Entre o desejo e a civilização: Freud e o diagnóstico do mal-estar na modernidade
DOI:
https://doi.org/10.34140/bjbv8n3-118Palavras-chave:
Sigmund Freud, mal-estar na civilização, psicanálise, supereu, culpa, agressividade, culturaResumo
Este artigo analisa o diagnóstico do mal-estar formulado por Sigmund Freud em O mal-estar na civilização, enfatizando as relações entre desejo, pulsão, cultura e sofrimento psíquico. Parte-se do pressuposto de que a civilização constitui simultaneamente condição de proteção e fonte de restrições, uma vez que a organização da vida coletiva exige renúncias pulsionais incompatíveis com a satisfação plena do indivíduo. O estudo tem como objetivo compreender de que maneira Freud articula agressividade, supereu e sentimento de culpa na explicação do sofrimento produzido pela vida civilizada, bem como discutir a atualidade desse diagnóstico diante das configurações contemporâneas da subjetividade. Metodologicamente, caracteriza-se como pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e natureza analítico-interpretativa, fundamentada na obra freudiana e em contribuições clássicas e contemporâneas da psicanálise e da teoria social. A análise evidencia que a agressividade constitui obstáculo estrutural à civilização, enquanto sua repressão pode ser redirecionada contra o próprio sujeito, fortalecendo o supereu e intensificando o sentimento de culpa. Conclui-se que o mal-estar não representa uma falha circunstancial da cultura, mas uma condição estrutural decorrente da tensão permanente entre exigências pulsionais e necessidades coletivas. O diagnóstico freudiano permanece relevante para compreender formas contemporâneas de sofrimento e as contradições inerentes ao projeto civilizatório.
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