A educação brasileira e catarinense sob a influência da evolução do ENEM
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv12n6-044Keywords:
educação brasileira, ENEM, políticas educacionais, democratização do acesso, desigualdades educacionaisAbstract
O presente artigo analisa a trajetória da educação brasileira que compreende o período colonial à contemporaneidade, evidenciando suas desigualdades estruturais e avanços institucionais. Inicialmente marcada pela influência da Igreja Católica e pelo caráter elitista, a educação passou por transformações ao longo dos períodos imperial e republicano, com a criação de instituições de ensino e a ampliação gradual do papel do Estado, especialmente a partir do século XX, com a institucionalização de políticas educacionais e marcos legais como a Constituição de 1988 e a LDB de 1996. Nesse contexto, destaca-se a emergência do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), criado em 1998 e reformulado em 2009, que passou de instrumento de avaliação, regulação e indução de políticas educacionais, bem como mecanismo de acesso ao ensino superior no Brasil. O exame é uma avaliação de alto impacto, cujos resultados influenciam trajetórias acadêmicas e sociais. O texto também aborda o contexto educacional de Santa Catarina, caracterizado por indicadores educacionais superiores à média nacional e por uma organização que articula redes públicas e privadas. Nesse cenário, a Proposta Curricular do estado (2005) destaca-se como marco orientador, fundamentada na perspectiva histórico-cultural. Por fim, o texto problematiza os impactos do ENEM, com ênfase na contribuição para a democratização do acesso ao ensino superior quanto aos riscos de reprodução de desigualdades e de indução ao estreitamento curricular. Conclui-se que o exame deve ser compreendido como um processo educacional complexo, cuja análise exige considerar dimensões pedagógicas, sociais e políticas, bem como os contextos socioeconômicos nos quais está inserido.
References
AFONSO, Almerindo Janela. Avaliação educacional e políticas públicas. Rio de Janeiro: DP&A, 2009.
ANDRADE, J.; SOARES, F. Educação e inclusão social no Brasil. São Paulo: Cortez, 2020.
ANDRADE, Dalton Francisco de; TAVARES, Heliton Ribeiro; VALLE, Raquel da Cunha. Teoria de Resposta ao Item: conceitos e aplicações. São Paulo: Associação Brasileira de Estatística, 2000.
AZANHA, José Mário Pires. Planos e políticas de educação no Brasil: alguns pontos para reflexão. Revista Brasileira de Educação, n. 26, p. 63-78, maio/ago. 2004.
BALL, Stephen J. The teacher's soul and the terrors of performativity [1]. Journal of Education Policy [1], v. 18, n. 2, p. 215-228 [1], 2003 [1]. Disponível em: https://doi.org/10.1080/0268093022000043065 [1]. Acesso em: 1 jun. 2026.
BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 1998.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Centro Gráfico, 1988.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 1 jun. 2026
BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [2014]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13005.htm. Acesso em: 1 jun. 2026.
BROOKE, Nigel; CUNHA, Maria Amália de Almeida. Avaliações em larga escala e regulação educacional. Revista Brasileira de Educação, v. 16, n. 45, p. 75-89, 2011.
CURY, Carlos Roberto Jamil. Direito à educação: direito à igualdade, direito à diferença. Cadernos de Pesquisa, n. 116, p. 245-262, jul. 2002. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0100-15742002000200010. Acesso em: 1 jun. 2026.
DOURADO, L. F. Políticas e gestão da educação básica no Brasil. Educação & Sociedade, v. 28, n. 100, p. 921-946, out. 2007. Disponível em: doi.org. Acesso em: 1 jun. 2026.
FREITAS, Luiz Carlos de. Avaliação educacional: caminhos e descaminhos. São Paulo: Cortez, 2012
FREITAS, Luiz Carlos de. Avaliações de alto impacto e políticas educacionais. Educação & Sociedade, v. 39, n. 142, p. 41-60, jan./mar. 2018.
FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Relatório anual de atividades e gestão do Inep 2024. Brasília, DF: Inep, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/relatorio-anual-de-atividades-e-gestao-do-inep-2024. Acesso em: 1 jun. 2026.
KANE, Michael T. Validating the Interpretations and Uses of Test Scores. Journal of Educational Measurement, v. 50, n. 1, p. 1-73, 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jedm.12000. Acesso em: 1 jun. 2026.
MESSICK, Samuel. Validity. In: LINN, Robert L. (ed.). Educational measurement. 3. ed. New York: Macmillan, 1989. p. 13-103. Disponível em: https://archive.org. Acesso em: 1 jun. 2026.
PERRENOUD, Philippe. Avaliar competências na escola. Porto Alegre: Artmed, 1999.
SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Educação. Proposta curricular de Santa Catarina: estudos temáticos. Florianópolis: IOESC, 2005. 192 p. Disponível em: https://www.sed.sc.gov.br/wp-content/uploads/2024/04/2005-PROPOSTA-CURRICULAR-2005.pdf. Acesso em: 1 jun. 2026.
SANTA CATARINA. Secretaria de Estado da Saúde. Indicadores educacionais e sociais. Florianópolis: SES-SC, 2023. Disponível em: https://saude.sc.gov.br. Acesso em: 1 jun. 2026.
SAVIANI, Dermeval. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2008.
SOARES, F. Educação e desigualdade social. Rio de Janeiro: DP&A, 2004.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

