Narciso nem sempre admira o espelho: o que mostram os/as adolescentes sobre si mesmos/as
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv12n2-036Keywords:
adolescência, identidade, cultura digital, educaçãoAbstract
Este artigo busca analisar o trabalho realizado com adolescentes do nono ano do ensino fundamental de uma escola pública na periferia da cidade de Divinópolis – MG, em 2018. Após a análise de fotos icônicas da juventude brasileira nos anos 1960, os/as estudantes foram convidados/as a produzirem uma foto que representasse a realidade da juventude e adolescência no momento atual. Como resultado, temos 22 fotografias produzidas através dos aparelhos celulares dos próprios meninos e meninas. Ao analisar o conjunto dessas fotografias, ressalta-se: a onipresença do aparelho celular no cotidiano dos/as adolescentes; a dicotomia lazer/trabalho e estudo/ludicidade apresentados como elementos necessariamente dissociados; uma autoimagem negativa. O estudo que se faz a partir deste trabalho tem como principais referências bibliográficas os textos de Cristina Ponte e de Bialer & Voltolini, publicados em Juventude e Cultura Digital (LIMA et al. Orgs., 2017) que discutem a estreita relação da juventude e da adolescência com a cultura digital e o trabalho de Walter E. Ude Marques, publicado em Direitos das Crianças e dos Adolescentes (VIEIRA, FERREIRA, ANDRÉ Orgs., 2017), discutindo a negação do lazer nos processos educacionais no mundo ocidental. Questiona-se, a partir desta análise, a relação que professores e professoras têm com a cultura digital e em que medida a negação e ou desconhecimento deste universo contribui para que adolescentes construam uma imagem negativa acerca de si mesmos, além das consequências que a primazia do trabalho e a negação do lúdico nos processos educacionais trazem para meninos e meninas em processo de formação identitária.
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