Ética e inovação no serviço público: como a tecnologia está redefinindo a governança e a confiança cidadã
DOI:
https://doi.org/10.34140/bjbv7n4-016Palavras-chave:
governança digital, inteligência artificial, ética pública, transparência algorítmica, inclusão digitalResumo
A crescente adoção da Inteligência Artificial (IA) na administração pública tem redefinido a governança e a relação entre Estado e sociedade. No entanto, o avanço tecnológico traz desafios éticos significativos, especialmente no que tange à transparência, accountability e equidade. Este artigo investiga como a IA pode ser integrada ao setor público de maneira ética e responsável, analisando impactos na formulação de políticas e na confiança cidadã. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, com base em análise documental e estudos de caso nacionais e internacionais, explorando experiências bem-sucedidas e desafios enfrentados na implementação da IA em governos. A fundamentação teórica se ancora na filosofia política e na ética aplicada à tecnologia, dialogando com autores como Platão, Aristóteles, Rousseau e Floridi, além de contribuições contemporâneas sobre governança digital. A metodologia baseia-se na revisão sistemática da literatura e na análise de políticas públicas, complementadas por exemplos concretos do Brasil, incluindo o uso de IA na fiscalização de gastos públicos (Operação Serenata de Amor), na segurança pública (sistemas de reconhecimento facial) e na automação administrativa. Os resultados indicam que, embora a IA possa aprimorar a eficiência e a transparência governamental, a falta de regulamentação e de mecanismos de auditoria algorítmica compromete a equidade e a confiabilidade dos processos automatizados. O estudo destaca que a governança digital deve priorizar a explicabilidade dos algoritmos, a participação cidadã e a criação de marcos regulatórios robustos, como o PL 2338/2023, que propõe diretrizes para o uso responsável da IA no setor público. Conclui-se que a governança digital não pode prescindir de um compromisso ético sólido, que considere tanto os benefícios quanto os riscos da IA. A adoção de auditorias algorítmicas, regulamentação transparente e inclusão digital são essenciais para garantir que a IA fortaleça a confiança cidadã, em vez de amplificar desigualdades. O artigo contribui para o debate sobre ética e inovação no serviço público, fornecendo recomendações para gestores e formuladores de políticas, além de abrir caminho para pesquisas futuras sobre a regulação e o impacto social da IA na administração pública.
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