Bem-estar e estresse em peixes teleósteos: conceitos e metodologias
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv11n8-043Keywords:
aquicultura, monogástricos, homeostase, termorregulaçãoAbstract
A atividade de piscicultura no Brasil tem se difundido e se tornado cada vez mais intensa, o que alavanca o setor comercial. Esta ampla expansão faz com que os sistemas de criação sejam cada vez mais modernos e tecnificados, o que acaba por conferir aos produtores alta demanda produtiva e aos consumidores preocupação com as condições de criação, bem-estar e qualidade do produto que será consumido. Portanto, com o objetivo de se antecipar e atender a legislações vigentes, as pisciculturas têm se tornado cada vez mais atentas com as condições de bem-estar dos peixes, desde a alevinagem, até a entrega do produto. O bem-estar dos peixes está diretamente relacionado as respostas de estresse percepcionadas durante práticas de transporte, manejo e até mesmo no momento do abate, quando situações agudas e crônicas podem comprometer a qualidade da carne, o que diminui a validade deste produto. O estresse inicial se dá pela ação de três respostas principais, as quais depreciam o estado fisiológico dos peixes, por meio de parâmetros hormonais, fisiológicos e bioquímicos que comprometem o desempenho e a saúde dos indivíduos. Neste contexto, objetivou-se realizar uma revisão da literatura para discutir os principais fatores relacionados ao bem-estar dos peixes em piscicultura, com ênfase aos conceitos e metodologias que circundam o estresse, sendo abordado seus efeitos deletérios e formas concretas de minimizá-los. O conhecimento sobre bem-estar, estresse e as metodologias utilizadas para sua determinação são necessários para que se possa estabelecer a natureza do estresse, e formular procedimentos que minimizem os seus efeitos. Além dos efeitos deletérios do estresse sobre o bem-estar e a produtividade dos peixes em sistemas de produção intensivo, é de se esperar que o mercado, siga as tendências mundiais, e comece a fazer considerações sobre o bem-estar dos peixes, onde passarão a rejeitar produtos oriundos de sistemas de produção que não respeitem o bem-estar desses animais.
References
ADAMANTE, W.B.; NUÑER, A.P.O.; BARCELLOS, L.J.G.; SOSO, A.B.; FINCO, J.A. Stress in Salminus brasiliensis fingerlings due to different densities and times of transportation. Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia, Belo Horizonte, v.60, n.3, p.755-761, 2008.
BALDISSEROTTO, B.; GOMES, L.C. Espécies nativas para piscicultura no Brasil. Santa Maria: Editora UFSM, 2005. cap. 2, p. 37-66.
BRANDÃO, F.R.; GOMES, L.C.; CHAGAS, E.C. Respostas de estresse em pirarucu (Arapaima gigas) durante práticas de rotina em piscicultura. Acta Amazônica, Manaus, v.36, n.3, p.349-356, 2006.
CARVALHO-FILHO, J. A produção aquícola de 2016. Panorama da aquicultura. (2016). Disponível em: file:///C:/Users/adm/Downloads/Panorama_IBGE_2016.pdf . Acesso em: 01 fev. 2018.
DUARTE, E.; SILVA, C.L.; COSTA, D.C.; PEDREIRA, M.M. Bem-estar de peixe: manejo e qualidade de carne. In: 19° Congresso Brasileiro de Zootecnia. Águas de Lindóia, Anais, 2009.
FAÇANHA, M.F.; GOMES, L.C. A eficácia do mentol como anestésico para tambaqui (Colossoma macropomum, Characiformes: Characidae). Acta amazônica. Manaus, v.35, n.1, p.71-75, 2005.
FALCON, D.R.; BARROS, M.M.; PEZZATO, L.E.; SOLARTE, W.V.N.; GUIMARÃES, I.G. Leucograma da tilápia do Nilo arraçoada com dietas suplementadas com níveis de vitamina C e de lipídeos submetidas a estresse por baixa temperatura. Ciência Animal Brasileira, Goiânia, v.9, n.3, p.543-551, 2008.
FAO. Food and Agriculture Organization of the United Nations. (2014). Report highlights growing role of fish in feeding the world. Disponível em: . Acesso em: 18 jan. 2018.
FSBI FISHERIES SOCIETY OF THE BRITISH ISLES. FISH WELFARE. [on line]. Cambrige: Granta Information Systems, 2002. Disponível em: www.le.ac.uk/biology/fsbi/briefing.html. Acesso em: 20 dez. 2017.
GILMOUR, K.M.; DIBATTISTA, J.D.; THOMAS, J.B. Physiologicla causes and consequences of social status in salmonid fish. Integrative and Comparative Biology. Oxford, v.45, p. 263-273, 2005.
GOMES, L.C.; ARAÚJO-LIMA, C.A.R.M.; ROUBACH, R.; URBINATI, E.C. Avaliação dos efeitos da adição de sal e da densidade no transporte de tambaqui. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasília, v.38, n.2, p.283-290, 2003.
GRANDIN, T.; JOHNSON, C. O bem-estar dos animais:proposta de uma vida melhor para todos os bichos. São Paulo: Rocco, 2010. 334p.
