Da mundivivência do povo uigense sobre o nascimento e criação de gémeos
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv11n9-025Keywords:
mundivivência, gémeos, uigense, culturaAbstract
As experiências do mundo permitem ao homem explicar os fenómenos à sua volta. É a partir dessa hermenêutica cultural em que se encontram os entendimentos sobre a construção cultural uigense em torno do nascimento e criação de filhos gémeos. Os saberes tradicionais veiculados pelas práticas sociais, indo de geração em geração, constituem a base para a compreensão sociocultural dos gémeos. Esta mundivivência sobre o nascimento e criação de gémeos pelo povo uigense constitui o escopo do presente texto. Entendemos que os mitos e as lendas são elementos intrínsecos à vida dos povos. Em cada cultura há elementos que ligam os mundos real e o sobrenatural. Em algumas culturas letradas tiveram o privilégio de serem vertidos para a modalidade escrita, que é, afinal, preservação e divulgação para as outras culturas. Neste texto descreve-se a compreensão cultural do povo uigense sobre os gémeos. Transmite-se uma cosmovisão que resulta das nossas experiências sobre o tratamento familiar e social recebido na qualidade de um dos autores do presente artigo ser co-gémeo. De acordo a ordem de nascimento, os gémeos tomam diferentes nomes – Nsimba, o primeiro; Nzuzi, o segundo; Nlandu, o terceiro; e Lukombo, o quarto. Na conceção deste povo, os gémeos são tomados como seres de dois mundos – o material/humano e o espiritual/aquático; são capazes de abençoar, amaldiçoar e realizar farmacopeia tradicional. Os gémeos são, contudo, seres sagrados. Como se diz em kikongo, Nsimba ye Nzuzi bana ba n´longo. Assim ficou legitimado pelo povo.
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