Perfil epidemiológico da Hanseníase no Brasil entre 2017 e 2022

Authors

  • Amanda Patricia de Freitas Alves
  • João Emmanuel Leite de Oliveira Filho
  • Arley Daniel de Moura Gouveia
  • Andressa Soares de Mendonca Braga
  • Dália Maria de Castro Tenório
  • Victória Ingrid de Melo Tenório Cansanção Cansanção
  • Aline Tenório Lins Carnauba

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv9n5-087

Keywords:

perfil epidemiológico, Hanseníase, Mycobacterium leprae

Abstract

INTRODUÇÃO: A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença infecciosa e contagiosa causada pelo Mycobacterium Leprae, comum ainda nos dias atuais. A Organização Mundial de Saúde a classifica em formas paucibacilares e multibacilares, sendo a última a mais grave. A via de contaminação ainda não é totalmente compreendida, mas sabe-se que a principal é a respiratória. O tratamento é realizado com antibióticos disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde e deve ser iniciado precocemente, a fim de prevenir danos permanentes e minimizar a transmissão da doença. Embora seja eficaz na eliminação da bactéria e na prevenção da progressão da doença, o tratamento pode não reverter deformidades já existentes. O Brasil está entre os 22 países com as maiores taxas de incidência de hanseníase no mundo e ocupa o segundo lugar em relação à detecção de casos novos.  Diante desse contexto, é imprescindível analisar e traçar o perfil epidemiológico da Hanseníase no Brasil, e, a partir disso, propor medidas públicas para a erradicação da doença. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo epidemiológico, do tipo observacional e descritivo,  cujo os dados foram coletados na base de dados Sistema de Informações de Agravos de Notificação,  no período entre 2017 a 2022 RESULTADOS/DISCUSSÃO: O Brasil possui um índice crescente entre 2017 a 2019 de pessoas diagnosticadas com hanseníase , porém houve uma queda de 2020 a 2022 que pode estar relacionada a casos subdiagnosticados devido a pandemia do COVID-19  na qual a prioridade nos serviços de saúde estava relacionada à síndrome gripal. Ao comparar as  regiões do país, nota-se que o Nordeste encontra-se com um maior número de casos diagnosticados, em segundo lugar encontra-se o Centro-oeste, em terceiro lugar o Norte, estes dados podem ser justificados de acordo com os parâmetros sociais e econômicos do país, tendo em vista que o aparecimento da hanseníase está relacionado a condições socioeconômicas mais precárias. Ao analisar de acordo com o sexo, notou-se que os indivíduos do sexo masculino representam a maioria dos casos, isso esta relacionado à menor adesão dessa parcela da população nas unidades de saúde. Ao analisado a frequência de casos de hanseníase com o nível de escolaridade, observou que 47% dessa população é composta por analfabetos e indivíduos com ensino médio incompleto, enquanto apenas 5% do público tem o ensino superior, mesmo que incompleto, assim , nota-se que essa patologia tem uma maior prevalência  em níveis de escolaridade mais baixos. Também foi visto elevado número de casos de hanseníase de 2017 a 2022 em pacientes de 0 a 14 anos, este dado reflete como indicador da expansão e a gravidade da doença, assim infere-se que as políticas de controle e prevenção da doença não estão sendo efetivas. Nesse contexto, observa-se que o Brasil ainda é um país de grande foco de hanseníase, assim precisando de melhores políticas de intervenção desta patologia. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A hanseníase é uma doença negligenciada que afeta populações vulneráveis. Para combatê-la, é necessário que o governo aloque mais recursos financeiros e humanos, promova campanhas publicitárias, capacite profissionais de saúde e intensifique programas de saúde do homem. Com essas estratégias e o manejo adequado da doença, é possível erradicá-la no território nacional.

References

ARAÚJO, Marcelo Grossi. Leprosy in Brazil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, [s. l.], 2003. DOI https://doi.org/10.1590/S0037-86822003000300010. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsbmt/a/335vHvt6zgPfyXb7vnChvQJ/abstract/?lang=en. Acesso em: 24 fev. 2023.

