Parâmetros físico-químicos e clorofila no rio Jiquiriçá, Bahia, Brasil: condutividade elétrica oito mil vezes acima do esperado
Physicochemical parameters and chlorophyll in the Jiquiriçá River, Bahia, Brazil: electrical conductivity eight thousand times higher than expected
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv8n9-031Keywords:
qualidade da água, oxigênio, precipitação, pH, condutividade elétrica, biomassa fitoplanctônicaAbstract
O monitoramento da qualidade da água é um dos principais instrumentos para o planejamento e gestão de recursos hídricos, seus resultados fornecem importante subsídios para as ações de controle ambiental. Este trabalho teve como objetivo avaliar as variações sazonais e temporal das condições físico-químicas e da biomassa fitoplanctônica (concentração de clorofila a) do rio Jiquiriçá. A hipótese que rege este trabalho é de que haverá variação dos parâmetros físicos, químicos e biológicos rio Jiquiriçá entre os períodos e pontos amostrais com maior inconformidade nos pontos onde a precipitação é baixa. As coletas de amostras de água foram realizadas em 4 estações amostrais (Santa Inês, Ubaíra, Mutuípe, Laje) nos meses de setembro e dezembro de 2019 e outubro de 2020. Foram realizadas análises de condutividade, pH, oxigênio dissolvido, temperatura e concentração de clorofila. Houve variação espacial significativas em relação ao pH (F=7.64, p=0.002), condutividade (F=60.83, p<0.0001) e clorofila (F = 6.43, p = 0.047), não sendo detectada variação temporal para nenhum parâmetro amostrado. A condutividade foi a variável de maior amplitude ao longo dos pontos com mínima de 109.33 em Mutuípe e máximo chegando a 8000.00 em Santa Inês. A temperatura variou entre 23.41 e 30.74°C. O oxigênio apresentou amplitude de 5.08 a 8.17mg/l. A concentração de clorofila também apresentou ampla variação com valor mais alto em Santa Inês (69.94mg.L-1). Apenas a concentração de clorofila em Santa Inês excedeu o nível permitido pelo Conama para água doce de Classe II. A cidade de Santa Inês apresentou condutividade superior a 5900 μS/cm, em ambos meses e pontos, indicando uma grande alteração de compostos iônicos. Os resultados mostram que existem uma variação espacial na qualidade dá água do rio Jiquiriçá, indicando um possível desequilíbrio, principalmente na região de Santa Inês, que é caracterizada por uma menor precipitação ao longo do ano. Além da baixa precipitação alguns fatores relacionais atividade antrópicas como, agricultura, pecuária e despejo de esgoto, podem estar relacionadas a alteração na qualidade da água no município de Santa Inês.
References
ALVES E.C. et al. Avaliação da qualidade da água da bacia do rio Pirapó – Maringá, estado do Paraná, por meio de parâmetros físicos, químicos e microbiológicos. Acta Scientiarum. Technology, v. 30, n. 1, p. 39-48, 2008. https://doi.org/10.4025/actascitechnol.v30i1.3199. Acesso em: 29 jul 2022
AMERICAN PUBLIC HEALTH ASSOCIATION – APHA; AMERICAN WATER WORKS ASSOCIATION – AWWA; WATER POLLUTION CONTROL FACILITIES – WPCF. Standard methods for examination of water and wastewater. 20th Edition. Washington, D.C., 2003.
BAGGIO, H; FREITAS, M.O; ARAÚJO, AD. Análise dos parâmetros físico-químicos oxigênio dissolvido, condutividade elétrica, potencial hidrogeniônico e temperatura, no baixo curso do rio das velhas-MG. 17V Uberlândia. Caminhos de geografia. 2016. https://doi.org/10.14393/RCG176008. Acesso em: 29 jul 2022
BÁRBARA, V.F; CUNHA, A.C., RODRIGUES, A.C.L; SIQUEIRA, E.Q. Monitoramento sazonal da qualidade da água do rio Araguari/AP. Revista Biociências. v. 16 n. 1, 2010. http://periodicos.unitau.br/ojs/index.php/biociencias/article/view/1111. Acesso em: 27 jul. 2022.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria 518/GM em 25 de março de 2004. Estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, e dá outras providências. Brasília, 2004. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2914_12_12_2011.html Acesso em: 29 jul 2022
CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Apêndice D - Índices de Qualidade das Águas. 2017. Disponível em: <https://cetesb.sp.gov.br/aguas-interiores/publicacoes-e-relatorios/apendice-d-indices-de-qualidade-das-aguas-vf-11-05-2017>. Acesso em: 29 jul 2022
CONAMA. “Resolução no 357/2005”. Ministério do Meio Ambiente, Conselho Nacional de Meio Ambiente. Brasília, 2005.
DAMASCENO, M.C.S; RIBEIRO, H.M.R; TAKIYAMA, L.R; DE PAULA, M.T. Avaliação sazonal da qualidade das águas superficiais do Rio Amazonas na orla da cidade de Macapá, Amapá, Brasil. Rev. Ambient. Água 10 (3). 2015. https://doi.org/10.4136/ambi-agua.1606. Acesso em: 27 jul. 2022.
