Do laboratório à comunidade: avaliação da atividade antimicrobiana e promoção do uso seguro da Ruta graveolens L.

Authors

  • Atílio Araújo Sabino
  • Laríssa Pereira de Carvalho
  • Lívia Paiva Bastos
  • Marcos Felipe Cantanhede de Brito
  • Maria Eduarda Alves Barboza
  • Maria Eduarda Molina de Andrade
  • Mickele Sousa Medeiros

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv12n2-028

Keywords:

Ruta graveolens, óleo essencial, atividade antimicrobiana, disco-difusão, metabólitos secundários

Abstract

Considerando o uso disseminado da Ruta graveolens L. (arruda) na medicina popular e a existência de relatos contraditórios sobre seu potencial antimicrobiano, justifica-se a necessidade de investigações que validem ou refutem sua eficácia terapêutica. Objetiva-se, portanto, avaliar a atividade antibacteriana do óleo essencial de Ruta graveolens frente às bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli, bem como promover esclarecimentos à comunidade acerca de seu uso seguro. Para tanto, procede-se à extração do óleo essencial por hidrodestilação e à realização de testes microbiológicos pelo método de difusão em disco, comparando-se os resultados obtidos com controles positivos e negativos previamente estabelecidos. Desse modo, observa-se que o óleo essencial extraído não apresentou halos de inibição para nenhuma das cepas analisadas, evidenciando ausência de atividade antimicrobiana mensurável nas condições experimentais adotadas. Tal achado está em consonância com referências técnicas e parte da literatura científica, que apontam baixa ou inexistente ação antibacteriana atribuída à espécie. O que permite concluir que o uso da arruda como agente antimicrobiano carece de fundamentação científica sólida, não devendo ser recomendado para esse fim sem análise criteriosa de sua composição e de suas condições de preparo. Além disso, reforça-se a necessidade de estudos adicionais que explorem métodos extrativos, parâmetros fitoquímicos e abordagens experimentais capazes de elucidar o real potencial farmacológico da espécie.

References

BALOUIRI, M.; SADIKI, M.; IBNSOUDA, S. K. Methods for in vitro evaluating antimicrobial activity: a review. Journal of Pharmaceutical Analysis, v. 6, n. 2, p. 71–79, abr. 2016.

BATISTA, B. F. et al. Influence of different drying methods on yield, density, color, and chemical composition of the essential oil of Ocotea lancifolia (Schott) Mez leaves. Revista Árvore, v. 49, e4912, 2025.

BORGES, L. P.; AMORIM, V. A. Metabólitos secundários de plantas. Revista Agrotecnologia, Ipameri, v. 11, n. 1, 2020.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Práticas integrativas e complementares: plantas medicinais e fitoterapia na Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012.

BRASIL. Ministério da Saúde; Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Monografia da espécie Ruta graveolens L. (Arruda). Brasília: Ministério da Saúde; ANVISA, 2015.

CARBOLIM, R L et al. Etnoconhecimento associado ao uso de plantas medicinais por comunidades rurais em Peixoto de Azevedo, Mato Grosso. Revista da Biologia, v. 24, n. 1, p. 16-30, 2024.

DE ARAÚJO, J C LV et al. Ação antimicrobiana de óleos essenciais sobre microrganismos potencialmente causadores de infecções oportunistas. Revista de Patologia Tropical/Journal of Tropical Pathology, v. 33, n. 1, p. 55-64, 2004.

DRUGS.COM. Rue Uses, Benefits & Dosage. Drugs.com. Disponível em: https://www.drugs.com/npp/rue.html. Acesso em: 18 ago. 2025.

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Arruda (Ruta graveolens L.). Série Plantas Medicinais, Folder 05. Porto Velho: Embrapa Rondônia, dez. 2001.

FONSECA, S E; DE MARCO, J L; DE SOUZA, S R. Avaliação química e microbiológica do óleo essencial de Cymbopogon densiflorus (Poaceae). Revista Fitos, v. 15, n. Supl 1, p. 35-43, 2021.

FURTADO, C H et al. Influência de fatores abióticos no rendimento do óleo essencial da Gallesia integrifolia (Spreng.) Harms. Revista Gestão e Sustentabilidade Ambiental, v. 11, n. esp., p. 221–237, jan. 2022.

