Anatomia foliar de duas espécies da família Asteraceae usadas para fins medicinais no Sul da Bahia / Leaf anatomy of two species of the Asteraceae family used for medicinal purposes in southern Bahia
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv5n12-154Keywords:
Anatomia Vegetal, Caracterização Morfológica e Sistemática VegetalAbstract
As plantas medicinais da Mata Atlântica são usadas nos cuidados da família ou em atendimentos de saúde por conhecedores tradicionais. O Brasil é o país que possui a maior quantidade de Mata Atlântica e um dos países que contém uma flora rica em espécies medicinais. No Sul da Bahia, concentra-se grande parte da Mata Atlântica do país, fazendo dessa região um ponto estratégico para a pesquisa sobre plantas medicinais. A família Asteraceae é cosmopolita, melhor representada nas regiões temperadas e subtropicais do mundo. Foram realizadas coletas de folhas das espécies Sphagneticola trilobata (L.) Pruski e Bidens pilosa L.. Estas foram fixadas em FAA 70%, depois foram feitos cortes à mão livre, utilizando-se lâminas de barbear. Os cortes epidérmicos foram corados com Safranina 1% e Azul de Astra 1%. S. trilobata (L.) Pruski caracterizou-se por em secção transversal a lâmina foliar ter epiderme bisseriada com células arredondadas em ambas as faces, formada por células de paredes finas, feixes vasculares em forma de arco e presença de tricomas tectores simples e glandulares. O mesofilo tem feixes vasculares colaterais, com 1 a 2 camadas de parênquima paliçádico e 2 a 3 camadas de parênquima esponjoso. B. pilosa L. tem lâmina foliar com epiderme unisseriada, mesofilo foliar dorsiventral, pouco compacto; o parênquima paliçádico apresenta uma camada de células e o parênquima lacunoso com 3 a 4 camadas; a forma e o arranjo das células no parênquima paliçádico são fatores que propiciam condições favoráveis de exposição dos cloroplastos à luz; no parênquima lacunoso as células têm formas variadas; foi possível se verificar a presença de tricomas tectores simples multicelulares não-ramificados em ambas as faces das folhas, na nervura central a ocorrência de 3 feixes vasculares do tipo colateral. Pode-se concluir que quanto à caracterização anatômica foliar as espécies estudadas são dicotiledôneas, caracterizadas por grande beleza em suas flores, tem hábito herbáceo, apresentar portes de tamanhos que variaram de 20 cm à 1 m de comprimento. Os caracteres anatômicos de B. pilosa L. se encontram dentro dos padrões já descritos na literatura já para S. trilobata (L.) Pruski não foi possível encontrar dados que confirmassem a caracterização encontrada no presente estudo, o que indica uma parte inédita da pesquisa.
References
ABDALLA, D.F. 2012. Morfoanatomia e metabólitos de órgãos vegetativos de Apopyros warmingii (Baker) G. L. Nesom e Ichthyothere terminalis (Spreng.) S. F. Blake (Asteraceae): estratégias adaptativas ao cerrado rupestre. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás.
ANDERBERG, A.A., BALDWIN, B.G., BAYER, R.G., BREITWIESER, J., JEFFREY, C., DILLON, M.O., ELDENAS, P., FUNK, V., GARCIA-JACAS, N., HIND, D.J.N., KARIS, P.O., LACK, H.W., NESOM, G., NORDENSTAM, B., OBERPRIELER, C.H., PANERO, J.L., PUTTOCK, C., ROBINSON, H., STUESSY, T.F., SUSANNA, A., URTUBEY, E., VOGT, R., WARD, J., WATSON, L.E. 2007. Compositae, in: KADEREIT, J.W., JEFFREY, C. (Eds.), KUBITZKI, K., The families and genera of vascular plants: flowering plants Eudicots Asterales. Springer, Berlin, pp. 61-588.
