Dieta low-carb no período perinatal de ratas sobre a preferência por bebida açucarada, consumo alimentar e peso corporal em prole de macho / Low-carb diet in perinatal rats on sugar-sweetened beverage preference, food consumption and body weight in male offspring
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv8n3-011Keywords:
dieta low carb, hábitos alimentares, plasticidade fenotípica, crescimento e desenvolvimento, preferência por bebida açucarada.Abstract
A busca por meios de estilos de vida mais saudáveis vem expandindo-se gradativamente. Em meio às inúmeras intervenções nutricionais destaca-se a dieta com baixo teor de carboidratos. Quando aplicada no período perinatal, essa dieta pode acarretar alterações no desenvolvimento do organismo, além de exercer influência na formação dos hábitos e preferências alimentares. Avaliar os efeitos da dieta low carb durante o período perinatal de ratas sobre os padrões de crescimento e maturação das características físicas da prole e sobre a preferência por bebida açucarada, consumo alimentar. Foram utilizadas 12 ratas albinas da linhagem Wistar e os machos de suas proles. Os animais foram divididos em dois grupos conforme dieta ofertada no período perinatal: Grupo Controle (C - alimentado com ração padrão, n=8), e Grupo low carb (LC - alimentado com ração com baixo teor de carboidratos, n=4). Foi quantificado peso gestacional e lactacional semanal, e consumo alimentar semanal das ratas. Após 24h do nascimento dos animais foi determinado o peso ao nascer da prole: Peso da ninhada/número dos filhotes. Os procedimentos de pesagem medidas murinómetricas foram realizados em dias ímpares, até o desmame. As medidas murinométricas tomadas foram: peso corporal, eixo longitudinal (EL), comprimento da cauda (CC), e eixos latero-lateral (ELLC) e ântero-posterior do crânio (EAPC). Foi mensurado, também, o desenvolvimento de características físicas como: abertura dos olhos, erupção dos incisivos inferiores e superiores e abertura do pavilhão auditivo. Após o desmame, os filhotes foram submetidos a dois testes de preferência com refrigerantes energético e não energético aos 30 e 60 dias de vida; também nestas idades foram avaliados: peso corporal, consumo alimentar e ingestão hídrica. Aos 70 dias, os filhotes foram sacrificados e foi feita a pesagem dos órgãos. Para análise estatística foram utilizados os testes “T” de Student’s considerando a significância p<0,05. As ratas durante a gestação e lactação não apresentam diferença no consumo e peso corporal. A prole macho do GLC apresentou maior peso corporal no 21º dia de vida. Foi observado maior ELLC nos 3º, 5º e 15º dias na prole do GLC. Quanto ao desenvolvimento de características físicas, foi evidenciado o adiantamento da erupção dos incisivos inferiores nos machos e superiores nas fêmeas. O LC apresentou menor peso corporal aos 60 dias, e menor percentual de ganho de peso aos 30 dias, mas maior aos 60 dias. Esses dados acabam nos remetendo à plasticidade fenotípica e ao efeito catch up, de modo que o organismo dos animais tenha se adaptado à demanda de nutrientes no período perinatal e aos mecanismos fisiológicos consecutivos a essa demanda, e que esses mecanismos tenham permanecido e influenciado nos parâmetros de crescimento e atraso no pico de crescimento (MUNIZ, 2013; LIMA, 2015). LC consumiu mais água em ambos os testes, maior quantidade de coca-cola zero no primeiro teste, assim como mais ração durante o segundo teste, o que acarretou um maior consumo energético também no segundo teste; O LC consumiu menos coca-cola aos 30 dias, já aos 60 dias não houve diferença entre os grupos. As bebidas carbonatadas adoçadas artificialmente possuem o dobro de sódio das bebidas carbonatadas açucaradas (FERRARI e SOARES, 2003), e esse maior aporte de sódio pelos animais geraria um maior apetite pelo aumento dos hormônios glicorticóides (SOUZA, 2018). Estudos em ratos demonstram que a privação rigorosa de carboidratos, durante o período perinatal gera menor sensibilidade aos mesmos (GRECO, 2017; LAUREANEO, 2013). Aos 60 dias a não diferença no consumo de refrigerante foi influenciado pela experiência e consequente habituação do paladar ao açúcar/carboidrato. Os pesos úmidos do coração e baço apresentaram-se menores no GLC, já o peso relativo da gordura visceral foi maior no GLC. A dieta low carb aplicada na gestação e lactação influencia no crescimento e desenvolvimento de características físicas na prole, assim como exerce influência na formação dos hábitos alimentares por diminuir a preferência por açúcar/carboidrato.
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