Estudo de alimentos denominados “naturais” para cães comercializados em Florianópolis - SC
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv10n5-055Keywords:
animais de companhia, exigências nutricionais, legislaçãoAbstract
O objetivo do estudo foi avaliar alimentos considerados “naturais”, para cães comercializados em Florianópolis – SC, em relação a conformidade com a legislação, composições nutricionais (para proteína bruta, extrato etéreo, fibra bruta, matéria mineral, cálcio e fósforo), informações nos rótulos e qualidade microbiológica. Os alimentos foram divididos em dois grupos: com e sem fabricante registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). As análises nutricionais foram comparadas com os níveis mínimos de exigências das tabelas de referência oficiais utilizadas para formulações de dietas para cães. A comparação destes dados entre os dois grupos foi realizada por análise de variância com nível de 5% de significância. Foram identificados sete alimentos, quatro com fabricante registrado no MAPA e três sem registro. Dos alimentos com registro, um destes, não atendeu completamente aos itens necessários no rótulo. Dos alimentos sem registro, nenhum atendeu completamente à legislação, faltando em torno de 60% das informações. Os resultados das análises dos nutrientes nos sete alimentos não mostraram diferenças (P>0,05) e apresentaram valores dentro dos níveis recomendados por tabelas de exigências oficiais. A exceção dos níveis de cálcio que foram diferentes entre os alimentos com (1,5%) e sem registro de fabricante (0,06%). A média do Ca nos alimentos sem registro foi muito menor que o mínimo exigido para um cão adulto (0,6%). Dos quatro alimentos com registro ocorreram situações de níveis nutricionais e de matéria seca analisados diferentes dos declarados no rótulo. Nas análises microbiológicas, houve ausência de Salmonella spp. e baixa prevalência de coliformes nos sete alimentos. Houve ocorrência maior que aceitável de bolores e leveduras em cinco dos setes alimentos. Conclui-se que os alimentos denominados naturais comercializados Florianópolis – SC para cães, que não tem registro no MAPA não apresentam informações exigidas por lei em seus rótulos. Os níveis nutricionais analisados dos alimentos, com e sem registro, estão de acordo com as tabelas oficiais de exigências nutricionais dos cães, a exceção do Ca que estava abaixo do exigido nos alimentos sem registro. Dos quatro alimentos com registro de fabricante ocorreram situações de níveis nutricionais e de matéria seca analisados diferentes dos declarados no rótulo. A qualidade microbiológica pode ser considerada satisfatória, a exceção de bolores que apresentaram alta incidência em cinco alimentos analisados.
References
ABINPET. Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de estimação. Manual Pet Food Brasil. Ed. 10. São Paulo. Brasil, 2019. Disponível em: < http://abinpet.org.br/wp-content/uploads/2020/05/manual_pet_food_ed10_completo_digital.pdf>. Acesso em: 05 de maio de 2020.
APHA. American Public Health Association. Compendium of methods for the microbiological examination of foods. 4ed. 676 p. 2001.
ARAÚJO, I. C. S. et al. Efeito do tipo de alimentação de cães saudáveis sobre análises clínicas e aspectos comportamentais. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 70, n. 3, p. 689-698, 2018.
ASSOCIATION OF AMERICAN FEED CONTROL OFFICIALS - AAFCO. Official Publication. AAFCO. 2015. 663p. ISBN: 978-0-991-12883-9.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. PORTARIA Nº 196, DE 8 DE JANEIRO DE 2021. Diário Oficial da União de 11/01/2021. Edição 6, Seção 1. Disponível em: <https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-196-de-8-de-janeiro-de-2021-298352982>. Acesso em 21 de março de 2024.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 30 de 05 de agosto de 2009. Diário Oficial da União de 07/08/2009. Seção 1. Situação: Vigente. Disponível em: <https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-pecuarios/alimentacao-animal/arquivos-alimentacao-animal/copy_of_IN302009MAPAALTRERADAPELAIN3820202.pdf>. Acesso em: 01 de julho de 2020.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 12, de 02 de janeiro de 2001. Regulamento Técnico sobre Padrões Microbiológicos para Alimentos. Disponível em: <http://www.vigilanciasanitaria.gov.br/anvisa.html>. Acesso em: 12 de maio de 2020.