ESTEVES, F. A. 2011. Fundamentos de limnologia. 3 ed. Rio de Janeiro, Interciência
FERNANDES, N.B; MOREAU, M.S; COSTA, L.M. Capacidade de uso das terras na bacia hidrográfica do Jiquiriçá, recôncavo sul da Bahia. V 11, n34. Umberlândia. Caminhos de geografia. 2011. https://seer.ufu.br/index.php/caminhosdegeografia/article/view/16076/9055. Acesso em: 29 jul 2022
GUEDES, H. A. S. et al. Aplicação da análise estatística multivariada no estudo da qualidade da água do Rio Pomba, MG. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, p. 558-563, 2012. https://doi.org/10.1590/S1415-43662012000500012 Acesso em: 27 jul. 2022.
HANKSON, L.; BRYHN, A.C.; HYTTERBORN, J.K. On the issue of limitingnutrient and predictions of cyanobacteria in aquatic systems. Sci Total Environ: 379:89-108. 2007. https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2007.03.009 . Acesso em: 27 jul. 2022.
MORO, G.V.; TORATI, L.S.; BEM LUIZ, D.B.; MATOS, F.T.. Monitoramento e manejo da qualidade da água em pisciculturas. No livro: Piscicultura de água doce: multiplicando conhecimentos. Editores: Ana Paula Oeda Rodrigues; Adriana Ferreira Lima; Anderson Luis Alves; Daniele Klöppel Rosa; Lucas Simon Torati; Viviane Rodrigues Verdolin dos Santos. Brasília, DF : Embrapa, 2013. p.141-169.
PEDROSO, F. et al. A comparative study on phosphorus and nitrogen transport in the Parana, Paraguay and Bermejo rivers. In: TUNDISI, J.G. (Ed.). Limnologia e manejo de represas. São Carlos: EESC-USP/CRHEA/ ACIESP, 1988. v. 1, cap. 1, p. 91-117.
PIÑEIRO DI BLASI, J. I.; MARTÍNEZ TORRES, J.; GARCÍA NIETO, P. J.; ALONSO FERNÁNDEZ, J. R.; DÍAZ MUÑIZ, C.; TABOADA, J. Analysisanddetectionofoutliers in waterqualityparameters from ‘differentautomatedmonitoringstations in theMiñoriverbasin (NW Spain). Ecological Engineering, v. 60, p. 60–66, 2013. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.ecoleng.2013.07.054. Acesso em: 10 de junho de 2019
PIVELI, R.P.; KATO, M.T. Qualidade das águas e poluição: aspectos físico-químicos. São Paulo: ABES, 2006. 285p.
PRATTE-SANTOS, R; TERRA V.R; AZEVEDO-JUNIOR R.R. Avaliação do efeito sazonal na qualidade das águas superficiais do rio Jucu, Espírito Santo, Sudeste do Brasil. Sociedade & Natureza, vol. 30, núm. 3, pp. 127-143, 2018. https://doi.org/10.14393/SN-v30n3-2018-7. Acesso em: 27 jul. 2022.
RICHTER, C.A.; NETTO, A.J.M. Tratamento da água: tecnologia atualizada. São Paulo. Edgard blucher, 1991. 332p.
ROCHA, J. L. S.; REGO, N. A. C.; SANTOS, J. W. B.; OLIVEIRA, R. M.; MENEZES, M. Indicador integrado de qualidade ambiental aplicado à gestão da bacia hidrográfica do rio Jiquiriçá, BA, Brasil. Ambi-Agua, Taubaté, v. 5, n. 1, p. 89-101, 2010. doi:10.4136/ambi-agua.122. Acesso em: 29 jul 2022
SINRH - Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos. Precipitação média anual registrada no Brasil entre os anos de 1977 e 2006 e tempo de retorno das chuvas anuais dos anos de 2012, 2013 e 2014. 2016 https://portal1.snirh.gov.br/ana/home/item.html?id=108056f3de114f848adc006201ca74cf. Acesso em: 29 jul 2022
SANTOS, G.S, PESSOA, T.B.A 2 , PAES, T.A.S.V. Percepções das comunidades rurais do Vale do Jiquiriçá acerca da escassez de água. Meio Ambiente (Brasil), v.3, n.3. 017-029 (2021) Meio Ambiente (Brasil)
SOUZA, JR et al. A Importância da Qualidade da Água e os seus Múltiplos Usos: Caso Rio Almada, Sul da Bahia, Brasil. REDE - Revista Eletrônica do PRODEMA, Fortaleza, v. 8, n. 1, abr. 2014. ISSN 1982-5528. Disponível em: <http://www.revistarede.ufc.br/rede/article/view/217>. Acesso em: 27 jul. 2022.
VON SPERLING, M. Estudos e modelagem da qualidade da água de rios. Belo Horizonte (MG): Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental (DESA/UFMG). v. 7. 2007.
VON SPERLING, M. Princípios do tratamento biológico das águas residuárias. 3. Ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005.
TOLEDO, J.J. & CASTRO, J.G.D. Parâmetros Físico-Químicos da Água em Viveiros da Estação de Piscicultura de Alta Floresta, Mato Grosso. Revista de Biologia e Ciências da Terra. v.1 n.3, 2001.

