende a inovação, a geração de valor e o desenvolvimento regional sustentável. Diante desse cenário, a investigação sobre como os saberes gerenciais e a mentalidade empreendedora se capilarizaram nas instituições de ensino cearenses constitui o problema central deste estudo, que tem como objetivo geral apresentar, de forma ampla e fundamentada, os processos de origem, formalização e evolução da educação e cultura empreendedora no estado do Ceará. Para subsidiar esse percurso investigativo, o marco teórico apoia-se no conceito de ecossistema empreendedor de Isenberg (2010), na evolução histórica de Filion (1999) e nas premissas de Schumpeter (1961), articulados aos clássicos da administração e aos mestres da pedagogia emancipatória nacional. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa alicerçada em pesquisas bibliográfica, exploratória e descritiva, complementada por uma pesquisa de campo realizada no primeiro semestre do ano corrente por meio de reuniões mensais acompanhadas junto a players e stakeholders públicos e privados do estado. Os resultados revelam que o ecossistema cearense superou seus desafios estruturais por meio de uma evolução sistêmica dividida em três ondas cronológicas sucessivas, migrando de uma lógica inicial de subsistência e microcrédito para arranjos complexos baseados em hubs tecnológicos, transformação digital e critérios ESG (Environmental, Social, Governance; em tradução livre Ambientais, Sociais e Governança-ASG). Adicionalmente, os achados demonstram que a formalização legal local - impulsionada por dispositivos como a Lei Estadual nº 17.334/2020 e a Lei Complementar nº 335/2024 - funcionou como indutora de estabilidade e segurança jurídica para as instituições. Conclui-se, portanto, que o amadurecimento do ecossistema cearense responde à problemática central ao provar que a capilarização desses saberes decorre da fusão sinérgica entre a eficiência da ciência administrativa e o compromisso ético da pedagogia emancipatória, convertendo a estrutura escolar no principal vetor de soberania, inclusão social e competitividade regional sustentável.

Referências

BRASIL. Lei nº 13.267, de 6 de abril de 2016. Disciplina a criação e a organização das empresas juniores com funcionamento em instituições de ensino superior. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: planalto.gov.br. Acesso em: 30 ago. 2026.

CEARÁ (Estado). Lei Complementar nº 335, de 7 de outubro de 2024. Dispõe sobre o incentivo à pesquisa, ao desenvolvimento científico e tecnológico e à inovação no âmbito do Estado do Ceará e altera dispositivo da Lei Complementar nº 119, de 28 de dezembro de 2012. Diário Oficial do Estado do Ceará: seção 1, Fortaleza, ano 90, n. 189, p. 1-5, 7 out. 2024. Disponível em: https://al.ce.gov.br. Acesso em: 30 ago. 2026.

CEARÁ (Estado). Lei nº 14.220, de 17 de outubro de 2008. Dispõe sobre incentivos à inovação tecnológica, à pesquisa científica e tecnológica, e ao desenvolvimento tecnológico no ambiente produtivo no Estado do Ceará, e dá outras providências. Fortaleza: Diário Oficial do Estado do Ceará, 22 out. 2008.

CEARÁ (Estado). Lei nº 17.334, de 18 de novembro de 2020. Institui o Programa Estadual Educação Empreendedora e Inovadora no Estado do Ceará, e dá outras providências. Fortaleza: Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, 2020.

COMMITTEE ON PUBLICATION ETHICS (COPE). Artificial intelligence (AI) tools in research publications. COPE Council Position Statement, [S. l.], 13 Feb. 2023. Disponível em: https://publicationethics.org. Acesso em: 30 ago. 2026.

DRUCKER, Peter Ferdinand. Inovação e Espírito Empreendedor (Entrepreneurship): Prática e Princípios. São Paulo: Cengage Learning, 2016.

FAYOL, Henri. Administração industrial e geral. São Paulo: Atlas, 1950.

FERNANDES, Florestan. A revolução burguesa no Brasil: ensaio de interpretação sociológica. 3. ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.

FERNANDES, Florestan. O desafio educacional. São Paulo: Cortez, 1989.

FILION, Louis Jacques. Empreendedorismo: de onde viemos e para onde vamos. Revista de Administração da Universidade de São Paulo (RAUSP), São Paulo, v. 34, n. 4, p. 5-19, out./dez. 1999.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

ISENBERG, Daniel J. How to start an entrepreneurial revolution. Harvard Business Review, Boston, v. 88, n. 6, p. 40-50, jun. 2010.

LOURENÇO FILHO, Manuel Bergström. Introdução ao estudo da Escola Nova. São Paulo: Melhoramentos, 1930

LOURENÇO FILHO, Manuel Bergström. Introdução ao estudo da Escola Nova: bases, sistemas e diretrizes da pedagogia contemporânea. 12. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1978.

MAYO, Elton. The human problems of an industrial civilization. New York: Macmillan, 1933.

RIBEIRO, Darcy. A universidade necessária. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975.

RIBEIRO, Darcy. Nossa escola é uma calamidade. Rio de Janeiro: Salamandra, 1984.

RIBEIRO, Darcy. O livro dos CIEPs. Rio de Janeiro: Bloch Editores, 1986.

SCHUMPETER, Joseph Alois. Teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. Tradução de Maria Sílvia Possas. São Paulo: Fundo de Cultura, 1961.

TAYLOR, Frederick Winslow. Princípios de administração científica. São Paulo: Atlas, 1990.

TEIXEIRA, Anísio. Educação e a Sociedade Brasileira. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2007.

Downloads

Publicado

2026-09-14

Como Citar

Oliveira-Borges, R. C. de, Teles, P. H. F., & Meier Neto, C. F. (2026). Educação e cultura empreendedora no Ceará: gênese, marcos legais e evolução ecossistêmica. Brazilian Journal of Business, 8(3), e89265. https://doi.org/10.34140/bjbv8n3-119

Edição

Seção

Artigos