BAUER, J. John E. Essential fatty acid metabolism in dogs and cats. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 37, n. SPE, p. 20-27, 2008.
CAMPBELL, J. M. et al. Selected indigestible oligosaccharides affect large bowel mass, cecal and fecal short-chain fatty acids, pH and microflora in rats. The Journal of nutrition, v. 127, n. 1, p. 130-136, 1997.
CARCIOFI, A. C. et al. Qualidade e digestibilidade de alimentos comerciais de diferentes segmentos de mercado para cães adultos. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, v. 10, n. 2, 2009.
CAVE, N. Nutritional management of gastrointestinal diseases. Applied Veterinary Clinical Nutrition. West Sussex, UK: John Wiley & Sons, Ltd, p. 175-219, 2012.
COELHO, R. B. et al. Avaliação nutricional das dietas comerciais úmidas para cão (Canis familiaris). Arquivos de Ciências Veterinárias e Zoologia da UNIPAR, v. 16, n. 2, 2013.
DE SOUZA, Valderi Tananta et al. Composição nutricional e avaliaçao de rótulo de rações secas para cães e gatos adultos comercializadas em Rio Branco–AC. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 6, p. 40792-40803, 2020.
DO BRASIL, GOVERNO. Utilização da fibra na nutrição de cães. Boletim Agropecuário. v. 70, p. 1-13, 2006.
DROCHNER, W.; MEYER, H. Digestion of organic matter in the large intestine of ruminants, horses, pigs and dogs. Advances in Animal Physiology and Animal Nutrition, v. 22, p. 18-40, 1991.
FEDIAF, EUROPEAN PET FOOD INDUSTRY FEDERATION. Nutritional Guidelines for Complete and Complementary Pet Food for Cats and Dogs. 2018.
GUIDO, L. S. et al. Qualidade nutricional declarada no rótulo da embalagem de ração seca para cães adultos. II Congresso de Ensino de Graduação Universidade Federal de Pelotas. 2ª Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão. 2016. Disponível em: < https://cti.ufpel.edu.br/siepe/arquivos/2016/CA_01527.pdf>. Acesso em: 01 de julho de 2020.
HAZEWINKEL, H. A. W. et al. Calcium metabolism in Great Dane dogs fed diets with various calcium and phosphorus levels. The Journal of nutrition, v. 121, n. suppl_11, p. S99-S106, 1991.
JÚNIOR, Sávio Tadeu Almeida et al. Controle de qualidade e parâmetros microbiológicos em rações comerciais para cães e gatos Quality control and microbiological parameters in commercial dog and cat food. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 11, p. 103158-103170, 2021.
MACEDO, H. T. et al. CAPÍTULO V ALIMENTOS NÃO CONVENCIONAIS PARA CÃES E GATOS. Novos Desafios da Pesquisa em Nutrição e Produção Animal, p. 90, 2018.
MCKENZIE, J.; GOLDMAN, R.N. The student edition of Minitab for Windows manual: release 12. Belmont: Addison-Wesley Longman: Softcover ed., 1999. 592p.
NATIONAL RESEARCH COUNCIL - NRC. Nutrient requirements of dogs and cats. Washington, D.C.: National Academies, 2006. 398p.ISBN: 978-0-309-08628-8.
PEDRINELLI, V. et al. Analysis of recipes of home-prepared diets for dogs and cats published in Portuguese. Journal of nutritional science, v. 6, 2017.
SAAD, F. M. O. B.; FRANÇA, J. Alimentação natural para cães e gatos. Revista Brasileira de Zootecnia, Belo Horizonte, v. 39, n. 1, p. 52-59, 2010.
SANCHEZ, S. et al. Animal sources of salmonellosis in humans. Journal of the American Veterinary Medical Association, v.221, n.4, p.492-497, 2002.
SCHOENMAKERS, I. et al. Effect of diets with different calcium and phosphorus contents on the skeletal development and blood chemistry of growing Great Danes. Veterinary record, v. 147, n. 23, p. 652-660, 2000.
SILVA JÚNIOR, E. A. Manual de controle higiênico-sanitário em serviços de alimentação. 6 ed., São Paulo: Varela, 2005. 624 p.
WEESE, J.S. et al. Bacteriological evaluation of commercial canine and feline raw diets. Canadian Veterinary Journal, v.46, n.6, p.513-516, 2005.

