Habitar, Habitat e Vida Cotidiana: a crítica Lefebvriana no cinema de Ken Loach
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv11n10-058Keywords:
Henri Lefebvre, urbanidade, direito à cidade, neoliberalismoAbstract
Considerando o agravamento das desigualdades urbanas e a desumanização das relações sob a lógica neoliberal, o artigo propõe uma reflexão sobre o filme Eu, Daniel Blake (2015), do cineasta inglês Ken Loach, à luz da crítica da vida cotidiana de Henri Lefebvre. Objetiva-se compreender como as contradições entre habitar e habitat, o esvaziamento das interações humanas e a mercantilização da vida urbana são representadas na narrativa cinematográfica. Para tanto, procede-se a uma pesquisa de caráter exploratório e descritivo, que utiliza o método de Decupagem Narrativa — proposto pela investigação — para identificar e analisar as cenas mais significativas do filme em diálogo com a teoria lefebvriana. Desse modo, observa-se que a obra de Loach expressa, de forma contundente, a alienação do trabalhador e a falência das políticas públicas diante do empresariamento do Estado, revelando a anulação da vida cotidiana e a submissão do sujeito à racionalidade capitalista. Os resultados evidenciam que o cinema, enquanto manifestação artística e crítica, potencializa novas percepções sobre a produção do espaço e sobre as contradições urbanas contemporâneas. Conclui-se que a leitura lefebvriana do filme contribui para repensar o direito à cidade e a urgência de reumanizar o cotidiano urbano frente às dinâmicas de exclusão e fragmentação social.
References
BREEN, J. Design Driven Research. In: DE JONG, T. M.; VAN DER VOORDT, D. J. M. (Eds.) Ways to study and research urban, architectural and technical design. Holanda: A-D Druk, 2002. Disponível em: https://ocw.tudelft.nl/wp-content/uploads/WTS_Preface_and_Introduction.pdf. Acesso em: 30 Fev. 2024.
DARDOT, Pierre. LAVAL, Christian. A nova razão do mundo. São Paulo: Boitempo, 2009.
CARLOS, Ana Fani. Henri Lefebvre: O espaço, a cidade e o direito à cidade. Revista Direito e Práxis. Rio de Janeiro, v. 11, n. 01, 2020, p. 349-369.
GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Editora Atlas, 1999.
HORNADAY, Ann. Como falar sobre cinema. Um guia para apreciar a sétima arte. Rio de Janeiro: BestSeller, 2021.
KERMODE, Mark. I, Daniel Blake review – a battle cry for the dispossessed. The Guardian – Film, 2016. Disponível em: http://theguardian.com/film/2016/oct/23/i-daniel-blake-ken-loach-review-mark-kermode>. Acesso em: abr 2024.
LEFEBVRE, Henri. A vida cotidiana no mundo moderno. São Paulo: Ática, 1991
______. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2016.
______. A revolução urbana. Belo Horizonte: UFMG, 2002.
ROLNIK, Raquel. Guerra dos Lugares. São Paulo: Boitempo, 2015.
SAMPAIO, Jurema. Usando filmes nas aulas de arte. Rio de Janeiro: CRV, 2013.

