Violência obstétrica: caracterização dos impactos ocasionados na vida das puérperas
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv9n1-365Keywords:
episiotomia, saúde da mulher, saúde públicaAbstract
Introdução: A violência obstétrica é considerada uma problemática grave de saúde pública que é silenciosa e mascarada, sendo capaz de cometer estragos consideráveis na vida das gestantes e dos seus familiares. A mesma quebra a esfera singular do parto, sem que haja respeito pela fisiologia da mulher ocasionando traumas consideráveis. Objetivo: Reconhecer os impactos ocasionados pela violência obstétrica na vida das puérperas, externalizando quais fatores contribuem para as intervenções desnecessárias. Método: Revisão bibliográfica da literatura realizada em dezembro de 2022 nas bases de dados BVS, LILACS, BDENF E MEDLINE através dos seguintes DeCS: "Episiotomia", "Saúde da mulher" e “Saúde Pública” combinados entre si pelo operador booleano AND. Foram encontrados 21 estudos e após aplicar os critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 8 estudos para compor a revisão. Utilizou-se como pergunta norteadora: “Quais os impactos transcendentes da violência obstétrica na vida das parturientes?”. Resultados: A mulher não é vista como protagonista do processo, há uma relação de submissão, que abre espaço para infantilização, fragilização, descaracterização e o advento da própria violência. Emprega-se um estigma em relação ao parto normal com discursos de que o mesmo é degradante ou de que a mulher não tem capacidade de ter o bebê por esse método, quando a literatura científica demonstra claramente os impactos positivos que o parto normal garante para o binômio. Conclusão: A violência obstetríca causa impactos significativos na vida das puérperas, visto que proporciona uma distorção do plano de parto anteriormente instituído, ocasionando sequelas psicológicas, sociais e emocionais.
References
ALCOCER ORTEGA, Iván Mauricio et al. Viiolencia obstétrica en el Hospital San José de Taisha, año 2020. Más Vita, p. 66-84, 2021.
ALVES DFC et al. Processo de humanização na assistência de enfermagem à parturiente: revisão integrativa. Sanare. v, 16, n. 2, p. 68-76, 2020.
AMARAL, Aléxia Fontes; KLEIN, Ana Paula; GRUNEWALD, Evelyn Sofia. A Violência Obstétrica e os seus Danos à Saúde Psicológica da Mulher. Anais do 19º Encontro Científico Cultural Interinstitucional. p. 1-15, 2021.
BUENO, Gabriela Zogbi. A episiotomia sob a perspectiva da medicina baseada em evidências. Rev. Saúde Pública St. Catarina, p. 73-86, 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal: versão resumida. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2020.
BARRERA, D. C. & MORETTI-PIRES, R. O. Da violência obstétrica ao empoderamento de pessoas gestantes no trabalho das doulas. Revista Estudos Feministas. v, 29, n. 1, e62136, 2021.
BOHREN MA et al. Perceptions and experiences of labour companionship: a qualitative evidence synthesis. Cochrane Database Syst Rev. v, 3, p. CD01244, 2019.
COELHO, Carla Fonseca et al. Impactos da violência obstétrica às mulheres brasileiras: uma revisão integrativa. Global Academic Nursing Journal, v. 3, n. Spe. 2, p. e282-e282, 2022.
FRANÇA, L.R.de; & TEMPESTAI, G.A. Nomeando o inominável: a problematização da violência obstétrica e o delineamento de uma pedagogia reprodutiva contra-hegemônica. Scielo, Porto Alegre, p. 257-290, 2021.
GUIMARÃES NM et al. Partos no sistema único de saúde (SUS) brasileiro prevalência e perfil das parturientes /childbirths under the unified health system (sus) of brazil: prevalence and profile of parturients. Vol. 7, Brazilian Journal of Development. p. 11942–58. 2021.
MAIA, Janize Silva. Et al. A Mulher Diante Da Violência Obstétrica: Consequências Psicossociais. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 11, Vol. 07, pp. 54-68, 2018.
MADUREIRA, Lauryen Silva Santos; CORDEIRO, Taiana Levinne Carneiro. Violência Obstétrica: armadilha de um crime culturalmente normatizado. Revista Ibero-americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 5, p. 343-367, 2021.
NAKATA, Taise Namie; COLOMBIANO, Isa Mafalda Costa; RODRIGUES, Raíssa Maria Sampaio. Análise das boas práticas de atenção ao parto em maternidade pública de Roraima. Femina, p. 360-366, 2022.
OLZA, Ibone. 1 de Enero de 2012. 2 de Marzo de 2020.
ROCHA, Elizama Paula Gomes da et al. Tecnologias do cuidado na assistência ao parto normal: práticas de enfermeiros e médicos obstetras. Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro, v. 11, p. 1-11, 2021.
RIBEIRO, Letícia de Melo; SOUZA, Luisa Geovanna de; SILVA, Wyrajane Terra da. Violência obstétrica: uma questão de saúde pública e a violação dos direitos fundamentais da mulher. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento, v. 11, n. 14, 2022.
SANTANA, Ariane Teixeira de et al. Atuação de enfermeiras residentes em obstetrícia na assistência ao parto. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 19, p. 135-144, 2019.
SOUSA, Anthony de Freitas de et al. Episiotomia: uma revisão narrativa. Promoção e proteção da saúde da mulher ATM 2024/2. p. 115-134, 2022.
SULTAN AH et al. The role of mediolateral episiotomy during operative vaginal delivery. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. v, 240, p. 92–96, 2019.
SANTIAGO, Dayze Carvalho; SOUZA, Wanessa Kerlly Silva; DO NASCIMENTO, Renata Fernandes. Violência Obstétrica: uma análise das consequências. Revista Rios, v. 11, n. 13, p. 148-164, 2017.
TEIXEIRA, Lara Azevedo et al. A violência obstétrica como violação do direito à saúde da mulher: uma revisão narrativa. Revista de Atenção à Saúde, v. 18, n. 65, 2020.