AZEVEDO, C.D. 2002. Plantas medicinais e aromáticas. Niterói: PESAGRO-RIO, 4 p. (PESAGRO-RIO. Documentos, 81).
BADKE, M.R.; BUDÓ, M.L.D.; SILVA, F.M.; RESSEL, L.B. 2011. Plantas medicinais: o saber sustentado na prática do cotidiano popular. Esc. Anna Nery. 15:132-139.
FERNANDES, Y.S. 2014. Morfoanatomia, tricomas glandulares e análise fitoquímica de Trichogonia eupatorioides (Gardner) R. M. King & H. Rob (Asteraceae-Eupatorieae) ocorrente em área de cerrado rupestre. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás.
FERNANDES, A.C.; RITTER, M.R. 2009.A família Asteraceae no Morro Santana, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Revista Brasileira de Biociências, v. 7, n. 4, p. 395–439.
Flora do Brasil 2020 em construção, 2019. Asteraceae. http://floradobrasil.jbrj.gov.br/reflora/floradobrasil/FB55 (acesso 12 de novembro 2019).
FORZZA, R.C.; LEITMAN, P.M.; COSTA A.; CARVALHO JR. A.A. et al. Catálogo de plantas e fungos do Brasil. Rio de Janeiro: Andrea Jakobsson Estúdio: Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, 2010. v. 1. Disponível em: <http://reflora.jbrj.gov.br/downloads/vol1.pdf>.
FUNK, V.A., BAYER, R.J., KEELEY, S., CHAN, R., WATSON, L., GEMEINHOLZER, B., SCHILLING, E., PANERO, J.L., BALDWIN, B.G., GARCIA-JACAS, N., SUSANNA, A., JANSEN, R.K. 2005. Everywhere but Antarctica: using a supertree to understand the diversity and distribution of the Compositae. Biol. Skr. 55, 343-374.
FUNK, V.A., SUSANNA, A., STUESSY, T.F., ROBINSON, H., 2009. Classification of Compositae, in: FUNK, V.A., SUSANNA, A., STUESSY, T.F., BAYER, R.J. (Eds.), 31 Systematics, Evolution, and Biogeography of Compositae. International Association for Plant Taxonomy, Vienna, pp. 171-189.
GILBERT, B.; ALVES, L.F.; FAVORETO, R. 2013. Bidens pilosa L. Asteraceae (Compositae; subfamília Heliantheae). Rev. Fitos, v. 8, n. 1, p. 1-
HASSEMER, G.; TREVISAN, R. 2012. Levantamento florístico de plantas vasculares espontâneas em ambientes antrópicos no campus da Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil. Biotemas, 25 (3), 75–96. doi: http://dx.doi.org/10.5007/2175-7925.2012v25n3p75
KRAUS, J.E.; ARDUIN, M. 1997. Manual Básico de Métodos em Morfologia Vegetal. Edur. Rio de janeiro.
LIESENFELD, V. 2018. Morfologia e Anatomia Foliar de Asteraceae do Bioma Pampa (Campos de Areais), Rio Grande do Sul, Brasil. Dissertação de mestrado. Programa de Pós Graduação Stricto Sensu em Conservação e Manejo de Recursos Naturais. Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, 67f.
LORENZI, H.; MATOS, F.J.A. 2008. Plantas Medicinais no Brasil: nativas e exóticas. Instituto Plantarum de Estudos da Flora Ltda. Nova Odessa, SP, 512 p.
LUSA, M.G.; APPEZZATO-DA-GLÓRIA, B. 2013. Adaptações morfoanatômicas de Minasia scapigera (Vernonieae: Asteraceae) aos campos rupestres, in: 64º Congresso Nacional de Botânica, Belo Horizonte.
MARTINS, E.R.; CASTRO, D.M.; CASTELLANI, D.C.; DIAS, J.E. 1995. Plantas medicinais. Viçosa: UFV. 220p.