HOSHIBA, M.A.; GONÇALVES, F.D.; URBINATI, E.C. Respostas fisiológicas de estresse no matrinxã (Bryncon amazonicus) após exercício físico intenso durante a captura. Acta Amazônica, Manaus, v.39, n.2, p.445-452, 2009.
IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2014). Produção da Pecuária Municipal: 2014. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/ visualizacao/periodicos/84/ppm_2014_v42_br.pdf. Acesso em: 19 de dez. 2017.
KUBITZA, F. Transporte de peixes vivos. Panorama da aquicultura, setembro/outubro, p.20-26, 1997.
LIMA, L.C.; RIBEIRO, L.P.; LEITE, R.C.; MELO, D.C. Estresse em peixes. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v.30, n.3/4, p.113-117, 2006.
LUZ, R. Resistência ao estresse e crescimento de larvas de peixes neotropicais alimentados com diferentes dietas. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasília, v.42, n.1, p.65-72, 2007.
MELO, D.C.; OLIVEIRA, D.A.A.; MELO, M.M.; JÚNIOR, D.V.; TEIXEIRA, E.A.; GUIMARÃES, S.R. Perfil protéico de tilápia chitralada (Oreochromis niloticus), submetida ao estresse crônico por hipóxia. Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia, Belo Horizonte, v.61, n.5, p.1183-1190, 2009.
MERIGHE, G.K.; PEREIRA-DA SILVA, E.M.; NEGRÃO, J.A.; RIBEIRO, S. Efeito da cor do ambiente sobre o estresse social em tilápias do Nilo (Oreochromis niloticus). Revista Brasileira de Zootecnia. Viçosa, v.33, n.4, p.828-837, 2004.
OBA, E.T.; MARIANO, W.S.; SANTOS, L.R.B. Estresse em peixes cultivados: agravantes e atenuantes para o manejo rentável. In: TAVARES-DIAS, M. Manejo e Sanidade de peixe em cultivo. Macapá: Embrapa, 2009. cap.8, p.226-247.
OKAMURA, D.; ARAÚJO, F.G.; LOGATO, P.V.R.; MURGAS, L.D.S.; FREITAS, R.T.F.; ARAÚJO, R.V. Efeito da vitamina C sobre o hematócrito de alevinos de tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) em transporte simulado. Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia, Belo Horizonte, v.59, n.4, p.883-888, 2007.
OLIVEIRA, R.F.; GALHARDO, L. Sobre a aplicação do conceito de bem-estar a peixes teleósteos e implicações para a piscicultura. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v.36, suplemento especial, p.77-86, 2007.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A AGRICULTURA E ALIMENTAÇÃO – FAO, Sofia - The state of world fisheries and aquaculture 2008. Roma, 2009. 218 p. Disponível em: http://www.fao.org/docrep/011/i0250e/i0250e00.HTM. Acesso em: 05 jan. 2018.
PEDRAZZANI, A.S.; MOLENTO, C.F.M; CARNEIRO, P.C.F.; FERNADES-DE-CASTILHO, M. Senciência e bem-estar de peixes: uma visão de futuro do mercado consumidor. Panorama da aquicultura, julho/agosto, p.24-29, 2007.
SALARO, A.L.; LUZ, R.K.; NOGUEIRA, G.C.C.B.; REIS, A.; SAKABE, R.; LAMBERTUCCI, D.M. Diferentes densidades de estocagem na produção de alevinos de trairão (Hoplias cf. lacerdae). Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v. 32, n.5, p.1033-1036, 2003.
SANCHES, L. E. F.; HAYASHI, C. Densidade de estocagem no desempenho de larvas de tilápia-do-Nilo (Oreochromis niloticus L.), durante a reversão sexual. Acta Scientiarum, Maringá, v. 21, n.3, p.619-625, 1999.
SILVEIRA, U.S.; LOGATO, P.V.R.; PONTES, E.C. Fatores estressantes em peixes. Revista Eletrônica Nutritime. Viçosa, v.6, n.4, p. 1001-1017, 2009.
SOUZA-FILHO, J. J.; CERQUEIRA, V.R. Influência da densidade de estocagem no cultivo de juvenis de robalo-flecha mantidos em laboratório. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.38, n.11, p.1317-1322, 2003.
TAKAHASHI, L.S.; ABREU, J.S.; BILLER, J.D.; URBINATI, E.C. Efeito do ambiente pós transporte na recuperação dos indicadores de estresse de pacus juvenis, Piaractus mesopotamicus. Acta Scientiarum: Animal Sciences. Maringá, v.28, n.4, p.469-475, 2006.
VIDAL, L.V.O.; FURUYA, W.M.; GRACIANO, T.S.; SCHAMBER, C.R.; SILVA, L.C.; SANTOS, L.D.; SOUZA, S.R. Influência das concentrações do Eugenol nos tempos de indução e recuperação da anestesia profunda de juvenis da matrinxã (Brycon cephalus). In: 1° Congresso Brasileiro de produção de peixes nativos de água doce. Dourados. Anais. CD ROM, 2007.
VOLPATO, G.L. Considerações metodológicas sobre o teste de preferência na avaliação do bem-estar em peixes. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v.36, suplemento especial, p.53-61, 2007.

