Identificação de emoções afloradas durante atividades de simulação realística na percepção de discentes de Medicina de uma instituição de ensino superior
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv11n3-036Keywords:
simulação realística, educação em saúde, emoçõesAbstract
A Simulação Realística (SR) surgiu como ferramenta importante para prática e capacitação em habilidades de semiologia, em procedimentos técnicos e em comunicação diversas áreas e recentemente coopera na construção das práticas pedagógicas, ampliando as possibilidades de vivencias dos estudantes em um ambiente seguro e sonha ganhar cada vez mais visibilidade na área da saúde. A SR corrobora o preconizado nas metodologias ativas, cujo discente compreende que é o sujeito principal no processo de aprendizagem, a partir do pensamento crítico e reflexiva. Cabe ressaltar que em cursos de Medicina é fundamental ao profissional médico uma "formação geral, humanista, crítica, reflexiva e ética, com capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, nos âmbitos individual e coletivo" (Conselho Nacional de Educação, 2014), nesse viés, a SR propicia a articulação teórico-prática e coopera com o processo de humanização do médico no cuidado do paciente em sua totalidade e não apenas um corpo fragmentado. Nota-se que o cenário controlado da SR permite o desenvolvimento da capacidade individual em lidar com as próprias emoções e interagir com outros de forma pessoal e profissional, especialmente em situações de estresse intenso. As emoções desencadeadas durante o processo de aprendizagem são valiosas para a assimilação e a consolidação da memória. Novos estudos mostram que as emoções também podem contribuir na cognição. Contudo, a associação entre o aprendizado e as emoções é um fenômeno recente e não é muito analisada nas disciplinas tradicionais. Dessa forma, o presente estudo identificou a presença de emoções de bem-estar e mal-estar durante as atividades de SR, principalmente previamente às atividades simuladas, à falta de conhecimento técnico específico e de assuntos socialmente sensíveis, como racismo, tentativa de autoextermínio, além de salientar disparidade de emoções tanto de bem-estar quanto de mal-estar entre gêneros.
References
AEBERSOLD, M.; TSCHANNEN, D.; BATHISH, M. Innovative simulation strategies in education. Nurs. Res. Prac.., New York, v. 2012, p. 1-7, 2012.
ANUNCIAÇÃO, Diana; PEREIRA, Lucélia Luiz; SILVA, Hilton P.; et al. Ways and detours in guarantee of health for the black population and the confrontation of racism in Brazil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, p. 3861–3870, 2022.
ARAÚJO E. M., TOLENTINO N. A., SILVA A. C. A. Saúde da população negra: Política Nacional de Saúde: avaliações e reflexões sobre suas diretrizes. In: KOMINEK A. M. V., VANALI A. C., et al. Roteiro temáticos da diáspora: caminhos para o enfrentamento ao racismo no Brasil. Porto Alegre: Fi; 2018. p. 243-64.
BIFFI, M.; DIERCKS, M. S.; BARREIROS, B. C. Metodologias Ativas de Aprendizagem: Desafios dos Docentes de Duas Faculdades de Medicina do Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 44, n. 4, p. 145, 2020.
BRACCO, F.; MASINI, M.; TONETTI, G.; BROGIONI, F.; AMIDANI, A.; MONICHINO, S. Adaptation of non-technical skills behavior almarkers for delivery room simulation. BMC Pregnancy and Childbirth, v. 17, n. 1, p. 89, 2017.
BRANDÃO, C. F. S.; COLLARES, C. F.; MARIN, H. F. A simulação realística como ferramenta educacional para estudantes de medicina. Sci Med, v. 24, n. 2, p. 187-92, 2014.
BUSINESS IN THE COMMUNITY. Gender and Mental Health at Work. Business in the Community, 2020. Disponível em: <https://www.bitc.org.uk/fact-sheet/gender-and-mental-health-at-work/>. Acesso em: ago/2023
CARRARD, V.; BOURQUIN, C.; ORSINI, S. Virtual patient simulation in breaking bad news training for medical students. Patient Education and Counseling, v. 103, n. 7, p. 1435-1438, 2020.
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (CNE). Resolução CNE/CES nº 3, de 20 de julho de 2014. Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Medicina. Brasília: Diário Oficial (6/6/2014).
CROSS, W. F.; WEST, J. C.; PISANI, A. R.; et al. A randomized controlled trial of suicide prevention training for primary care providers: a study protocol. BMC Medical Education, v. 19, p. 58, 2019.
