Toxoplasmose e suas repercussões clínicas: uma abordagem materno-fetal

Toxoplasmosis and its clinical repercussions: a maternal-fetal approach

Authors

  • João Vitor Gontijo Araujo
  • Alice Bretas Araújo
  • Giulia da Costa Ribeiro Bertellotti
  • Rafaela Maria Pastore de Freitas
  • Letícia Benevenutti
  • Lara Sousa Ribeiro
  • Daniella Flávia Alvarenga Gonçalves
  • Esther Marchisotti Ferreira
  • Lorena Reis Augusto

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv8n9-154

Keywords:

complicações fetais, TORCH, toxoplasmose, toxoplasmose congênita

Abstract

A toxoplasmose congênita (TC) representa um problema de saúde pública, visto que a transmissão vertical (materno-fetal) pode acarretar em sérios problemas de saúde ao feto ou até mesmo levá-lo a óbito. A doença é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii e geralmente é assintomática; entretanto, os riscos ao desenvolvimento fetal justificam o rastreio ativo da toxoplasmose durante a gravidez. Ademais, os riscos de transmissão vertical são maiores em gestantes expostas à infecção primária pelo toxoplasma, em comparação com aquelas que foram expostas à infecção antes da concepção. Nesse sentido, métodos diagnósticos que permitam diferenciar o tempo de exposição ao patógeno, como o teste de avidez IgG, são extremamente importantes para a conduta em relação ao tratamento da doença na gravidez. Além disso, cerca de 85% dos recém nascidos com TC não apresentam sinais clínicos evidentes ao nascimento; entretanto, estudos recentes demonstram que em torno de 19% dos lactentes infectados desenvolvem pelo menos uma manifestação clínica da doença durante o primeiro ano de vida. Dessa forma, quando sintomáticos, os recém nascidos apresentam a clássica tríade de coriorretinite (escotoma, dor, fotofobia, visão turva e lacrimejamento excessivo), hidrocefalia e calcificações intracranianas. Ainda, podem manifestar febre, hepatoesplenomegalia, icterícia, anemia, prematuridade e grave restrição do crescimento intrauterino associado a baixo peso ao nascer. Em relação ao tratamento, o manejo da toxoplasmose depende da imunidade do hospedeiro e do status da doença, por isso existem várias combinações de drogas antiparasitárias e antibacterianas que são utilizadas no controle dessa doença. Outrossim, a prevenção da doença é extremamente importante, medidas profiláticas devem ser recomendadas a todas as gestantes susceptíveis à infecção pelo toxoplasma; concomitantemente, estudos em andamento apontam a possibilidade da invenção de uma vacina no futuro, o que possibilitaria a redução da transmissão da doença e das complicações materno-fetais.

References

ATTIAS, M. et al. The life-cycle of Toxoplasma gondii reviewed using animations. Parasites & Vectors, v. 13, n. 1, 23 nov. 2020.

BARROS, M. et al. Vaccines in Congenital Toxoplasmosis: Advances and Perspectives. Frontiers in Immunology, v. 11, 15 fev. 2021.

BEDER, D.; ESENKAYA TAŞBENT, F. General Features and Laboratory Diagnosis of Toxoplasma gondii Infection. Turkish Journal of Parasitology, v. 44, n. 2, p. 94–101, 1 jun. 2020.

BOLLANI, L. et al. Congenital Toxoplasmosis: The State of the Art. Frontiers in Pediatrics, v. 10, 6 jul. 2022.

CAMPOS, V. S. DE; CALAZA, K. C.; ADESSE, D. Implications of TORCH Diseases in Retinal Development—Special Focus on Congenital Toxoplasmosis. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, v. 10, 26 out. 2020.

CORRÊA, C.; MAXIMINO, L.; WEBER, S. Hearing Disorders in Congenital Toxoplasmosis: A Literature Review. International Archives of Otorhinolaryngology, v. 22, n. 03, p. 330–333, 7 ago. 2017.

CURCIO, A. M. et al. Neurologic infections during pregnancy. Handbook of Clinical Neurology, p. 79–104, 2020.

DUNAY, I. R. et al. Treatment of Toxoplasmosis: Historical Perspective, Animal Models, and Current Clinical Practice. Clinical Microbiology Reviews, v. 31, n. 4, out. 2018.

EL BISSATI, K. et al. Global initiative for congenital toxoplasmosis: an observational and international comparative clinical analysis. Emerging Microbes & Infections, v. 7, n. 1, p. 1–14, 27 set. 2018.

ESPINO, A. et al. Innate Immune Response to Viral Infections at the Maternal-Fetal Interface in Human Pregnancy. Frontiers in Medicine, v. 8, 22 jul. 2021.

HAJJ, R. E. et al. Toxoplasmosis: Current and Emerging Parasite Druggable Targets. Microorganisms, v. 9, n. 12, p. 2531, 7 dez. 2021.

LIMA, T. S.; LODOEN, M. B. Mechanisms of Human Innate Immune Evasion by Toxoplasma gondii. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, v. 9, 16 abr. 2019.

LUCIGNANI, G. et al. From Fetal to Neonatal Neuroimaging in TORCH Infections: A Pictorial Review. Children, v. 9, n. 8, p. 1210, 11 ago. 2022.

MEGLI, C. J.; COYNE, C. B. Infections at the maternal–fetal interface: an overview of pathogenesis and defence. Nature Reviews Microbiology, v. 20, n. 2, p. 67–82, 25 ago. 2021.

MILNE, G.; WEBSTER, J. P.; WALKER, M. Toxoplasma gondii: An Underestimated Threat? Trends in Parasitology, v. 36, n. 12, p. 959–969, dez. 2020.

RAJAPAKSE, S. et al. Prophylaxis of human toxoplasmosis: a systematic review. Pathogens and Global Health, v. 111, n. 7, p. 333–342, 26 set. 2017.

TEIMOURI, A. et al. Role of Toxoplasma gondii IgG Avidity Testing in Discriminating between Acute and Chronic Toxoplasmosis in Pregnancy. Journal of Clinical Microbiology, v. 58, n. 9, 24 ago. 2020.

ZHAO, X.-Y.; EWALD, S. E. The molecular biology and immune control of chronic Toxoplasma gondii infection. Journal of Clinical Investigation, v. 130, n. 7, p. 3370–3380, 1 jul. 2020.

Published

2022-09-16

How to Cite

Araujo, J. V. G., Araújo, A. B., Bertellotti , G. da C. R., Freitas, R. M. P. de, Benevenutti, L., Ribeiro, L. S., Gonçalves, D. F. A., Ferreira, E. M., & Augusto, L. R. (2022). Toxoplasmose e suas repercussões clínicas: uma abordagem materno-fetal: Toxoplasmosis and its clinical repercussions: a maternal-fetal approach. Brazilian Journal of Development, 8(9), 62784–62800. https://doi.org/10.34117/bjdv8n9-154

Issue

Section

Original Papers