Impactos das enchentes de maio de 2024 nas agroindústrias familiares no Rio Grande do Sul
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-105Palavras-chave:
agricultura familiar, desastres naturais, selos de inspeção, produtos de origem animalResumo
A agroindústria familiar exerce papel estratégico na economia rural ao agregar valor à produção primária, gerar empregos locais e contribuir para a permanência das famílias no campo. Contudo, eventos climáticos extremos, como as enchentes ocorridas em abril e maio de 2024 no Rio Grande do Sul, têm impactado significativamente o setor. Este estudo avaliou os efeitos sociais, econômicos e regionais desse desastre em agroindústrias familiares, por meio da aplicação de questionário a 81 participantes da 47ª Expointer. Realizou-se análise estatística descritiva, com uso de tabelas cruzadas e Teste Exato de Fisher. Os resultados indicaram que agroindústrias mais antigas apresentam maior dependência exclusiva da atividade e maior inserção em mercados estaduais e nacionais. A comercialização de embutidos concentrou-se no âmbito estadual, enquanto leite e derivados apresentaram maior alcance nacional. Observou-se predominância de mão de obra familiar (63%), característica do setor, mas que também evidencia vulnerabilidades frente a desastres naturais. A adesão a selos de inspeção permaneceu limitada, com destaque para o SISBI (17,24%), mais frequente entre agroindústrias que se recuperaram dos impactos. Do total, 42 agroindústrias foram afetadas, com perdas principalmente de matéria-prima (47,62%), logística (40,48%) e comercialização (14,29%). A maioria relatou impactos moderados (30% a 50%), e cerca de 74% não recebeu apoio institucional, inclusive entre as mais afetadas.
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