Análise da dor crônica em usuários das unidades básicas de saúde de Maringá-PR

Authors

  • Aline Felipe da Costa Moreno
  • Gabriela Oliveira da Silva
  • Emilene Dias Fiuza Ferreira

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv9n5-048

Keywords:

dor crônica, atenção primária à saúde, manejo da dor

Abstract

Com o desenvolvimento da sociedade moderna, algumas doenças tornaram-se mais prevalentes, essa mudança social tem se refletido, inclusive, nas formas de adoecimento do corpo humano. Nesse sentido, a análise das características e fatores associados à dor crônica entre pacientes na Atenção Primária, faz-se importante para o entendimento dos aspectos biopsicossociais que envolvem essa realidade. Sabe-se que a dor crônica se refere não apenas à uma causa biológica, mas também a fatores externos que influenciam na percepção dolorosa, desse modo, um manejo adequado e eficiente desses pacientes deve abranger a esfera farmacológica associada à atenuação dos fatores intrínsecos e extrínsecos do paciente uma vez que tais fatores, podem amplificar a experiência dolorosa ou mesmo reduzir a efetividade dos tratamentos farmacológicos. Nesse sentido, a análise da dor crônica em pacientes usuários da UBS Ney Braga e UBS Guaiapó-Requião do município de Maringá-PR foi o eixo dessa pesquisa. Este estudo teve como objetivo apresentar as características sociodemográficas e clínicas, bem como os fatores associados à dor crônica na população alvo. Foi utilizado como instrumento para coleta de dados um questionário adaptado, aplicado por meio de uma entrevista a 60 pacientes maiores de 18 anos e que apresentasse dor crônica há mais de 6 meses. Estabeleceu-se, portanto, nesse estudo, o perfil sociodemográfico (sexo, idade, etnia, estado civil, situação de trabalho, escolaridade e renda) dos portadores de dor crônica atendidos na atenção primária, os hábitos de vida dos pacientes (uso do álcool, tabagismo e atividades físicas como fatores atenuantes ou agravantes da dor crônica em tratamento) e a presença de comorbidades, além disso, foi identificado as principais causas de dor crônica dessa população. O estudo revelou que as mulheres (85%) são as mais afetadas com a doença, bem como a etnia branca (60%), casadas (46,66%), já com relação a renda, os mais atingidos (66,66%) declararam renda de até 1 salário-mínimo e predominantemente baixo nível de escolaridade, cerca de 30% com ensino fundamental completo e apenas 3,3% com nível superior completo. As principais causas de dor crônica relatadas foram lombalgia e fibromialgia e constatou-se que a presença de ansiedade e depressão esteve presente em 66,66% dos pacientes entrevistados. Os resultados analisados apontaram, portanto, que o manejo da dor foi feito por grande parte dos entrevistados com automedicação analgésica, com anti-inflamatórios não esteroidais, ao passo que o uso de opioides limitou-se ao tratamento de apenas 30% dos pacientes entrevistados corroborando estudos que apontam a “opiofobia” como principal causa para manejo inadequado da dor crônica moderada a severa. Nesse ínterim, constatou-se que, embora a dor crônica seja uma problemática de saúde pública de extrema relevância, seja pela reverberação negativa na realidade íntima do indivíduo bem como pelas suas implicações sociais, o manejo da dor com a finalidade de aumentar a funcionalidade dos pacientes e consequentemente, melhoraria da qualidade de vida, não estão sendo satisfatórias ou eficientes segundo os resultados desse estudo.

References

AGUIAR, D. P. et al. Prevalência de dor crônica no Brasil: revisão sistemática. BrJP, São Paulo, p. 257-67, jul-set. 2021.

ANDRADE, F. C.; CHEN X. S. A biopsychosocial examination of chronic back pain, limitations on usual activities, and treatment in Brazil, 2019. Plos One, jun. 2022.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria N 1083, de 02 de outubro 2012. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dor Crônica. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. 2012.

BARROS, G. A. M. et al. The use of analgesics and risk of self-medication in a urban population sample: cross-sectional study. Revista Brasileira de Anestesiologia, v. 69, nov. 2019.

CARVALHO, R. C. et al. Prevalence and characteristics of chronic pain in Brazil: a national internet-based survey study. BrJP, São Paulo, p. 331-338, oct-dec. 2018.

