Mecanismos fisiopatológicos e manejo terapêutico da Síndrome Cardiorrenal
Pathophysiological mechanisms and therapeutic management of Cardiorenal Syndrome
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv8n10-045Keywords:
Síndrome Cardiorrenal, insuficiência cardíaca, insuficiência renal, fisiopatologia, manejo clínicoAbstract
A síndrome cardiorrenal (SCR) é definida como um distúrbio combinado do coração e dos rins, que interagem e produzem entre si uma disfunção de forma aguda ou crônica. Os sistemas cardiovascular e renal possuem uma relação bidirecional para manter as funções fisiológicas, de forma que a falência de um desses órgãos causa alterações patológicas no outro. A SCR é dividida em cinco subtipos, de acordo sua patologia primária e secundária. Os tipos 1 e 2 possuem a insuficiência cardíaca (IC) como causadora da insuficiência renal (IR), sendo que o tipo 1 possui curso agudo e o tipo 2 crônico. Já nos tipos 3 e 4, o cenário se inverte, ou seja, a IR causa a IC, podendo ser agudo (tipo 3) ou crônico (tipo 4). Por fim, no tipo 5, uma condição sistêmica que causa as disfunções cardíacas e renais. A fisiopatologia da SCR é multifacetada e envolve mecanismos hemodinâmicos, como aumento da pressão venosa central, neuro-hormonais, como hiperativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, inflamatórios, como liberação de endotelina-1 e consequente fibrose, entre outros. Os pacientes com SCR apresentam sinais e sintomas típicos da IC, como dispneia, edema, ascite, estertores crepitantes, que variam de acordo com o tipo da congestão, ou seja, pulmonar, sistêmica ou ambas. Atualmente, o diagnóstico clínico é insuficiente e requer biomarcadores, como peptídeos natriuréticos, galectina-3 e cofilina-1 urinária, e métodos de imagem, como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. O tratamento da SCR tem como objetivo a redução da congestão, mantendo boa perfusão e controle das patologias cardíaca e renais. Inicialmente, são preferidos os diuréticos de alça, podendo ser associados a antagonistas de vasopressina, vasodilatadores diretos, fármacos inotrópicos, entre outros. Em último recurso, para os pacientes refratários aos diuréticos, pode ser utilizada a ultrafiltração. Entretanto, apesar dos resultados clínicos terem melhorado nas últimas décadas, os pacientes com disfunção simultânea dos rins e coração ainda possuem um prognóstico ruim, apresentando altas taxas de hospitalização e mortalidade.
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