Os reflexos da Resolução nº 484/2022 - CNJ - nos processos e procedimentos administrativos no âmbito da Polícia Militar do Paraná
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv9n9-051Keywords:
ato de reconhecimento, processos e procedimentos administrativos, resolução nº 484/2022 – CNJ, prova, Polícia Militar do ParanáAbstract
O reconhecimento de pessoas, enquanto meio de prova, é recorrente aos procedimentos investigatórios, sejam eles, de natureza comum ou militar. Senão, um dos mais usuais, pois, presta-se a firmar a autoria delitiva e a comprovação da materialidade dos fatos. Assim, desta maneira, encontra-se normatizado no Código de Processo Penal e, no seu congênere Castrense, o Código de Processo Penal Militar. Até a pouco, a Corte Superior e a doutrina consideravam estas regras processuais como mera orientação e recomendação, bem por isso, sua inobservância não acarretava a nulidade do reconhecimento, pois mantinha a prova como válida. Recentemente, houve significativa mudança de rumo, dado a julgamentos do Superior Tribunal de Justiça, agora, àquelas regras processuais são requisitos mínimos, do contrário, a prova é nula. Vale salientar que tal prova recorre da memória da vítima e/ou testemunha, a qual, pode sofrer interferências ambientais e de contexto e, por isso, sua captação e absorção resta variável e pode se enfraquecer com o tempo, de sua sorte, recomenda-se a produção, cronologicamente elencando, o mais próximo possível dos fatos, ou seja, no processo investigativo. Mas, negligências procedimentais levaram a erros judiciais, motivo desta inflexão e, após, estudos de grupo de trabalho do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), firmou-se a Resolução nº 484/2022. Inobstante às considerações de sua origem, vê-se que tal instituto não conflita com a legislação, mas sim, busca elevar o grau de confiabilidade da prova. Resta, agora, considerar em que medida tal Resolução incide nos feitos processuais da Polícia Militar do Paraná e, ao fim, propor uma maneira de pacificar o tema para evitar nulidade dos atos de reconhecimento de pessoas.
References
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 7. Brasília, 18 de outubro de 2005. Brasília, 18 out. 2005. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/files/resolucao_comp_7_18102005_26032019134311.pdf. Acesso em: 16 jul. 2023.
BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução N. 484. Brasília, 19 de dezembro de 2022. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/files/original2118372022122763ab612da6997.pdf. Acesso em: 08 jul. 2023.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Congresso Nacional, 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 30 jun. 2023.
CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 29. ed. São Paulo: Saraivajur, 2022.
CECCONELLO, William Weber et al. A (IR)REPETIBILIDADE DA PROVA PENAL DEPENDENTE DA MEMÓRIA: uma discussão a partir da psicologia do testemunho. Revista Brasileira de Políticas Públicas, [S.L.], v. 8, n. 2, p. 1057-1073, 26 set. 2018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.5102/rbpp.v8i2.5312. Acesso em: 22 jul. 2023.
GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução ao estudo do direito. 49. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
FRIEDE, Reis. Teoria da Norma Jurídica. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/teoria-da-norma-juridica/1305915103. Acesso em 13 jul. 2023.
GUIMARÃES, Lucas Pereira Gabardo. Análise das decisões das cortes superiores sobre a (i)legalidade da violação de domicílio em ações policiais no Brasil. Brazilian Journal of Development. ISSN: 2525-8761. Curitiba, v. 9, n. 2, p. 7078-7097, fev. 2023. Disponível em: <https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/57198/41877>. Acesso em: 10 jul. 2023.
LENZA, Pedro. Direito Constitucional / Pedro Lenza. – 26. ed. – São Paulo: SaraivaJur, 2022.
LIMA, Marcelo Krainski de; ZWIR, Gil Alessandro. Direitos humanos nas investigações de polícia judiciaria militar na Polícia Militar do Paraná (PMPR) / Human rights in investigations developed in the Military Police of Paraná (PMPR). Brazilian Journal Of Development, [S.L.], v. 8, n. 5, p. 40423-40440, 25 maio 2022. South Florida Publishing LLC. http://dx.doi.org/10.34117/bjdv8n5-500.
LOPES JR., Aury. Direito Processual Penal. 20. ed. São Paulo: Saraivajur, 2023.
MARCÃO, Renato. Curso de Processo Penal. 7. ed. São Paulo: Saraiva educação, 2021.
MATIDA, Janaina et al. Reconhecimento fotográfico e presunção de inocência. Revista Brasileira de Direito Processual Penal, [S.L.], v. 7, n. 1, p. 409-440, 24 mar. 2021. Instituto Brasileiro de Direito Processual Penal. Disponível em: http://dx.doi.org/10.22197/rbdpp.v7i1.506. Acesso em: 22 jul. 2023.
MENDES, Gilmar Ferreira et al. Conselho Nacional de Justiça: fundamentos, processo e gestão. São Paulo: Saraiva, 2016.
MOSSIN, Heráclito Antônio. Compêndio de Processo Penal. SP: Manole, 2010.
MUNIZ, Gina Ribeiro Gonçalves et al. O reconhecimento a partir da Resolução 484/22 do CNJ no Tribunal do Júri. Consultor Jurídico, [N.I], 15 abr. 2023. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2023-abr-15/tribunal-juri-reconhecimento-partir-res-48422-cnj-tribunal-juri?. Acesso em: 09 jun. 2023.
NUCCI, Guilherme de Souza. Código de Processo Penal Comentado. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019.
NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de Processo Penal. 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2022.
SERPE, Anne Louise Prestes; ALVES, Robson. Os impactos da Lei nº 13.491/2017 na atividade de Polícia Judiciária Militar da Polícia Militar do estado do Paraná. Brazilian Journal Of Development, [S.L.], v. 9, n. 3, p. 11688-11705, 22 mar. 2023. South Florida Publishing LLC. http://dx.doi.org/10.34117/bjdv9n3-179. Acesso em: 09 jun. 2023.
STRECK, Lenio Luiz et al. Os limites Constitucionais das resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). 2006. Disponível em: https://www.migalhas.com.br. Acesso em: 09 jun. 2023.
PARANÁ. Polícia Militar do Paraná. Portaria do Comando-Geral n 338. Curitiba, 24 de abril de 2006. Curitiba, 24 abr. 2006.
PARANÁ. Polícia Militar do Paraná. Portaria do Comando-Geral n 339. Curitiba, 27 de abril de 2006. Curitiba, 27 abr. 2006.
PARANÁ. Lei Estadual n 16.544, de 14 de julho de 2010. Curitiba, 14 jul. 2010. Disponível em: https://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=56213&indice=1&totalRegistros=1&dt=11.7.2023.18.10.57.719. Acesso em 05 ago. 2023.
PARANÁ. Lei Estadual n 16.575, 28 de setembro de 2010. Curitiba, 28 set. 2010. Disponível em: https://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=56275&indice=1&totalRegistros=1&dt=11.7.2023.17.53.8.674. Acesso em 05 ago. 2023.
PEDERSOLI, Christiane Vieira Soares. A atribuição regulamentar do Conselho Nacional de Justiça e seus limites: alguns apontamentos sobre o ato administrativo regulamentar e a vinculação da Administração Pública ao princípio da juridicidade. 2009. Disponível em: https://bd.tjmg.jus.br/jspui/handle/tjmg/8521. Acesso em: 15 jul.2023.
RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal. 30. ed. Barueri: Atlas, 2023.
ROBL FILHO, Ilton Norberto. Conselho Nacional de Justiça: Estado democrático de direito e accountability. São Paulo: Saraiva, 2013.

