Aspas de conotação autonímica: uma proposta sobre as heterogeneidades enunciativas do sujeito no discurso
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv10n1-096Keywords:
discurso, sujeito discursivo, aspas, conotação autonímica, heterogeneidade enunciativaAbstract
Este artigo é sobre o fenômeno das heterogeneidades enunciativa do sujeiro no discurso. O trabalho se situa no campo da Linguística da Enunciação. Partimos da defesa de que a língua não deve ser vista somente como um sistema de combinação de signos, mas, sobretudo como linguagem engendrada por um sujeito. Em seguida, visitamos os principais postulados de Bakhtin e de Lacan, por meio dos quais buscamos uma articulação entre a linguística e a psicanálise, para chegarmos à teoria de Authier-Revuz sobre as heterogeneidades enunciativas do sujeito no discurso, as quais se apresentam de dois tipos: a heterogeneidade mostrada, que pode ser marcada ou não marcada e a heterogeneidade constitutiva. Investigamos excertos de enunciados que contêm aspas de conotação autonímica, tais como as aspas de diferenciação, de condescendência, de proteção, de questionamento ofensivo e de ênfase. Os resultados atestam que as aspas não se propõem ao dizer explícito. Cada discurso aparece dialeticamente como unitário, de um lado, e como plural, se considerarmos a outra face do mesmo, sendo isso que o faz heterogêneo. Nos termos que são aspeados, o sentido que as aspas produzem no enunciado do sujeito é guardado à distância. Nas considerações finais, podemos perceber que as aspas são uma espécie de sinal a ser decifrado no fio do discurso.
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