Agricultura familiar, feiras e mercados de proximidade: um estudo de caso sobre a feira livre de Dom Pedrito e seus feirantes

Autores

  • Cristiano de Vargas Oliva
  • Joélio Farias Maia

DOI:

https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-035

Palavras-chave:

agricultura familiar, mercados de proximidade, feiras, Dom Pedrito

Resumo

O objetivo do estudo é identificar o perfil característico dos agricultores familiares participantes da Feira Livre Comunitária de Dom Pedrito (FLC-DP), bem como, analisar a percepção sobre possíveis impactos resultantes da feira no que tange à satisfação financeira, satisfação social e qualidade de vida dos agricultores familiares participantes do estudo. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa com abordagem qualitativa e caráter exploratório-descritivo, efetuada através de um estudo de caso. A metodologia está associada a alguns procedimentos quantitativos, com instrumento de coleta de dados em forma de questionário e observação de campo. Foram entrevistados 13 agricultores familiares feirantes durante o mês de janeiro de 2025. Como resultados, o perfil predominantemente de feirantes na FLC-DP, revela que são agricultoras familiares, com idade média em 49,6 anos e que participam da feira há vários anos. Residem e trabalham próximas ao centro urbano do município e ocupam pequenas áreas em suas unidades familiares de produção. Acessam outros mercados e comercializam ampla diversidade de produtos, com destaque para legumes, verduras e frutas, produtos agroindustriais (pães, doces, queijos, sucos, vinhos etc.), artesanais e ornamentais. Através das percepções, foi evidenciado que a feira se consolida como um importante espaço de geração de renda, oportunidade e reconhecimento social, no qual agricultoras e agricultores familiares se sentem valorizados, impactando positivamente na qualidade de vida de suas famílias. Considera-se que os mercados de proximidade, como a Feira Livre de Dom Pedrito, são vitais na manutenção dos agricultores familiares sendo as feiras espaços representativos dessa aproximação entre agricultor e consumidor final.

Referências

Almeida et. al. (2015). Campesinato e agricultura familiar. Disponível em: <https://pt.slideshare.net/guilvalentim/campesinato-e-agricultura-familiar-54968354>. Acesso em: 16 fev. 2025.

ASFELI-DP. Estatuto Social da Associação da Feira Livre de Dom Pedrito. Dom Pedrito-RS: Associação da Feira Livre de Dom Pedrito, 2020.

Bardin, Laurence (2010). Análise de conteúdo. 4. ed. Lisboa: Edições 70.

Bastos, T. H. (2020). As feiras de comercialização de produtos da agricultura familiar e a construção de referenciais de alimentação: o caso da FEPRAF em Júlio de Castilhos/RS.

Boni, V., & Quaresma, S. J. (2005). Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em Ciências Sociais. Em tese, 2(1), 68-80.

Brasil (2006). Lei nº 11.326, de 24 de julho de 2006. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11326.htm Acesso em: 20 dez. 2024.

Caporal, F. R. (2020). Transição Agroecológica e o papel da Extensão Rural. Extensão Rural, 27(3), 7-19.

Carvalho, S., & Campos, W. (2008). Estatística básica simplificada. 2ª edição.

Cassol, A., & Schneider, S. (2017). Construindo a confiança nas cadeias curtas: interações sociais, valores e qualidade na Feira do Pequeno Produtor de Passo Fundo/RS. Cadeias curtas e redes agroalimentares alternativas. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 195-218.

Cesar Pandolfo, M. (2023). Programa Municipal de Vale Feira no Município de São Jose do Herval (RS): contribuições, impactos e limitações (Master's thesis, São Paulo, Brasil: FLACSO Sede Brasil).

Chuquillanque, D. A., Porto, C. R. P., Stumpf, M. T., Trentin, G., & Rolon, A. S. (2018). Caracterização da produção agrícola e dos feirantes da agricultura familiar no Município de São Lourenço do Sul-RS. Geografia, 43(2), 319-333.

Costa, R. M. (2017). Agricultura familiar e cadeias curtas: dinâmicas econômicas, sociais e culturais na Feira Livre Comunitária de Dom Pedrito, RS. 54 f. Trabalho de Conclusão (Graduação) – Curso de Tecnologia em Agronegócio, Universidade Federal do Pampa, Dom Pedrito, RS.

Cruz, F. T. D. (2012). Produtores, consumidores e valorização de produtos tradicionais: um estudo sobre qualidade de alimentos a partir do caso do queijo serrano dos Campos de Cima da Serra–RS.

Da Silva, S. R. (2024). Desafios para revitalização e expansão da feira ecológica de Bento Gonçalves/RS (Master's thesis, Universidade Estadual do Rio Grande do Sul).