CASTRO, S. et al. Implementing a chronic pain ambulatory care: preliminary results. Rev Bras Anestesiol, v. 69, n.3, p. 227-232. 2019.

CIOLA G. et al. Dor crônica em idosos e associações diretas e indiretas com variáveis

sociodemográficas e de condições de saúde: uma análise de caminhos. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. 2020

CARVALHO, A. D.; SOUZA E. P. O Idoso e as Dores Crônicas: como Viver com Elas. Id online Rev. Mult. Psic v.11, n. 38, p. 689-700. 2017.

CAPUTO E. L. et al. Prevalência de dor nas costas e fatores associados em usuários do

Sistema Único de Saúde. BrJP. São Paulo, p. 137-142, abr-jun. 2022.

DIONÍSIO, G. H.; SALERMO, V. Y.; PADILHA, A. Central sensitization and beliefs among patients with chronic pain in a primary health care unit. BrJP, São Paulo, p. 42-47, jan-mar. 2020.

FERREIRA, K.A., TEXEIRA, M.J., MENDONZA, T.R. et al. Validation of brief pain inventory to Brazilian patients with pain. Support Care Cancer 19, p. 505–511. 2011

LINS, J. J. S. C. et al. Pensamentos catastróficos e incapacidade funcional em portadores de dor crônica na Atenção Primária à Saúde. São Paulo: BrJP, 2021.

MILLS, S. E. E.; NICOLSON, K. P.; SMIITH, B. H. Chronic pain: a review of its epidemiology and associated factors in population-based studies. British Journal of Anaesthesia, p. 273-283. 2019.

MOURA, C. C, et al. Fatores Físicos e emocionais associados à severidade da dor crônica nas costas em adultos: estudo transversal. Texto & Contexto Enfermagem, v. 31. 2022

MALTA, D. C. et al. Dor crônica na coluna entre adultos brasileiros: dados da Pesquisa Nacional de Saúde 2019. Rev. Bras. de Epidemiologia, e. 220032. 2022.

OLIVÊNCIA, S. A et al. Pharmacological treatment of chronic non-malignant pain amoung elderly persons: an integrative review. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 21, n. Rev. bras. geriatr. gerontolo., 2018 21 (3), maio 2018.

PEREIRA, F. G. et al. Prevalence and clinical profile of chronic pain and its association with mental disorders. Vitória, ES: Rev Saúde Pública. 2017.

PAZ, M. G. DA. et al. Factors associated with quality of life of older adults with chronic pain. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 74, n. Rev. Bras. Enferm., 2021 74 suppl 2, 2021.

ROCHA, A. D. X.; ALFIERI, F. M.; SILVA, N. C. O. V.; Prevalência de dor crônica e fatores associados em uma pequena cidade do sul do Brasil. BrJP, São Paulo, p. 225-231, jul-set. 2021.

SOUZA, D. F. S.; HAFELE V.; SIQUEIRA F. V. Dor crônica e nível de atividade física em usuários das unidades básicas de saúde. Rev. Bras. de Ativ. Física e Saúde. 2019.

SOUZA, J. B. et al. Prevalence of Chronic Pain, Treatments, Perception, and Interference on Life Activities: Brazilian Population-Based Survey. Hindawi Pain Research and Menagement. 2017.

SZEWCZYK, A. K. et al. Neuropathic pain and chronic pain as an underestimated interdisciplinary problem. International Journal of Occupational Medicine and Environmental Health, p.249–264. 2022. https://doi.org/10.13075/ijomeh.1896.01676

TORRES, J. L. et al. Chronic pain is associated with increased health care use among community-dwelling older adults in Brazil: the Pain in the Elderly (PAINEL) Study. Family Practice, v. 36, n.5, p. 594-599, dez. 2019.

VASCONCELOS, F. H.; ARAÚJO, G. C. Prevalence of chronic pain in Brazil: a descriptive study. Br J Pain, São Paulo, p. 176-179. 2018.

Published

2023-05-05

How to Cite

Moreno, A. F. da C., da Silva, G. O., & Ferreira, E. D. F. (2023). Análise da dor crônica em usuários das unidades básicas de saúde de Maringá-PR. Brazilian Journal of Development, 9(05), 15160–15177. https://doi.org/10.34117/bjdv9n5-048

Issue

Section

Original Papers