Cuidados paliativos perinatais e neonatais aos pais de RN com malformação congênita

Authors

  • Andressa da Silva Ferreira
  • Anna Caroline Nogueira de Oliveira
  • Kelly Caroline da Silva
  • Mirella Menegatti Ruiz
  • Vitória Regina Maia de Oliveira
  • Allison Scholler de Castro Villas Boas

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv9n3-070

Keywords:

anomalias congênitas, cuidados perinatais, cuidados paliativos, família, humanização da assistência

Abstract

INTRODUÇÃO: A malformação congênita é uma anomalia estrutural ou funcional no desenvolvimento do feto, decorrente de fatores multifatoriais, originados antes do nascimento. Um diagnóstico de malformação traz um impacto na qualidade de vida do recém-nascido e dos pais, fazendo-se necessário um cuidado assertivo para todos os membros da família. OBJETIVO: Identificar o papel do enfermeiro dentro dos cuidados paliativos perinatais e neonatais, visando o acolhimento e humanização aos pais e familiares de RNs com malformação. MATERIAIS E MÉTODOS: Revisão integrativa da literatura, com busca dos artigos na biblioteca virtual de saúde (BVS), nas bases de dados LILACS, MEDLINE e BDEnf. Os critérios de inclusão definidos foram artigos publicados entre os anos 2018 à 2022, no idioma português, disponíveis na íntegra e de forma gratuita. Foram excluídos desta pesquisa os artigos publicados fora do prazo especificado, os que não eram relacionados ao tema, as teses e os com duplicidade. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Após aplicação dos filtros, resultaram 35 artigos, os quais foram analisados, sendo que 12 artigos eram duplicados e 04 teses não abrangiam os critérios de seleção, totalizaram 19 artigos para leitura de título e resumo. Foram excluídos 10 artigos, pois não abrangiam o tema de pesquisa, resultando, portanto, em 9 artigos para leitura na íntegra, incluídos nesta revisão. Foram feitos tópicos fundamentados nas questões norteadoras para maior compreensão da pesquisa, sendo eles: Cuidados paliativos e a comunicação de más notícias, sendo evidenciado o despreparo profissional para dar a notícia de malformação congênita para os pais, e falta de humanização e empatia para dar suporte após notícia, ocasionando uma experiência traumática para os pais, dificultando o processo de entendimento e aceitação dessa nova realidade; Cuidados paliativos e o sentimento familiar: marcado por sentimentos negativos associados a notícia de alguma anormalidade com o recém-nascido, tais como medo, angústia e luto pelo “filho perfeito”. Enfatiza-se a importância de uma equipe preparada e treinada para conseguir fazer dessa jornada a mais favorável possível; Papel do enfermeiro ao realizar o acolhimento humanizado aos pais após o diagnóstico de malformação: a equipe de enfermagem geralmente é a que tem contato direto com o paciente, o que facilita um vínculo profissional-paciente. Dessa forma, um bom atendimento e acolhimento podem fazer a diferença para a família compreender e aceitar esse diagnóstico; Cuidados paliativos e a religiosidade como forma de enfrentamento: as crenças e religião de cada indivíduo podem ajudar no enfrentamento diante de algo novo e não esperado, portanto, mostra-se como é fundamental o profissional respeitar, entendendo que é uma rede de apoio para os familiares. CONCLUSÃO: É fundamental a preparação do enfermeiro para ajudar e acolher os familiares, visto que, diante da notícia de anormalidade do recém-nascido, os enfermeiros se fazem essenciais no enfrentamento da família, apoiando, dando suporte e orientações aos pais para essa nova jornada.

References

AZEVEDO, C.S.; FREIRE, I.M.; MOURA, L.N.F. Reorganizações familiares no contexto do cuidado ao bebê com Síndrome Congênita do Zika Vírus. Interface, Botucatu, 2021. DOI 10.1590/interface.190888. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1286878. Acesso em: 10 out. 2022.

BOLIBIO, R. et al. Cuidados paliativos em medicina fetal. Revista de Medicina, [S. l.], v. 97, n. 2, p. 208-215, 2018. DOI: 10.11606/issn.1679-9836.v97i2p208-215. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revistadc/article/view/143198. Acesso em: 18 set. 2022.

BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde Brasil 2020/2021: Anomalias congênitas prioritárias para a vigilância ao nascimento / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. – Brasília, 2021. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_brasil_anomalias_congenitas_prioritarias.pdf. Acesso em: 10 de out. de 2022.

BRITO, A.P.M. et al. Enfermagem no contexto familiar na prevenção de anomalias congênitas: revisão integrativa. Journal of Health & Biological Sciences, vol. 7, 2018. DOI 10.12662/2317-3076jhbs.v7i1.2202.p64-74.2019. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1005498 . Acesso em: 10 de out. de 2022.

BVS (Biblioteca Virtual em Saúde). Ministério da Saúde, 2020. Dia mundial dos defeitos do nascimento 2020: prevenir, detectar e tratar. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/03-3-dia-mundial-dos-defeitos-do-nascimento-2020-prevenir-detectar-e-tratar/. Acesso em: 14 set. 2022.

CARNEIRO, M.S. et al. Sentimentos e vivências das mães de recém-nascidos internados em uma unidade neonatal referência em Belo Horizonte. Brazilian Journal of Development, 2022. DOI:10.34117/bjdv8n1-158. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/42484/pdf . Acesso em 07 de fev. 2023.