Dalla Nora, F., & Zanini, M. C. (2015). A feira como um espaço de sociabilidade. Revista Retratos de Assentamentos, 1, 135-154.

De Castro, S. P. N. (2009). Fazendo a feira: estudo das artes de dizer, nutrir e fazer etnomatemático de feirantes e fregueses da Feira Livre do Bairro Major Prates-Montes Claros/Minas Gerais. Dissertação.

De Lara, J. C., Eichler, B. R., Costa, J. P. R., Gomes, A. C., Schmitz, J. A. K., & de Lara, D. M. (2021). Jovens agricultores e agroecologia: Um estudo sobre o grupo Feira Jovem de Boa Vista, Rio Grande do Sul. Revista Verde de Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável, 16(3), 291-297.

De Moraes, J. A., De Alves, D., & Júnior, A. A. M. (2017). As novas relações entre o urbano e o rural: o caso dos agricultores familiares feirantes de Igrejinha/RS.

Dom Pedrito (2015). Decreto Municipal Nº 265, de 18 de Dezembro de 2015.

Dom Pedrito (2019). Decreto Municipal Nº 85, de 10 de Outubro de 2019.

Dom Pedrito (2025). Decreto Municipal Nº 510, de 15 de janeiro de 2025.

Feitoza, J. M. do R., de Sousa, J. O. P., Gordiano, J. B. A., & Vargas-Isla, R. (2021). Por una otra concepción de mercado y en defensa de la comercialización solidaria en el ambiente Amazónico, Brasil / For another market conception and in defense of solidarity marketing in the Amazon environment, Brazil. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, 4(1), 949–956. https://doi.org/10.34188/bjaerv4n1-077

Ferreira, A. D. H. (1993). Dicionário Aurélio eletrônico. Ed. Nova Fronteira.

Gil, A. C. (2008). Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. Editora Atlas SA.

Godoy, W. I.; Sacco dos Anjos, F. (2007). A importância das feiras livres ecológicas: um espaço de trocas e saberes da economia local. Cadernos de Agroecologia, v.2, n.1, p. 364-368.

Gonçalves, A. O., & Abdala, M. C. (2013). “Na banca do ‘Seu’Pedro é tudo mais gostoso”: pessoalidade e sociabilidade na feira-livre. Ponto Urbe. Revista do núcleo de antropologia urbana da USP, (12).

Ibdaiwi, T. K. R. (2023). Todo dia é dia de feira: um estudo sobre as feiras da cidade de Santa Maria-RS (Doctoral dissertation, Universidade Federal de Santa Maria).

IBGE (2017) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Agropecuário 2017. Disponível em: < https://bit.ly/2wzsoU0>. Acesso em: 10 dez. 2025.

Leporati, M., Salcedo, S., Jara, B., Boero, V., & Muñoz, M. (2014). La agricultura familiar en cifras. Agricultura familiar en América Latina y el Caribe, 35-56.

Maia, J. F.; Nascimento, S. G. da S.; Hanke, D. (2019). Análise Da Gestão Das Atividades Desenvolvidas Na Agricultura Familiar: Um estudo em propriedades familiares dos agricultores vinculados a Feira Livre de Dom Pedrito. 1. ed. Riga: Novas Edições Acadêmicas - KS OmniScriptum Publishing, 100p.

Maia, J. F., Nascimento, S. G. da S., Hanke, D., Ávila, M. R. de, & Becker, C. (2023). Estratégias de comercialização da agricultura familiar durante a pandemia: visão de agricultores e consumidores de Dom Pedrito-RS. Revista de Ciências Agrárias, 46(1), 14-23.

Maidana, B. S. D., Nascimento, S. G. da S., Maia, J. F., Hanke, D., & Àvila, M. R. de. (2025). Gerenciamento de informações e tomada de decisão na agricultura familiar: um olhar a partir dos agricultores vinculados à Feira Livre de Dom Pedrito-RS. Contribuciones a las Ciencias Sociales, 18(1), e15071. https://doi.org/10.55905/revconv.18n.1-441

Matos, B. E. D. S. (2010). O centro da periferia: um recorte espacial da feira livre do Pedregal.

Minayo, M. C. de S. (2017). Amostragem e saturação em pesquisa qualitativa: consensos e controvérsias. Revista pesquisa qualitativa, 5(7), 1-12.

Nascimento, S. G. da S., et al. (2020). As redes tecidas pela feira: uma análise sobre as dinâmicas econômicas, sociais e culturais estabelecidas pelos agricultores familiares de Dom Pedrito, RS. Cadernos de Agroecologia, vol. 15, no 2.