NÚCLEO DE TELESSAÚDE (Santa Catarina). Como acontece a transmissão da hanseníase?. SEGUNDA OPINIÃO FORMATIVA – SOF: Cuidados Primários em Saúde, [s. l.], 4 ago. 2022. Disponível em: https://aps-repo.bvs.br/aps/como-acontece-a-transmissao-da-hanseniase-2/. Acesso em: 24 fev. 2023.

BRITO, Karen Krystine Gonçalves et al. Epidemiologia da hanseníase em um estado do Nordeste Brasileiro. Revista de Enfermagem UFPE, [s. l.], v. 8, ed. 8, 2014. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/9972. Acesso em: 24 fev. 2023.

PROPÉRCIO, Aldo Neto Alves et al. O Tratamento da Hanseníase a partir de uma Revisão Integrativa/ The Treatment of Leprosy from an Integrative Review. Brazilian Journal of Health Review, [s. l.], v. 4, ed. 2, 12 abr. 2021. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/28059. Acesso em: 25 fev. 2023.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Estratégia Nacional Para Enfrentamento da Hanseníase 2019 | 2022. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, Brasília, 2021. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/estrategia_nacional_enfrentamento_hanseniase_2019.pdf. Acesso em: 25 fev. 2023.

OMS - ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Estratégia Global de Hanseníase 2021–2030 – “Rumo à zero hanseníase”. Control of Neglected Tropical Diseases, [s. l.], 15 abr. 2021. Disponível em: https://www.who.int/pt/publications/i/item/9789290228509. Acesso em: 26 fev. 2023.

ARAÚJO, Thiago Grigório Sales et al. Impacto da Pandemia Covid-19 na Detecção de Casos Novos de Hanseníase no Estado de Goiás. Secretaria do Estado de Saúde do Goiás, [s. l.], 2022. Disponível em: https://www.saude.go.gov.br/files/escola-saude/pesquisas-cientificas/suvisa/IMPACTODAPANDEMIACOVID19NADETECCAODECASOSNOVOSDEHANSENIASENOESTADODEGOIAS.pdf. Acesso em: 25 fev. 2023.

LIMA FILHO, Carlos Antonio de et al. Perfil epidemiológico da hanseníase na região Nordeste do Brasil no período de 2016- 2020. Research, Society and Development, [s. l.], v. 10, ed. 15, 2 dez. 2021. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/23266. Acesso em: 26 fev. 2023.

IBGE. Censo Brasileiro de 2010. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, [s. l.], 2010. Disponível em: https://censo2010.ibge.gov.br/resultados.html. Acesso em: 25 fev. 2023.

SILVA, Francisca Jade Lima de Andrade Silva et al. Hanseníase em Menores de 15 anos: Caracterização Sociodemográfica e Clínica dos Casos em um Município Hiperendêmico. Revista Cogitare Enfermagem, [s. l.], v. 27, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cenf/a/5nXB3DXRVnSVLkdt6kGVHKN/#. Acesso em: 26 fev. 2023

GOMES, Romeu. Por que os homens buscam menos os serviços de saúde do que as mulheres? As explicações de homens com baixa escolaridade e homens com ensino superior. Cadernos de Saúde Pública, [s. l.], v. 23, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/rQC6QzHKh9RCH5C7zLWNMvJ/abstract/?lang=pt. Acesso em: 26 fev. 2023.

LOPES, João Guilherme Campêlo Brandim de Sá et al. Subdiagnóstico de Hanseníase no Brasil durante a Pandemia da Covid-19. Revista Eletrônica Acervo Médico, [s. l.], v. 20, 2022. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/medico/article/view/11172. Acesso em: 27 fev. 2023.

Published

2023-05-10

How to Cite

Alves, A. P. de F., de Oliveira Filho, J. E. L., Gouveia, A. D. de M., Braga, A. S. de M., Tenório, D. M. de C., Cansanção, V. I. de M. T. C., & Carnauba, A. T. L. (2023). Perfil epidemiológico da Hanseníase no Brasil entre 2017 e 2022. Brazilian Journal of Development, 9(05), 15743–15753. https://doi.org/10.34117/bjdv9n5-087

Issue

Section

Original Papers