Atuação do profissional farmacêutico à luz da deontologia farmacêutica no Brasil
Performance of the pharmaceutical professional in the light of pharmaceutical ethics in Brazil
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv8n9-295Keywords:
legislação farmacêutica, atuação profissional, comercialização de fármacosAbstract
No Brasil, o exercício da profissão farmacêutica está regulamentado pelo Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e há diversas leis e resoluções voltadas para definir os preceitos éticos e legais que regem tal profissão, porém vieses históricos da forma de atuação profissional acabam por expor demandas relacionadas ao fiel cumprimento de tais regulamentações. No presente trabalho objetivou-se avaliar o nível de conhecimento de profissionais farmacêuticos acerca de princípios de legislação farmacêutica, no que tange ao fiel exercício da ética, bem como dos principais direitos e deveres profissionais na rotina de atuação profissional. A pesquisa foi desenvolvida junto a 51 farmacêuticos atuantes na regi~]ao metropolitana do Vale do Paraíba, São Paulo – Brasil e a participação destes foi efetivada mediante preenchimento de um questionário com perguntas versando sobre a forma de atuação profissional, levando em consideração princípios e normas da deontologia farmacêutica. Observou-se que a forma de atuação profissional dos farmacêuticos que participaram da pesquisa diverge de alguns princípios éticos que regem a profissão, principalmente no que tange a comercialização e dispensação de psicotrópicos, já que a maioria significativa (p<0,01), equivalente a 68,3% dos entrevistados informou que o balconista pode dispensar psicotrópicos ou pode ter acesso ao armário de medicamentos controlados (41% dos profissionais entrevistados). Além disso, 70,7% afirmou que permite a venda de medicamentos de venda sob prescrição médica sem solicitar a apresentação de receita, postura essa que é “tradicional” no Brasil, mas que, em conjunto com outras atitudes rotineiras, acaba destacando a necessidade de uma reciclagem dos princípios que regem o exercício ético da profissão, de modo a redirecionar a atuação destes profissionais, como forma de minimizar os riscos inerentes ao uso não racional de medicamentos e a postura meramente comercial das farmácias de dispensação.
References
BRASIL. Lei n. 5.991, de 17 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o controle sanitário do comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, e dá outras providências. [Acesso em 31 ago 2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5991.htm
BRASIL. Lei nº 13.021, de 8 de agosto de 2014. Dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF. [Acesso em 31 ago 2022]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13021.htm
CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Resolução 357 de 20 de Abril de 2001. Aprova o regulamento técnico das Boas Práticas de Farmácia. [Acesso em 31 ago 2022]. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/file/resolucoes/357.pdf
CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Resolução 499 de 17 de Dezembro de 2008. Dispõe sobre a prestação de serviços farmacêuticos, em farmácias e drogarias, e dá outras providências. [Acesso em 31 ago 2022]. Disponível em: http://www.crf-rj.org.br/arquivos/fiscalizacao/resolucoes/Resolucao
CFF499.pdf
LEMOS, G. S. et al. Psicotrópicos: erros de prescrição e dispensação em farmácia de unidade básica de saúde. Revista Saúde.com, Jequié, v.17, n.4, p. 2427-2435, 2021. Disponível em: https://periodicos2.uesb.br/index.php/rsc/article/view/9461
LUCCHETTA, R. C., MASTROIANNI, P. C. Avaliação do conhecimento e das condutas dos farmacêuticos, responsáveis técnicos por drogarias. Rev. de Cienc. Farm. Basica e Apl., Araraquara, v.31, n.3, p.183-191, 2010. Disponível em: http://rcfba.fcfar.unesp.br/index.php/ojs/article/view/
/362
MELO, R. C., PAUFERRO, M. R. V. Educação em saúde para a promoção do uso racional de medicamentos e as contribuições do farmacêutico neste contexto. Braz. J. Develop., v.6, n.5, p. 32162–32173. Disponível em: https://doi.org/10.34117/bjdv6n5-603
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC 20 de 05 de Maio de 2011. Dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias classificadas como antimicrobianos, de uso sob prescrição, isoladas ou em associação e dá outras providências. [Acesso em 31 ago 2022]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2011/rdc0020
_05_05_2011.html
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC 44 de 26 de Outubro de 2010. Dispõe sobre o controle de medicamentos à base de substâncias classificadas como antimicrobianos, de uso sob prescrição médica, isoladas ou em associação e dá outras providências. [Acesso em 31 ago 2022]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2010/
res0044_26_10_2010.html
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução RDC 471 de 23 de Fevereiro de 2021. Dispõe sobre os critérios para a prescrição, dispensação, controle, embalagem e rotulagem de medicamentos à base de substâncias classificadas como antimicrobianos de uso sob prescrição, isoladas ou em associação, listadas em Instrução Normativa específica. [Acesso em 31 ago 2022]. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-rdc-n-471-de-23-de-fevereiro-de-2021-304923190
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Vigilância em Saúde. Portaria 344 de 12 de Maio de 1998. Aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. [Acesso em 31 ago 2022]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs/1998/
prt0344_12_05_1998_rep.html
OLIVEIRA, N. V. B. V. et al. Atuação profissional dos farmacêuticos no Brasil: perfil sóciodemográfico e dinâmica de trabalho em farmácias e drogarias privadas. Saúde Soc, São Paulo, v. 26, n. 4, p.1105-1121, 2017. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/biblio-962559
OLIVEIRA, A. M. C.; IANNI A. M. C. Caminhos para a vigilância sanitária: o desafio da fiscalização nos serviços de saúde. Visa em debate, Rio de Janeiro, v. 6, n.3, p. 4-11, 2018. Disponível em: https://www.redalyc.org/journal/5705/570561621002/html/
SILVA, L. R.; VIEIRA E. M. Conhecimento dos farmacêuticos sobre legislação sanitária e regulamentação da profissão. Rev. Saúde Públ., São Paulo, v. 3, n.83, p. 429-437, 2004. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsp/a/Rv9WhYYFPszRWZF5tLC6nvc/?lang=pt
VIEIRA, I. P. M., SALES, T. N., PINTO, R. R. Importância do farmacêutico no atendimento a pacientes. Braz. J. Develop, v. 7, n.12, p.114164–114171. Disponível em: https://doi.org/10.34117/bjdv7n12-274

