Ser ou não ser leitor? Concepção de leitor e de literatura por professores do ensino médio
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv11n3-032Keywords:
concepção de leitor, história de leitura de professores, ensino de literatura no EMAbstract
Investigou-se aqui a história de leitura de seis professores egressos do curso de Letras Vernáculas do campus XXII da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a relação entre a forma como concebem o leitor e a leitura literária no Ensino Médio e as implicações da prática docente para a formação do leitor. A fundamentação teórica desse trabalho se situa na compreensão da leitura como prática cultural e histórica e literatura como um direito, em Cândido (2011) e Giardinelli (2010), e no ensino de literatura, na perspectiva de autores como Cosson e Paulino (2004), Lajolo e Zilberman (2009) e Cordeiro (2006). A técnica utilizada para esta pesquisa foi a entrevista narrativa, por meio de um roteiro norteador, de forma que os professores pudessem narrar sobre sua formação leitora e profissional. A análise dos dados aponta uma forte tendência dos docentes às práticas tradicionais do ensino de literatura em que o foco é na leitura obrigatória do texto/obra para fins avaliativos. Os resultados assinalam um descompasso entre os estudos oferecidos na universidade e o que os professores podem articular entre a teoria e a prática no ensino médio. Evidencia-se, ainda, a necessidade de ampliação da discussão sobre a formação dos docentes, a leitura como prática cultural e o fortalecimento da pesquisa nos cursos de graduação voltada ao ensino de literatura e à formação do leitor.
References
ABREU, Marcia. Cultura Letrada. São Paulo: Editora da UNESP, 2006.
BRESSON, François. A leitura e suas dificuldades. In: CHARTIER, Roger. Práticas da leitura. 5ª ed. São Paulo: Estação liberdade, 2011. Trad. de Cristine Nascimento.
BURLAMAQUE, F. Verardi. Os primeiros passos na constituição de leitores autônomos. In: TURCHI, M. Zaira, SILVA, V.M.Tietzmann (Orgs). Leitor formado, leitor em formação: leitura literária em questão. São Paulo; Cultura Acadêmica: Assis, SP: ANEP, 2006.
CÂNDIDO, Antônio. O direito à literatura. In. .Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades, 1995.
CORDEIRO, Verbena M. Rocha. Cenas de leitura. In: TURCHI, M. Zaira, SILVA, V.M. Tietzmann (Orgs). Leitor formado, leitor em formação: leitura literária em questão. São Paulo: Cultura Acadêmica: Assis, SP: ANEP, 2006.
COSSON, Rildo. Entre o cânone e o mercado: a indicação de textos na escola. In: Cosson, Rildo, PAULINO. Graça (Orgs). Leitura literária: a mediação escolar. Belo Horizonte, FALE: UFMG, 2004.
GIARDINELLI. Mempo. Voltar a ler: propostas para ser nação de leitores. São Paulo: Ed Nacional, 2010. (Tradução de Victor Barrionuevo).
LAJOLO, Marisa. O que é literatura. São Paulo: Ática: 1987.
LEAL, Leiva de Figueiredo Viana. Leitura e formação de professores. In: Evangelista et. al. (Orgs). A escolarização da leitura literária. O jogo do livro infantil e juvenil. 2. Ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.
PAIVA, Aparecida et. al. (Orgs). Literatura e letramento: espaços, suportes e interfaces- o jogo do livro. 1ª ed. Belo Horizonte: Autentica/CEALE/FAE/UFMG, 2007.
PENNAC, Daniel. Como um romance. R.J.: Rocco, 1998, trad. de Leny Werneck.
ROCCO, Maria Tereza. Leitor, leitura, escola: uma trama plural. In; PRADO, Jason, CONDINI, Paulo (Orgs). A formação do leitor: pontos de vista, R. J.: Argus, 1999.
SILVA, Ivanda, Martins. Literatura em sala de aula: da teoria literária à prática escolar. Anais do Evento PG Letras 30 Anos Vol. I (1): 514-527- www.pgletras.com.br/Anais-30-Anos/Docs/Artigos/5.- acesso em 01/11/2015.
TODOROW, Tzvetan. A literatura em perigo. R.J: DIFEL, 2014. Trad Caio Meira. 5ªed.
ZILBERMAN, Regina; RÖSING, Tania M K. (Org.). Escola e leitura. Velhas crises, novas alternativas. São Paulo: Global, 2009.

