Consumo alimentar e percepção da qualidade do sono de trabalhadores em turnos / Food consumption and perceived sleep quality in shift workers
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv8n2-400Keywords:
trabalho por turnos, ingestão alimentar, privação do sono.Abstract
A sociedade produtiva demanda a necessidade do trabalho em horários irregulares e períodos ininterruptos de atividade, tornando esses trabalhadores mais vulneráveis ao adoecimento físico e psíquico, sobretudo aos danos crônicos à saúde. Estudo transversal objetivou verificar o consumo alimentar, o perfil antropométrico e a percepção da qualidade do sono n as diversas escalas de trabalho de 1.215 trabalhadores de uma empresa de processamento avícola Nutriza, localizada na região Centro Oeste do Brasil. Coletou-se dados sociodemográficos, hábitos de vida, autopercepção da qualidade de sono por meio de escala analógica visual (0 a 10), questionário de frequência alimentar (validado para a população brasileira) e circunferência da cintura, peso, altura e calculado o Índice de Massa Corporal (IMC). Verificou-se o IMC apresentou média equivalente a sobrepeso em todos os turnos de trabalho. O consumo alimentar, de modo geral, foi considerado ruim, 96% de prevalência de inadequação do grupo de hortaliças (IC95% 94.80-97.00). Ademais, constatou-se médias inferiores da nota da qualidade de sono em trabalhadores do turno early morning (6.12, IC95% 5.85-6.38, DP 2.71) e noturno (6.28, IC95% 6.01-6.54, DP 2.55). Os resultados demonstraram vulnerabilidades dos trabalhadores em turnos, o que aponta para a necessidade de intervenções imediatas quanto à higiene do sono e qualidade da alimentação, na tentativa de reverter os danos crônicos à saúde dos indivíduos analisados.
References
ALVES, MARIANA SILVA et al. Relação entre o Sono, Cronotipo e Atividade Física em Trabalhadores em Turnos. Sleep Science, v. 8, n. 4, p. 233, 2015.
ANÇÃO, M. S.; CUPPARI, L.; TUDISCO, E. S.; DRAIBE, S. A.; SIGULEM, D. M. Sistema de apoio à nutrição. Nutwin [programa de computador], versão 2.5. São Paulo: Centro de Informática em Saúde, Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina, 2002.
ARTUZO, Isadora Pinto; POLL, Fabiana Assmann; MOLZ, Patricia. Perfil clínico e nutricional de trabalhadores de uma unidade hospitalar conforme o turno de trabalho. Saúde e Pesquisa, v. 10, n. 2, p. 347-356, 2017.
BONANNO, Lilla et al. Assessment of sleep and obesity in adults and children: Observational study. Medicine, v. 98, n. 46, 2019.
PHILIPPI, Sonia Tucunduva. Pirâmide dos alimentos: fundamentos básicos da nutrição. Editora Manole, 2008.
CANELLA, Daniela Silva et al. Consumo de hortaliças e sua relação com os alimentos ultraprocessados no Brasil. Revista de Saúde Pública, v. 52, p. 50, 2018.
CARVALHO, Ana Paula Abreu Figueiredo de. Trabalho por turnos, redução da exposição à luz e práticas de higiene do sono: Impacto sobre o ciclo sono-vigília. 2016. Tese de Doutorado.
CATTANI, Ariane Naidon et al. Trabalho noturno, qualidade do sono e adoecimento de trabalhadores de enfermagem. Acta Paulista de Enfermagem, v. 34, 2021.
CEPELLOS, Vanessa Martines; TONELLI, Maria José. Envelhecimento profissional: percepções e práticas de gestão da idade. Revista Alcance, v. 24, n. 1, p. 004-021, 2017.
CORRÊA, Paula Nascente Rocha Mendes et al. Estado nutricional e comportamento alimentar em trabalhadores em turnos. Rev. enferm. UFPE on line, p. [1-11], 2019.
DA SILVA, Alidne Pinheiro; DE CARVALHO, Emilene Santos; CARDIM, Adryanna. Trabalho noturno na vida dos enfermeiros. Revista enfermagem contemporânea, v. 6, n. 2, p. 177-185, 2017.
DALLA COSTA, Marcia Cristina et al. PRÁTICAS ALIMENTARES DE TRABALHADORES DA ATENÇAO BÁSICA NA REGIÃO OESTE PARANAENSE. Varia Scientia-Ciências da Saúde, v. 5, n. 2, p. 130-142.