DIAS, R. D., NETO, A. S. Importância de Laboratório de Habilidades na Capacitação e Avaliação Prática de Alunos e Profissionais da Área da Saúde. In: TIBÉRIO, I. F. L. C. et al. Avaliação Prática de Habilidades Clínicas. 1ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2012, v. 1. p. 41 – 48.
DOLAN, Irene J; STRAUSS, Penelope; WINTER, Sam; et al. Misgendering and experiences of stigma in health care settings for transgender people. Medical Journal of Australia, v. 212, n. 4, p. 150, 2020.
ELLIS, H. A.; ASHBROOK, P. W. Resource allocation model of the effects of depressed mood states on memory. In: FIELDER, K.; FORGAS, J. Affect, cognition, and social behavior. Lewiston, NY: Hogrefe, 1988. p. 25–43.
FIELD, A. Descobrindo a Estatística Usando o SPSS. 5ª ed. Porto Alegre: Penso, 2020.
FLICK, U. Introdução à metodologia de pesquisa: um guia para iniciantes. Penso Editora, 2012.
FRASER, K.; MCLAUGHLIN, K. Temporal pattern of emotions and cognitive load during simulation training and debriefing. Medical Teacher, v. 41, n. 2, p. 184-189, 2019.
FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 25ª ed. (1ª edición: 1970). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.
GABA, D. M. A brief history of mannequin-based simulation and application. In: DUNN, William F. Simulators in critical care and beyond. Des Plaines, USA: Society of Critical Care Medicine, 2004. p. 7-14.
GABA, D. M. The future vision of simulation in health care. Quality and Safety in Health Care, v. 13, n. 1, p. 2-10, 2004.
GARCIA, Maria Alice Amorim; SILVA, Ana Laura Batista Da. Um perfil do docente de medicina e sua participação na reestruturação curricular. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 35, n. 1, p. 58–68, 2011.
GLEASON, B. L.; PEETERS, M. J.; RESMAN-TARGOFF, B. H.; An Active-Learning Strategies Primer for Achieving Ability-Based Educational Outcomes. American Journal of Pharmaceutical Education, v. 75, n. 9, p. 186, 2011.
ISSENBERG, S. B.; MCGAGHIE, W. C.; PETRUSA, E. R. Effect of practice on standardised learning outcomes in simulation-based medical education. Medical Education, v. 40, n. 8, p. 792–797, 2006.
JOHNSON, D. R. Emotional intelligence as a crucial component to medical education. International Journal of Medical Education, v. 6, p. 179–183, 6 dez. 2015.
KANEKO, R. M. U.; LOPES, M. H. B. M. Realistic health care simulation scenario: what is relevant for its design? Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 53, 2019.
LEBLANC, V. R. The Effects of Acute Stress on Performance: Implications for Health Professions Education. Academic Medicine, v. 84, p. S25–S33, 2009.
MAZZO, A.; MIRANDA, F. B. G.; MESKA, M. H. G.; BIANCHINI, A.; BERNARDES, R. M.; JUNIOR, G. A. P. Teaching of pressure injury prevention and treat mentusing simulation. Escola Anna Nery, v. 22, n. 1, p. 1-8, 2018.
MELO, M. C. B. A simulação no ensino da graduação In: NETO, A. S. Simulação Realística e habilidades na saúde. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro: Ateneu, 2017.
MERRIËNBOER, Jeroen J. G. van; KIRSCHNER, Paul Arthur. Ten steps to complex learning: a systematic approach to four-component instructional design. 2 ed. New York: Routledge, 2012.
OLIVEIRA; S. N.; PRADO, M. L.; KEMPFER, S. S.; WATERKEMPER, R.; MORERA, J. A. C.; BERNARDI, M. C. A pedagogia por trás da experiência clínica simulada: uma percepção de estudantes de enfermagem. Revista Iberamericana de Educación e investigación em enfermería, Madrid, v. 4, n. 3, p. 56-63, 2015.
OPAS. Após 18 meses de pandemia de COVID-19, OPAS pede prioridade para prevenção ao suicídio. OPAS, 2021. Disponível em: . Acesso em: ago/2023
ORSI, T. D.; VALADARES, A. L. R.; ORSI, P. M. E. Simulation-based Training for Pelvic and Breast Physical Examination: Effect on the Anxiety and Self-confidence of Medical Students. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia / RBGO Gynecology and Obstetrics, v. 42, n. 11, p. 739–745, 2020.
