A obstinação terapêutica no exercício profissional médico
DOI:
https://doi.org/10.34119/bjhrv7n4-452Keywords:
cuidados paliativos, decisões de fim de vida, obstinação terapêuticaAbstract
Introdução: Obstinação Terapêutica (OT) é uma atitude de intervenção assistencial médica persistente e peremptória no tratamento de um paciente geralmente grave, sem aumentar significativamente a sua sobrevida. É prática frequente em unidades de terapia intensiva, sendo um desafio da prática médica saber separar condutas médicas ditas mais adequadas de outras cuja finalidade é postergar o momento da morte. Os avanços da medicina paliativa e humanizada têm levantado o questionamento se tais intervenções trazem realmente benefício para o paciente e não apenas prolongam seu sofrimento. Objetivo: Abordar as atitudes médicas relativas ao tema e relacioná-las a fatores sócio demográficos e outras variáveis. Além disso, identificar possíveis razões que levam o médico a praticar OT, a tendência de compartilhar decisões com os demais membros da equipe de profissionais de saúde e como se dá a relação entre médicos e familiares numa situação de um paciente em condição real de morte. Metodologia: Estudo transversal, descritivo e quantitativo. Realizamos entrevistas utilizando um questionário com 349 médicos atuantes da cidade de Juiz de Fora. Resultados: Quanto à prática da OT, 59,6% (n=208) responderam que é frequente na área de atuação do médico, e que 46,4% (n=162) afirmaram já terem “prolongado a sobrevida de um paciente em processo ativo de morte, sem que haja aumento significativo da qualidade de vida” durante a carreira. Conclusões: O conceito de OT é desconhecido por um grande número de médicos atuantes e por um expressivo número que não concordam com a essência de sua aplicação. As principais razões para seguirem a OT são questões familiares e ordens de superiores no setor, e as principais para não seguirem são que o cuidado intensivo prolongado não é inútil e que há propósitos médicos subjetivos profissionais envolvidos além de manter a vida artificial dos pacientes.
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