Palmeira, M. (2014). Feira e mudança econômica. Vibrant: Virtual Brazilian Anthropology, 11, 285-323.

Pierri, M. C. Q. M., & Valente, A. L. E. F. (2015). A feira livre como canal de comercialização de produtos da agricultura. In 53º Congresso de Economia e Sociologia Rural. Alagoas.

Panno, F., Regasson, C. A. L., & da Silva, V. R. (2014). COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ORIUNDOS DA AGRICULTURA FAMILIAR DE TAQUARUÇU DO SUL–RS. Revista de Administração, 12(22), 19-31.

Polanyi, K. (2013). A grande transformação: as origens da nossa época. Ed. Campus. Brasil.

Porto, L. (1999). Rio Grande do Sul, um século de história (Vol. 2). Mercado Aberto.

Radünz, A. L., & Radunz, A. F. O. (2017). Feira Agroecológica da ARPASUL, Pelotas, RS: produção, segurança alimentar e comercialização, um estudo de caso. Revista Espaço Acadêmico, 17(192), 17-25.

Sabourin, E. (2009). Camponeses do Brasil entre a troca mercantil e a reciprocidade.

Sacco dos Anjos, F., Godoy, W. I., & Caldas, N. V. (2005). As feiras-livres de Pelotas sob o império da globalização: perspectivas e tendências. Editora e Gráfica Universitária PREC/UFPel.

Sacco dos Anjos, F., Caldas, N. V., & Pollnow, G. E. (2014). Menos mulheres, menos jovens, mais incertezas. A transição demográfica no Brasil Rural Meridional. Extensão Rural, 21(2), 94-116.

Sacco dos Anjos, F.; Caldas, N. V.; & Sivini, S. (2016). A agricultura familiar no Brasil: caminhos da inovação, espaços de afirmação. Agroalimentaria, v. 22, n. 43, p. 119-134.

Sato, L. (2012). Feira livre: organização, trabalho e sociabilidade. São Paulo: EDUSP.

Schneider, S., & Ferrari, D. L. (2015). Cadeias curtas, cooperação e produtos de qualidade na agricultura familiar: o processo de relocalização da produção agroalimentar em Santa Catarina. Organizações rurais & agroindustriais. Lavras, MG. Vol. 17, n. 1 (2015), p.[56]-71.

Schneider, S. (2016). Construção de mercados e agricultura familiar: desafios para o desenvolvimento rural.

Silva, B. R. D. (2018). Mãos que formam laços: relações de reciprocidade na feira de orgânicos de Santiago/RS.

Silva, G. P., Paris, J. C., Samborski, T., & Döor, A. C. (2014). Perfil e percepções dos feirantes em relação a feira livre dos municípios de São Pedro do Sul (RS) e Santo Augusto (RS). Revista Monografias Ambientais, 13(2), 3203-3212.

Silva, M. N., Cecconello, S. T., Altemburg, S. G. N., Silva, F. N. D., & Becker, C. (2017). A agricultura familiar e os circuitos curtos de comercialização de alimentos: estudo de caso da feira livre do município de Jaguarão, RS, Brasil. Revista Espacios, 38(47), 7.

Silvestre, L. H. A., Calixto, J. S., & Ribeiro, E. M. (2005). Mercados locais e políticas públicas para a agricultura familiar: um estudo de caso no município de Minas Novas, MG. In CONGRESSO DA SOBER (Vol. 43).

Vedana, V. (2013). Fazer a feira e ser feirante: a construção cotidiana do trabalho em mercados de rua no contexto urbano. Horizontes antropológicos, 19, 41-68.

Wanderley, M. D. N. B. (1999). Raízes históricas do campesinato brasileiro. Agricultura familiar: realidades e perspectivas, 3, 21-55.

Wanderley, M. D. N. B. (2009). O mundo rural como um espaço de vida: reflexões sobre a propriedade da terra, agricultura familiar e ruralidade. Editora da UFRGS.

Woortmann, E. F., & Herdeiros, P. (1995). Compadres. São Paulo, Brasília: HUCITEC, Edunb.

Yin, R. K. (2015). Estudo de Caso-: Planejamento e métodos. Bookman editora.

Downloads

Publicado

2026-02-04

Como Citar

Oliva, C. de V., & Maia, J. F. (2026). Agricultura familiar, feiras e mercados de proximidade: um estudo de caso sobre a feira livre de Dom Pedrito e seus feirantes. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, 9(1), e85501. https://doi.org/10.34188/bjaerv9n1-035

Edição

Seção

Artigos originais