Encefalopatia hepática: etiofisiopatologia e novas perspectivas de tratamento
Hepatic encephalopathy: etiophysiopathology and new treatment perspectives
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv8n9-155Keywords:
Amônia, cirrose, Encefalopatia hepática, neurotoxicidadeAbstract
Apesar de restrita a pacientes com acometimento hepático diverso, a encefalopatia hepática (EH) é uma complicação temida e prevalente principalmente em pacientes cirróticos - apresentando elevadas taxas de prevalência e recorrência nesse grupo. Esta síndrome é caracterizada por alterações cognitivas decorrentes da intoxicação do sistema nervoso central (SNC) por amônia, quando a mesma não é metabolizada de maneira adequada no fígado. Dessa forma, o processo inflamatório e oxidativo promovido pelo amônia, causa uma disfunção da barreira hematoencefálica, facilitando a neuroinflamação por conta do aumento a produção de neurotoxina e que afeta de forma importante a dinâmica energética cerebral e o funcionamento dos neurotransmissores. A EH é uma síndrome neuropsiquiátrica, tendo em vista a disfunção do SNC como alvo da doença. Cursa, portanto, com alteração de consciência - letargia, coma ou morte, déficit cognitivo, quebra do ciclo sono-vigília, alterações de personalidade, disfunção motora e de coordenação. Além disso, o diagnóstico é fundamental para promover qualidade de vida aos pacientes e suas famílias - considerando a gravidade da doença, a perda das funcionalidades e dos altos custos aos serviços de saúde - e é essencialmente clínico e diferencial – deve-se descartar o comprometimento neurocognitivo como resultado de outras patologias. Como opção principal, existem testes com a capacidade de avaliar a disfunção cognitiva, os quais podem ser úteis em pacientes com cirrose e alteração mental. Em relação ao tratamento, tem-se como principal alvo a redução do nível sérico de amônia e a remoção deste composto no organismo; é comum a combinação do antibiótico rifaximina e dissacarídeos não absorvíveis - como o lactitol e a lactulose - para o manejo terapêutico. Também bastante utilizado, o transplante hepático representa uma alternativa mais eficaz para o tratamento da EH; contudo, tem baixa disponibilidade e é reservado a poucos pacientes. Atualmente, novas perspectivas terapêuticas têm sido estudadas e serão discutidas no presente estudo.
References
AMODIO, P.; MONTAGNESE, S. Lights and Shadows in Hepatic Encephalopathy Diagnosis. Journal of Clinical Medicine, v. 10, n. 2, p. 341, 18 jan. 2021.
ARJUNAN, A. et al. Hepatic Encephalopathy and Melatonin. Antioxidants, v. 11, n. 5, p. 837, 25 abr. 2022.
BASS, N. M. A Brief History of Hepatic Encephalopathy. Clinical Liver Disease, v. 18, n. S1, p. 49–62, out. 2021.
CHELA, H. K. et al. Hepatic Encephalopathy in the Hospitalized Patient: A Review for Hospitalists. Missouri medicine, v. 116, n. 4, 2019.
CORONEL-CASTILLO, C. E. et al. Eficacia de la rifaximina en los diferentes escenarios clínicos de la encefalopatía hepática. Revista de Gastroenterología de México, v. 85, n. 1, p. 56–68, jan. 2020.
FLAMM, S. L. Complications of Cirrhosis in Primary Care: Recognition and Management of Hepatic Encephalopathy. The American Journal of the Medical Sciences, v. 356, n. 3, p. 296–303, set. 2018.
GARCÍA-MARTÍNEZ, R.; DIAZ-RUIZ, R.; PONCELA, M. Management of Hepatic Encephalopathy Associated with Advanced Liver Disease. Clinical Drug Investigation, v. 42, n. S1, p. 5–13, 10 maio 2022.
GONZÁLEZ-REGUEIRO, J. A. et al. Fisiopatología y opciones de tratamiento a futuro en la encefalopatía hepática. Revista de Gastroenterología de México, v. 84, n. 2, p. 195–203, abr. 2019.
HADJIHAMBI, A. et al. Hepatic encephalopathy: a critical current review. Hepatology International, v. 12, n. S1, p. 135–147, 2 ago. 2017.
HASAN, L. Z.; WU, G. Y. Novel Agents in the Management of Hepatic Encephalopathy: A Review. Journal of Clinical and Translational Hepatology, v. 9, n. 5, p. 749–759, 28 out. 2021.
HÄUSSINGER, D. et al. Pathomechanisms in hepatic encephalopathy. Biological Chemistry, v. 402, n. 9, p. 1087–1102, 31 maio 2021.
HOILAT, G. J. et al. Evidence-based approach to management of hepatic encephalopathy in adults. World Journal of Hepatology, v. 14, n. 4, p. 670–681, 27 abr. 2022.
HUDSON, M.; SCHUCHMANN, M. Long-term management of hepatic encephalopathy with lactulose and/or rifaximin: a review of the evidence. European Journal of Gastroenterology & Hepatology, v. 31, n. 4, p. 434–450, abr. 2019.
LIERE, V.; SANDHU, G.; DEMORROW, S. Recent advances in hepatic encephalopathy. F1000Research, v. 6, p. 1637, 4 set. 2017.
MANGINI, C.; MONTAGNESE, S. New Therapies of Liver Diseases: Hepatic Encephalopathy. Journal of Clinical Medicine, v. 10, n. 18, p. 4050, 7 set. 2021.
RAHIMI, R. S. et al. Overt Hepatic Encephalopathy: Current Pharmacologic Treatments and Improving Clinical Outcomes. The American Journal of Medicine, v. 134, n. 11, p. 1330–1338, nov. 2021.
RIDOLA, L. et al. Hepatic encephalopathy: Diagnosis and management. Journal of Translational Internal Medicine, v. 8, n. 4, p. 210–219, 1 dez. 2020.
ROVEGNO, M. et al. Current concepts in acute liver failure. Annals of Hepatology, v. 18, n. 4, p. 543–552, jul. 2019.
SIMICIC, D.; CUDALBU, C.; PIERZCHALA, K. Overview of oxidative stress findings in hepatic encephalopathy: From cellular and ammonium-based animal models to human data. Analytical Biochemistry, v. 654, p. 114795, out. 2022.
WANG, Z.; CHU, P.; WANG, W. Combination of rifaximin and lactulose improves clinical efficacy and mortality in patients with hepatic encephalopathy. Drug Design, Development and Therapy, v. Volume 13, p. 1–11, dez. 2018.
WEISSENBORN, K. Hepatic Encephalopathy: Definition, Clinical Grading and Diagnostic Principles. Drugs, v. 79, n. S1, p. 5–9, 31 jan. 2019.

