Segurança sob a ótica da filosofia contemporânea
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv12n3-013Keywords:
segurança pública, filosofia política, Norberto Bobbio, Zygmunt Bauman, Ulrich BeckAbstract
Este artigo analisa a evolução do conceito de segurança na filosofia política moderna e contemporânea, investigando as transições teóricas que moldaram a compreensão atual desse fenômeno. O objetivo central é mapear as metamorfoses da segurança, desde a preservação da vida no paradigma contratualista até os dilemas da modernidade líquida e da sociedade de risco global. A metodologia adotada consiste em uma revisão bibliográfica qualitativa de caráter exploratório, fundamentada nas obras de Norberto Bobbio, Zygmunt Bauman e Ulrich Beck. Os resultados demonstram que a segurança deixou de ser apenas uma garantia estatal contra a morte violenta para se tornar um direito fundamental complexo, abrangendo a certeza jurídica, a integridade biográfica e a gestão de riscos ambientais e econômicos. Observa-se que, na modernidade líquida, a segurança pessoal é frequentemente transformada em mercadoria, gerando segregação urbana e mixofobia, enquanto o desmantelamento do Estado de Bem-Estar transfere riscos sistêmicos para o plano individual. Conclui-se que o problema da segurança é indissociável das noções de poder, liberdade e legitimidade. A eficácia das instituições de segurança pública contemporâneas, exemplificadas na atuação da Polícia Militar, depende de uma fidelidade obstinada aos limites constitucionais, evitando que o combate ao "poder invisível" do crime organizado e do terrorismo degenere em arbítrio. A segurança deve ser reafirmada não como um isolamento excludente, mas como o alicerce indispensável da convivência democrática e do Estado de Direito.
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