“Desnorteando” a loucura: os desafios de afirmar uma prática antimanicolonial em saúde mental
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv10n10-059Keywords:
luta antimanicolonial, colonialidade, saúde mental, loucuraAbstract
Sob colonização, instituiu-se na sociedade uma noção de “sujeito universal”, eurocentrada, branca, homogênea, hetero-cis-normativa, masculina, rica e racional. Mas, essa concepção de um suposto “sujeito universal” produz inúmeros “não-sujeitos” no corpo social: pessoas pretas, mulheres, pessoas LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência, e, dentre tantos outros, também os loucos. Diante dessa simetria ilusória, é fundamental que o campo da saúde mental esteja parelho das demandas interseccionais, desconstruindo as violentas compreensões manicoloniais que ainda permeiam o campo. Assim, o objetivo desta pesquisa é identificar as formas de continuação da lógica manicolonial nas práticas em saúde mental e expor os desafios para a afirmação de uma prática antimanicolonial. Para mais, optou-se por uma escrita insurgente, contra a rigidez eurocêntrica, contra-colonial, por isso, para embasar esta pesquisa, apreendeu-se de autores como Frantz Fanon, Cida Bento, Geni Núñez, Racquel Passos, etc., cujos estudos problematizam as continuidades simbólicas e institucionais das relações coloniais de dominação. A pesquisa revela que a articulação entre colonialidade e manicomialização está ainda presente nas práticas em saúde mental e que funcionam como produtoras de lógicas de separação, exclusão e morte, por isso, defronte de diferentes desafios manicoloniais, exige-se da Reforma Psiquiátrica Brasileira a insubordinação das lutas antimanicomial e antirracista.
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