DE ALBUQUERQUE BRITTO, Diana Babini Lapa et al. Principais características da ação da melatonina no corpo humano: uma revisão literária. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 47, p. e3121-e3121, 2020.
GOVERNO FEDERAL. Aproximadamente 20 milhões de pessoas trabalham no período noturno. Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho. Pinheiros, São Paulo, 2016. Acesso em: 24 de agosto de 2021.
HAEFFNER, Rafael; HECK, Rita Maria; DA ROSA JARDIM, Vanda Maria. Prevalência de cefaleia e fatores associados em trabalhadores de uma empresa agropecuária do sul do Brasil. Rev Bras Med Trab, v. 14, n. 2, p. 100-7, 2016.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa nacional de saúde: 2019: Atenção primária à saúde e informações antropométricas. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
LESSA, Ruan Teixeira et al. A privação do sono e suas implicações na saúde humana: uma revisão sistemática da literatura. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 56, p. e3846-e3846, 2020.
LOHMAN, T. G.; ROCHE, A. F.; MARTORELL, R. Anthropometric standardization reference manual. Champaign, Illinois, Human Kinetics, Inc, 1988.
MCCRORY, Megan A. et al. Fast-food offerings in the United States in 1986, 1991, and 2016 show large increases in food variety, portion size, dietary energy, and selected micronutrients. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, v. 119, n. 6, p. 923-933, 2019.
MIRANDA, Ingridy Priscila Veloso; PASSOS, Marco Aurélio Ninomia. SONO: FATOR DE RISCO PARA A QUALIDADE DE VIDA DO PROFISSÍONAL DE SAÚDE. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 3, n. 7, p. 336-346, 2020.
OLIVEIRA, Anderson Silva. Transição demográfica, transição epidemiológica e envelhecimento populacional no Brasil. Hygeia-Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde, v. 15, n. 32, p. 69-79, 2019.
PHILIPPI, S.T. Tabela de composição de alimentos: suporte para decisão nutricional. São Paulo: Coronario. 2 ed. 2002.
PINHEIRO, Macelly de Moraes et al. Prevalência do excesso de peso e fatores associados em mulheres em idade reprodutiva no Nordeste do Brasil. Revista de Nutrição, v. 29, p. 679-689, 2016.
PINTO, Lizandra Leandro Almeida et al. Avaliação da adequação do almoço de duas empresas ao programa de alimentação do trabalhador. Nutrição Brasil, v. 15, n. 4, p. 184-190, 2016.
RIBEIRO, et al. Validação de um questionário de frequência de consumo alimentar para população adulta. Revista de Nutrição. v.19, n.5, p. 553-562, 2006.
ROCHA, Mayara Melo; RIGOTTO, Raquel Maria. Produção de vulnerabilidades em saúde: o trabalho das mulheres em empresas agrícolas da Chapada do Apodi, Ceará. Saúde em Debate, v. 41, p. 63-79, 2017.
SILVA, GRACIELE CRISTINA et al. Associação entre consumo alimentar, horários atípicos de trabalho e padrão de sono: um estudo com trabalhadores em turnos fixos. 2017.
SILVA, Graziele Maria da et al. Elevada prevalência de inadequação do consumo de fibras alimentares em idosos e fatores associados: um estudo de base populacional. Revista brasileira de epidemiologia, v. 22, p. e190044, 2019.
SOUZA, Neiva et al. Nutrição Funcional: Princípios e Aplicação na Prática Clínica. Acta Portuguesa de Nutrição, n. 7, p. 34-39, 2016.
SOUZA, Renata Vieira de et al. The effect of shift work on eating habits: a systematic review. Scandinavian journal of work, environment and health. Helsinki. Vol. 45, no. 1 (2019), p. 7-21, 2019.
TACO. Tabela brasileira de composição de alimentos. Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação. Universidade Estadual de Campinas. - TACO. 2.ed. Campinas: Unicamp. 2006.
WATERHOUSE, J.; BUCKLEY, P.; EDWARD, B.; REILLY, T. Measurement of, and some reasons for, differences in eating habits between night and day workers. Chronobiol. Int., v.20, n.6, p. 1075-1092, 2003.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Obesity: preventing and managing the global epidemic. (Technical report, 894).Geneva, 2000.
Informações Complementares.

