Estamos patologizando as vulnerabilidades dos adolescentes? Uma pergunta a ser considerada pela atenção básica

Are we pathologizing the vulnerabilities of adolescents? A question to be considered by primary care

Authors

  • Tatiane Maschetti Silva
  • Maria Luisa Vichi de Campos Faria
  • Marilia Mastrocolla de Almeida Cardoso

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv8n9-242

Keywords:

serviços de saúde, adolescente, saúde mental, patologização

Abstract

CONTEXTO: Mesmo com os avanços nas políticas públicas destinadas ao público infanto-juvenil, as situações de vulnerabilidade vivenciadas pelos adolescentes ainda são entendidas sob a ótica clínica, o que acaba interferindo diretamente na forma de cuidado deste grupo que acaba sendo submetido à medicalização e o tratamento da saúde mental como principal intervenção. OBJETIVO: Identificar se as situações de vulnerabilidades que os adolescentes estão expostos têm sido interpretadas como patologias, pelos próprios adolescentes, responsáveis e profissionais da saúde e, se essa compreensão tem influenciado a forma de cuidado. MÉTODO: Estudo descritivo com levantamento de registros de prontuário de adolescentes participantes do grupo de educação e saúde em Unidade Básica de Saúde em 2019 e registros em diário de campo de observação participante. Utilizou-se método de análise de conteúdo e conceito de vulnerabilidade em saúde. RESULTADOS: Foram analisados nove prontuários, predomínio do sexo masculino, média de idade de 13 anos, em situação de acolhimento institucional. As queixas principais foram problemas comportamentais e dificuldades de aprendizagem. As demandas identificadas foram dificuldades escolares e mudanças de comportamento. As condutas priorizadas foram atendimento individual, medicalização e psicoterapia. As vulnerabilidades foram reconhecidas pela dimensão individual, patológica e tratável. CONCLUSÕES: As vulnerabilidades, que os adolescentes estão expostos são entendidas como patologias e tratadas no âmbito individual por profissionais da saúde mental e medicações psiquiátricas. É necessário refletir essas questões que permeiam a adolescência e os cuidados na Atenção Básica, que perpassam desde a forma de acolher a demanda, compreender a queixa dentro de uma visão ampliada que abranja os aspectos individuais, sociais e programáticos.

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Published

2022-09-26

How to Cite

Silva, T. M., Faria, M. L. V. de C., & Cardoso, M. M. de A. (2022). Estamos patologizando as vulnerabilidades dos adolescentes? Uma pergunta a ser considerada pela atenção básica: Are we pathologizing the vulnerabilities of adolescents? A question to be considered by primary care. Brazilian Journal of Development, 8(9), 64032–64045. https://doi.org/10.34117/bjdv8n9-242

Issue

Section

Original Papers