PAIVA, M. R. F.; PARENTE, J. R. F.; BRANDÃO, I. R.; QUEIROZ, A. H. B. Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem: Revisão Integrativa. SANARE - Revista de Políticas Públicas, [S. l.], v. 15, n. 2, 2017.
PARRY, D. C. Etapas de uma Simulação Realística. In: SOUZA, H. J. B. Manual de Simulação Realística. 1ed. Rio de Janeiro: Editora Albatroz, 2018, v. 1, p. 91-105.
PERGHER, G. K. et al. Memória, humor e emoção. Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, v. 28, n. 1, p. 61 - 68, 2006.
PREVEDELLO, A. S.; SEGATO, G. F.; EMERICK, L. B. B. R. Metodologias de ensino nas escolas de medicina e a formação médica atual. Revista Educação, Cultura e Sociedade, v. 7, n. 2, 2017.
PIÑA-JIMÉNEZ, I.; AMADOR-AGUILAR, R. La enseñanza de la enfermería con simuladores, consideraciones teórico-pedagógicas para perfilar un modelo didáctico. Enfermería Universitaria, v. 12, n. 3, p. 152–159, 2015.
RIBEIRO, J. T.; ALBUQUERQUE, N. M. D. S.; RESENDE, T. I. M. Potencialidades e desafios da metodologia ativa na perspectiva dos graduandos de Medicina. Revista Docência do Ensino Superior, v. 10, p. 1–19, 2020.
RODRIGUES, R. L.; DE MEDEIROS, F. P. A.; GOMES, A. S. Modelo de Regressão Linear aplicado à previsão de desempenho de estudantes em ambiente de aprendizagem. In: Brazilian Symposium on Computers in Education (Simpósio Brasileiro de Informática na Educação-SBIE). 2013. p. 607.
ROYLES, D. Women in medicine and leadership. British Journal of Hospital Medicine, v. 75, n. 5, p. 244 – 245, 2014.
RUNA, A. I. N. F.; MIRANDA, G. L. Validação Portuguesa das Escalas de Bem-estar e Mal-estar Emocional, RISTI - Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, 2015.
SCHMITZ, W. M.; ALLEN, M. H.; FELDMAN, B. N.; et al. Preventing Suicide through Improved Training in Suicide Risk Assessment and Care: An American Association of Suicidology Task Force Report Addressing Serious Gaps in U.S. Mental Health Training: Improved Suicide-Specific Training. Suicide and Life-Threatening Behavior, v. 42, n. 3, p. 292–304, 2012.
SCHWELLER, M., WAMSERLEI, J., STRAZZACAPPA, M., SÁ, F. C., CELERI, E. H. R. V., & CARVALHO-FILHO, M. A. Metodologias ativas para o ensino de empatia na graduação em medicina: uma experiência da Unicamp. Cadernos ABEM, v. 10, p. 36-46, 2014.
SANTOS, F. M. T. As Emoções nas Interações e a Aprendizagem Significativa. Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências (Belo Horizonte), v. 9, n. 2, p. 173–187, 2007.
Smith E., Jones T., Ward R., et al. From blues to rainbows: the mental health and well-being of gender diverse and transgender young people in Australia. Melbourne: Australian Research Centre in Sex, Health and Society, 2014.
SOUSA, Aline Batista de; SALGADO, Tania Denise Miskinis. Memória, aprendizagem, emoções e inteligência. Revista Liberato, v. 16, n. 26, p. 141–152, 2015.
TREMBLAY, M. L.; LAFLEUR, A.; LEPPINK, J. The simulated clinical environment: Cognitive and emotional impact among undergraduates. Medical Teacher, v. 39, n. 2, p. 181–187, 2017.
VAN MERRIËNBOER, J.; KIRSHNER, P. Ten Steps to Complex Learning: A Systematic Approach to Four-Component Instructional Design. 1. ed. [s.l.]: Routledge, 2007.
VEIGA, I. P. A. Relação pedagógica na aula da educação superior. Campinas, São Paulo: Papirus, 2019.
VIEIRA, L. A. A pesquisa como princípio educativo: uma proposta metodológica para formação de professores. Anais V CONEDU. Campina Grande: Realize Editora, 2018.
WEST, E.; SINGER-CHANG, G.; RYZNAR, R.; et al. The Effect of Hyper-Realistic Trauma Training on Emotional Intelligence in Second Year Military Medical Students. Journal of Surgical Education, v. 77, n. 6, p. 1422–1428, 2020.
YIU, V. Supporting the well-being of medical students. Canadian Medical Association Journal, v. 172, n. 7, p. 889–890, 29 mar. 2005.

