Adjetivação e construção de identidade: o discurso de empoderamento em "As tranças de Bintou" / Adjection and identity building: the empowerment speech on "Bintou braids"
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv5n12-342Keywords:
Literatura negra infantil, Identidade, Lei 10. 639/2003.Abstract
A escola tem grande importância e responsabilidade na formação dos sujeitos. Ao analisarmos as frases que marcam o início e o fim da história do livro “As tranças de Bintou” são nítidas as mudanças no pensamento, sobre si mesma, da personagem principal. Logo, percebemos como esta narrativa, ao ser trabalhada em sala, pode ser determinante na construção de valores, bem como da autoconfiança das crianças. Da narrativa, o que leva a essa transformação merece ainda sim destaque, pois parte da valorização da história e das tradições africanas como parte integrante da identidade do indivíduo. Daí a importância dos valores culturais para a afirmação do negro frente ao padrão branco historicamente estabelecido como hegemônico. O objetivo deste trabalho é analisar os enunciados de abertura e de fechamento da obra As tranças de Bintou, de Sylviane Diouf, para identificar os adjetivos utilizados pela personagem principal para se referir a ela mesma e relacionar essa perspectiva aos conceitos de identidade e letramento racial. Para a investigação, utilizar-se-á como metodologia um recorte do discurso da personagem Bintou na narrativa em primeira pessoa, sendo analisados os enunciados de apresentação e de despedida. Dentro desses enunciados será levada em consideração apenas a adjetivação relativa ao cabelo da personagem e o estado (aqui visto como uma condição não permanente) dado pelos verbos empregados no período. A análise da obra revela um dos aspectos do letramento racial que é a reafirmação da negritude e a desconstrução de uma naturalização de aspectos dados em relação à branquitude. Ao se transpor a obra e refleti-la para além da ficção, é possível realizar um trabalho com literatura infantil que trata de temáticas dentro da educação para relações étnico-raciais, mostrando como a ficção pode afetar diretamente a autoafirmação de uma criança negra, além de favorecer a inserção de personagens e escritores negros, ou seja, a literatura negra na escola, bem como abordar exatamente o que prega a Lei 10. 639/2003: a valorização e reconhecimento do negro e de seu patrimônio histórico-cultural.
References
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