MONDIN, C.A.; BRINGEL Jr., J.B.A. 2015. Sphagneticola in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
MONDIN, C.A.; NAKAJIMA, J.N.; BRINGEL JR., J. B. A. 2015. Bidens in Lista de Espécies da Flora do Brasil. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/jabot/floradobrasil/FB103749. Acesso em: 12 novembro, 2019. MORAES, M.D.; MONTEIRO, R.A. 2006. Família Asteraceae na Planície Litorânea de Picinguaba, Ubatuba, São Paulo. Hoehnea, v. 33, n. 1, p. 41-78.
MORAIS, V.M. 2011. Etnobotânica nos quintais da comunidade de abderramant em Caraúbas. Tese (Doutorado em Fitotecnia: Área de concentração em Agricultura Tropical) – Universidade Federal Rural do Semi-Árido. 112f.
RITTER, M.R.; BAPTISTA, L.R.M. 2005. Levantamento florístico da família Asteraceae na “Casa de Pedra” e áreas adjacentes, Bagé, Rio Grande do Sul. Iheringia, Bot. 60(1): 5-10.
SÁ, R.D.; SILVA, F.R.; RANDAU, K.P. 2017. Caracterização farmacobotânica de Bidens pilosa L. Journal of Environmental Analysis and Progress, v. 02, n. 03, 349-357.
SANTOS, F.P.; FUKUSHIMA, A.R.; FÁVERO, O.A. 2015. Verificação da ocorrência de plantas com potencial de toxicidade nos jardins do campus Mooca da Universidade São Judas Tadeu (São Paulo/SP). Periódico Eletrônico Fórum Ambiental da Alta Paulista, v. 11, n. 8.
SOUSA, R.S.; JUNIOR, J.D.; KETTENHUBER, P.L.W.; RADDATZ, D.D.; SUTILI, F.J. 2018. Potencial da espécie Sphagneticola trilobata (L.) Pruski para Recuperação de áreas degradadas. ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.15 n.27; p. 720.
SANTOS, V.S. 2013. Morfoanatomia dos órgãos vegetativos de Chrysolaena simplex (Less) Dematt. e Lessingianthus buddleiifolius (Mart. ex DC.) H. Rob. (Asteraceae) em ambientes rupestres da Serra Dourada, Goiás. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás.
SMILJANIC, K.B.A. 2005. Anatomia foliar de espécies de Asteraceae de um afloramento rochoso no Parque Estadual da Serra do Brigadeiro (MG). Tese de doutorado, Universidade Federal de Viçosa.
SOUZA, V.P. 2014. Morfoanatomia de órgãos vegetativos aéreos e sistemas subterrâneos de Ichthyothere mollis Baker. e Jungia floribunda Less. (Asteraceae) ocorrentes no cerrado rupestre do estado de Goiás. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás.
TORRES, P.G.V. 2005. Plantas medicinais, aromáticas e condimentares: uma abordagem prática para o dia-a-dia. Porto Alegre: Editora Rígel.
TRINDADE, L.M.P. 2013. Morfoanatomia, tricomas glandulares e fitoquímica de Lomatozona artemisiifolia Baker (Asteraceae - Eupatorieae) - uma planta endêmica do cerrado de Goiás. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Goiás.
ZAPPI, D.C., FILARDI, F.L.R., LEITMAN, P., SOUZA, V.C., WALTER, B.M.T., PIRANI, J.R., MORIM, M.P., QUEIROZ, L.P., CAVALCANTI, T.B., MANSANO, V.F., FORZZA, R.C. 2015. Growing knowledge: an overview of Seed Plant diversity in Brazil. Rodriguésia 66, 1085-1113.
WIGGERS, I.; STANGE, C.E.B. 2008. Manual de instruções para coleta, identificação e herborização de material botânico. Programa de Desenvolvimento Educacional – SEED – PR UNICENTRO, 45p.

