Improviso tecnológico e habitus no subcampo da produção fonográfica Lo-Fi: refuncionalização técnica e esquemas de ação
DOI:
https://doi.org/10.34140/bjbv7n4-067Palavras-chave:
campo, lo-fi, habitus, refuncionalização, técnicaResumo
O presente artigo tem como objetivo investigar o improviso tecnológico – enquanto matriz estruturante e geradora de ação – através do conceito bourdieusiano de habitus fundante do subcampo da produção fonográfica Lo-Fi (Low Fidelity, do inglês baixa definição). Este habitus é responsável pela cristalização de um espaço simbólico heterodoxo através de um conjunto de códigos e esquemas de ação dissonantes em relação ao subcampo da produção fonográfica profissional, ou Hi-Fi (High Fidelity, do inglês alta definição) além da instalação de campos propícios para intersecções mútuas. Nesse sentido será acionado o conceito de refuncionalização técnica dos meios de produção presente no ensaio de Walter Benjamin, O autor como produtor (1934) como o resultado de uma matriz geradora de improviso tecnológico manifesto no subcampo da produção fonográfica Lo-Fi. Como posicionamento interpretativo, o presente debate investiga como opera no habitus (próprio do subcampo da produção fonográfica Lo-Fi) o caráter de refuncionalização técnica dos meios de produção no processo de autonomia dos agentes produtores; finalidade artística e política em consonância com a liberdade produtiva.
Referências
BAUMAN, Zygmunt. Ensaios sobre o conceito de cultura. Rio de Janeiro, Zahar, 2012.
BENJAMIN, Walter. O autor como produtor. In: BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Editora Brasiliense, 1985, p. 120-136.
BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: Obras escolhidas I. São Paulo: Brasiliense, 1987.
BECKER, H. Métodos de pesquisa em ciências sociais. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1994.
BECKER, H. Art Worlds and Social Types, American Behavioral Scientist, 19(6), 1976, p.703-718.
BOURDIEU, Pierre. Esboço de uma teoria da prática. In: ORTIZ, Renato (org.). Pierre Bourdieu: Sociologia. Trad. de Paula Montero e Alícia Auzmendi. São Paulo: Ática, 1983.
BOURDIEU, Pierre. Sobre o poder simbólico. In: BOURDIEU, Pierre. O Poder Simbólico. Trad. Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
BOURDIEU, Pierre. Estrutura, habitus e prática. Em BOURDIEU, P. A economia das trocas simbólicas. SP : Ed. Perspectiva, 2004e.
CONTER, Marcelo. Lo-Fi: Música pop em baixa definição. 1. ed. Porto Alegre: Appris, 2016. CHANNAS, Michael. Repeated Takes: A Short History of Recording and its Effect on Music. London, England: Verso, 1995.
DOWD, Timothy. Musical Diversity and the U.S. Mainstream Recording Market, 1955–1990. Rassegna Italiana di Sociologia 41:223–63.
DIAS, Rosa Maria. Nietzsche e a música. Rio de Janeiro: Ed. Imago, 1994.
HENNION, Antoine. Pragmática do gosto. In: Desigualdade & Diversidade. Revista de Ciências Sociais da PUC-Rio, nº8, jan/jul, 2011, PP. 253-277.
HERSCHMANN, Micael. “Cenas, circuitos e territorialidades sônio-musicias” In: JANOTTI JR, Jeder e SÁ, Simone Pereira de (orgs.). Cenas musicais. Guararema/SP: Ed. Anadarco, 2013.
HOME, Stewart. Assalto à cultura: utopia, subversão e guerrilha na (anti) arte do século XX. Tradução de Cris Siqueira. 2ª ed. São Paulo: Conrad Editora do Brasil, 2004.
KUGELBERG, J. On punk: An aesthetic, in Kugelberg, J. and Savage, J. (eds) Punk: An Aesthetic. New York: Rizzoli, p. 43–46, 2012.
KUGELBERG, J. and Savage, J. A punk etymology, in Kugelberg, J. and Savage, J. (eds) Punk: An Aesthetic. New York: Rizzoli, p. 348–351, 2012.
JUSTINO, M. P.; XAVIER, T. H. E.; GUIMARAES, L. M. A faceta humana da inteligência artificial: o trabalho invisível e sem direitos. Brazilian Journal of Business, v. 7, n. 4, e82808, 2025. DOI: 10.34140/bjbv7n4-004.
MAGNANI, José Guilherme. “Os circuitos dos jovens urbanos”. Tempo Social - Revista de Sociologia da USP, v. 17, n. 2. Nov. 2005. pp. 173-205.
SPENCER, Amy. DIY: the rise of lo-fi culture. Londres: Marion Boyars, 2005.