GARCÍA, A. Á.; CARRIL, E. P-U. Metabolismo secundario de plantas. Reduca (biología), v. 2, n. 3, p. 119-145, 2009.

GARCIA, A P V; SANTOS, N N C; SÁBATO, D J F. Utilização terapêutica da Arruda: Uma orientação preventiva. Sinapse Múltipla, v. 4, n. 1, p. 88-88, 2015.

GOLMAKANI, M. T.; REZAEE, K. Comparison of microwave-assisted hydrodistillation with the traditional hydrodistillation method in the extraction of essential oils from Thymus vulgaris L. Journal of Food Engineering, v. 88, n. 4, p. 607–610, 2008.

ISAH, T. Stress and Defense Responses in Plant Secondary Metabolites Production. Biological Research, v. 52, n. 39, p. 52-39, 2019.

LIMA, L C D P. Sazonalidade e composição química do óleo essencial de acessos de Croton grewioides. 2025. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão.

MELITO, A L; BERNARDI, M M; FLÓRIO, J C. Avaliação da embriofetotoxicidade do extrato bruto de Ruta graveolens L. administrado a camundongos em diferentes períodos de gestação. Revista Brasileira de Toxicologia, v. 16, n. 2, p. 63-70, 2003.

MENDES, A. B. et al. Atividade antimicrobiana de espécies de Rutaceae frente a patógenos orais. Revista Odontologia UNESP, v. 37, p. 107–113, 2008.

MOURA, M C de O et al. Óleo essencial das folhas do cajueiro anão (Anacardium occidentale L.) no cerrado amazônico: propriedades físico-químicas e antioxidantes como conservante alimentar. Foods , v. 14, n. 11, p. 1954, 2025.

NAHAR, L et al. Ruta essential oils: Composition and bioactivities. Molecules, v. 26, n. 16, p. 4766, 2021.

ORLANDA, J F F; NASCIMENTO, A. R. Chemical composition and antibacterial activity of Ruta graveolens L.(Rutaceae) volatile oils, from São Luís, Maranhão, Brazil. South African Journal of Botany, v. 99, p. 103-106, 2015.

PEREIRA, P. et al. Atividade antimicrobiana de extratos vegetais de Rutaceae. Revista Brasileira de Farmacognosia, v. 16, n. 4, p. 594–600, 2006.

RAINA, V. K.; SRIVASTAVA, S. K.; AGGARWAL, K. K. Essential oil composition of Ruta graveolens L. and its antimicrobial activity. Flavour and Fragrance Journal, 2014.

REDDY, D N; AL-RAJAB, A J. Chemical composition, antibacterial and antifungal activities of Ruta graveolens L. volatile oils. Cogent Chemistry, v. 2, n. 1, p. 1220055, 2016.

SIMÕES, C. M. O. et al. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 6. ed. Porto Alegre: UFRGS; Florianópolis: UFSC, 2010.

SILVA, W C et al. ANÁLISE DA TOXICIDADE E GENOTOXICIDADE DE ARRUDA (Ruta graveolens) EM SISTEMA TESTE DE Allium cepa. In: Anais da Conferência de Genética e Citogenética Vegetal. 2015.

SOUSA, F J. et al. ABORDAGEM FITOQUÍMICA, FARMACOLÓGICA E TOXICOLÓGICA DA RUTA GRAVEOLENS. Diálogos & Ciência, v. 3, n. 2, p. 85-100, 2024.

TUASAÚDE. Arruda: para que serve, como fazer o chá e efeitos colaterais. Tua Saúde, atualizado em nov. 2024. Disponível em: https://www.tuasaude.com/arruda/.

TUASAÚDE. Chá de arruda faz descer a menstruação? Provoca aborto?. Médico Responde, Tua Saúde. Disponível em: https://www.tuasaude.com/medico-responde/cha-de-arruda-pode-provocar-aborto.

Published

2026-02-09

How to Cite

Sabino, A. A., Carvalho, L. P. de, Bastos, L. P., Brito, M. F. C. de, Barboza, M. E. A., Andrade, M. E. M. de, & Medeiros, M. S. (2026). Do laboratório à comunidade: avaliação da atividade antimicrobiana e promoção do uso seguro da Ruta graveolens L. Brazilian Journal of Development, 12(2), e85598. https://doi.org/10.34117/bjdv12n2-028

Issue

Section

Original Papers