DICINÁRIO ONLINE DE PORTUGUÊS. 2022 Disponível em: https://www.dicio.com.br/acolhimento/. Acesso em: 10 de out. de 2022.

GAZZOLA, L.D.P.L.; Leite, H.V.; Gonçalves, G. M. Comunicando más notícias sobre malformações congênitas: reflexões bioéticas e jurídicas. Revista bioética, 28, 38-46, 2020. DOI 10.1590/1983-80422020281365. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1092418 Acesso em: 10 de out. de 2022.

LIMA, F.C.B.; FERREIRA, S.S. Impacto emocional dos pais perante a má-formação congênita. 41f. abr. de 2021. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduação de Enfermagem) - Escola de Ciências Sociais e da Saúde. PUC Goiás. GoiâniaGO. Acesso em: 10 de out. de 2022

MARÇOLA, L. et al. Comunicação de más notícias em unidade de terapia intensiva neonatal: avaliação feita pelos pais. Revista paulista de pediatria, vol. 38, 2020. DOI 10.1590/1984-0462/2020/38/2019092. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/mdl-32520300. Acesso em: 10 de out. de 2022.

MEDEIROS, A.C.R. et al. Sentimento materno ao receber um diagnóstico de malformação congênita. Psicologia em Estudo, vol. 26, 2021. DOI 10.4025/psicolestud.v26i0.45012. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1250507 Acesso em: 10 de out. de 2022.

NARCHI, M.D.; ROSA, D.P.; CAMPOS, L.H. Atuação do psicólogo no acompanhamento de pais de neonatos com malformação fetal. Revista Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, p. 39-41, 2017. DOI 10.29381/0103-8559/20172701539-41. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-847765 . Acesso em: 10 out. 2022.

OLIVEIRA, A. L. S. Dificuldades dos pais na aceitação da deficiência dos seus filhos frente a descoberta do diagnóstico. Revista Psicologia.pt, 2018. Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/A1202.pdf. Acesso em 12 set. 2022.

SANTOS, T.C.Q.O; LEAL, M.M. Aspectos envolvidos nas tomadas de decisões em cuidados paliativos neonatais a partir da perspectiva parental. Revista Brazilian Journal of Development, 2022. DOI:10.34117/bjdv8n10-215. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/53300/39629 . Acesso em 07 de fev. 2023.

SILVA, C.V. et al. Repercussões do diagnóstico de malformação fetal à luz da teoria de Betty Neuman. Revista Rene, 2022. DOI 10.15253/2175-6783.20222371993. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1357629 . Acesso em: 10 out. 2022.

SILVA, D.E.F.; BEZERRA, M.M.A.; CARVALHO, D.C. Detecção de anomalias congênitas no Brasil: análise epidemiológica de uma década. Revista Multidisciplinar em Saúde, [S. l.], v. 2, n. 4, p. 38, 2022. DOI: 10.51161/rems/3221. Disponível em: https://editoraime.com.br/revistas/index.php/rems/article/view/3221. Acesso em: 14 set. 2022.

SILVA, E.M.B.; et al. Percepção dos profissionais de saúde sobre os cuidados paliativos neonatais. Revista Brasileira de Enfermagem, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/MS66dKqGn9j9xCLWmsBgQYK/?lang=pt. Acesso em: 27. ago. 2022

SOUZA, M.T; SILVA, M.D; CARVALHO, R. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein (São Paulo). 01/mar/2010;8(1):102-6. DOI: 10.1590/s1679-45082010rw1134 Disponível em: https://www.scielo.br/j/eins/a/ZQTBkVJZqcWrTT34cXLjtBx/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 20 out. 2022.

VIANA, A.C.G. et al. Espiritualidade, religiosidade e malformação congênita: uma revisão integrativa de literatura. Revista Enfermagem UERJ, vol. 27, 2019. DOI 10.12957/reuerj.2019.40193. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-1009806 Acesso em: 10 de out. de 2022a.

VIANA, A.C.G. et al. Mães de bebê mal formado: percepção sobre orientações de enfermeiro. Revista de Enfermagem UFPE on line, vol. 13, 2019. DOI 10.5205/1981-8963.2019.239825. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/239825 Acesso em: 10 out. 2022b.

WHO (World Health Organization). Organização Mundial da Saúde. 1999. Disponível em:https://web.archive.org/web/20081002175558/http://www.euro.who.int/document/e68459.pdf. Acesso em: 04 set. 2022.

ZAMPOLI, A. C. M. Comunicação com Familiares de Pacientes em Cuidados Paliativos Perinatais. Revista Pleiade, v. 12, n. 26, 2018. Disponível em: https://pleiade.uniamerica.br/index.php/pleiade/article/view/496. Acesso em: 04 set. 2022.

Published

2023-03-08

How to Cite

Ferreira, A. da S., de Oliveira, A. C. N., da Silva, K. C., Ruiz, M. M., de Oliveira, V. R. M., & Boas, A. S. de C. V. (2023). Cuidados paliativos perinatais e neonatais aos pais de RN com malformação congênita. Brazilian Journal of Development, 9(3), 9910–9928. https://doi.org/10.34117/bjdv9n3-070

Issue

Section

Original Papers