A opinião pública e o governo brasileiro diante da questão das secas do nordeste na primeira metade do século XX
Public opinion and the brazilian government faced with the issue of northeast droughts in the first half of the 20th century
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv8n12-227Keywords:
história, nordeste, secasAbstract
O período entre 1915 e 1945 marca a intervenção efetiva do Estado brasileiro como responsável por organizar estratégias de socorro às vítimas e às áreas urbanas que recebiam os emigrados da seca. Várias foram as ações implementadas: da transposição daqueles de uma região para outra até ações mais polêmicas, como a criação de campos de concentração. No caso do Ceará, nos dizeres das autoridades locais, era necessário “evitar a afluência tumultuária de retirantes famintos”, isso, porque, desde a grande seca de 1877, os retirantes eram vistos pelas autoridades do NE como grupos de indesejáveis e baderneiros. Embora a seca pareça a grande responsável pela migração, é importante olharmos além da questão climática, pois, embora a presença do clima semiárido, seja um fator determinante para a ausência de oportunidades em áreas do Nordeste seco, o tipo de propriedade, como apontam os documentos, as relações de trabalho e o atraso tecnológico, formam um conjunto de fatores que contribuíram para a manutenção dos baixos níveis de vida daquelas populações, ou seja, nem toda leva de migrantes forma-se por conta de catástrofe natural, mas também e principalmente em função do resultado de ações, ou inações das políticas públicas. Propomos assim, uma reflexão sobre as ações do Estado, as transformações e as permanências de determinadas representações e mesmo de certas soluções dadas ao problema do socorro aos flagelados das grandes secas da primeira metade do século XX.
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