Chapada do Araripe - Território encantado dos povos Kariri, Livro Aberto da História da Terra

Authors

  • Jose Patricio Pereira Melo Melo
  • Maria da Conceição Lopes
  • Fabiana Barbosa Pereira

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv11n7-063

Keywords:

Chapada do Araripe, patrimônio cultural e natural, apresentação

Abstract

A Chapada do Araripe é considerada a maior bacia sedimentar do interior do Nordeste brasileiro, apresentando-se como uma unidade geológica que compreende uma área de 12.000 km2, inserida no sertão e estendendo-se pelo extremo Sul do Estado do Ceará, Noroeste do Pernambuco e Leste do Piauí. Originada no período Pré-cambriano, quando da reativação de antigos lineamentos emersos que deram origem a bacias de interior, a sedimentação da Bacia do Araripe principiou-se no âmbito da água doce, evoluindo quando o mar invadiu a região, formando camadas de gipso e rochas associadas e com eles o registro paleontológico da criação da vida na terra e traços da cultura ancestral em rico acervo arqueológico. Esse “mar interior de água doce” será responsável pela mancha de vegetação sempre verde em um “mar de caatinga” que dá à Chapada do Araripe um diferencial importante na paisagem nordestina, pautado por densas florestas caducifolheadas e, inclusive, nos locais mais protegidos, por uma floresta densa e úmida comparável à Amazônica e à Mata Atlântica. Desde tempos pré-históricos, evolui uma cultura que, tendo franqueado o tempo, chegou aos nossos dias preservada e formalizada em múltiplas evidências histórico e culturais, representadas num conjunto de tradições e festividades coletivas, entre as quais a Festa do Pau da Bandeira, de Barbalha, reconhecido como Patrimônio Imaterial brasileiro, processo semelhante ao do Cordel. As várias manifestações ocorrem ao longo de todo ano e em todo o território, dando corpo a uma sólida e perfeita simbiose da vida do homem com a natureza, numa harmonia compósita que o tempo esculpiu e o homem preservou. Os Kariri, o povo indígena que desde a pré-história se instalou na região da Chapada do Araripe, é o protagonista inicial dessa cultura, fundando no mito e sua energia suas características modelares e determinantes. O mito, entidade criativa que evolui numa sequência de concepções religiosas e imagens cosmológicas que se moldam e se articulam solidariamente num “sistema” que se pode chamar de “sistema do Mundo”, das sociedades tradicionais, no qual o homem e a natureza se confundem. A constante desse referencial mitológico manteve-se ao longo do tempo, assumindo peculiar tendência a partir do século XVIII, quando à região chegaram colonizadores estrangeiros e no séc. XIX e XX, quando eclodiram movimentos socio-religiosos de carácter messiânico e de resistência, desencadeando a elaboração de um imaginário formado de encaixes de séries culturais que, conjugadas, compreenderam um profundo acrescento de novidade ao estrato cultural pré-histórico. Esse misto de natureza e cultura é o ponto central de um projeto de candidatura a Patrimônio da Humanidade. A dinâmica do território em seu aspecto social (assimetria entre os municípios, ao todo 32 que compreende a região do Cariri; e econômico), exige um plano de gestão e salvaguarda desse patrimônio natural e paisagem cultural distinto de todo o mundo.

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Published

2025-07-28

How to Cite

Melo, J. P. P. M., Lopes, M. da C., & Pereira, F. B. (2025). Chapada do Araripe - Território encantado dos povos Kariri, Livro Aberto da História da Terra. Brazilian Journal of Development, 11(7), e81178. https://doi.org/10.34117/bjdv11n7-063

Issue

Section

Original Papers