A Literatura Infantil Indígena e Afro-brasileira em Ana Maria Machado contra os estereótipos implantados na escola: Uma mudança de olhar / Indigenous and Afro-Brazilian Children's Literature in Ana Maria Machado against the stereotypes implanted in school: A change of look
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv8n2-198Keywords:
Literatura Infantojuvenil, o negro, o indígena, educação infantil.Abstract
O ensino de Arte e Cultura indígena e afro-brasileiras no âmbito escolar está contemplado na Lei 11.645/2008, a qual torna obrigatória a abordagem de saberes importantes à cultura brasileira no nível básico das escolas nas aulas de História e Literatura. Como forma de enfrentar problemas relacionados a discriminações, racismos e bullyings na escola, nascidos de uma sociedade que desconhece sua história, realizamos no Instituto Federal do Pará dois projetos, um já concluído e o outro interrompido bruscamente pela pandemia de COVID-19. São eles: “Desenvolvimento de métodos pedagógicos para inclusão da Literatura Infantil de temática afro-brasileira: mediação de leitura em sala de aula” e “Letramento literário: práticas inovadoras no ensino de Literatura Infantil Indígena em sala de aula”. Num contexto vivido atualmente de racismos contra negros e indígenas, é necessário promover reflexões nas escolas acerca de questões urgentes no Brasil, como também valorizar as etnias indígena e afro-brasileira, seus traços nas crianças, desconstruir estereótipos e construir nova mentalidade. Para isso, a Literatura Infantil de Ana Maria Machado traz duas obras que muito acrescentam no sentido de trazer a cultura afro-indígena para dentro da escola: Menina Bonita do Laço de Fita (2011); O Veado e a Onça (2004) e levar a criança a ver o indígena e o negro com um novo olhar. Para tal, baseamo-nos, entre outros, em Adorno (2000), Bhabha (2014) e Freire (1967), os quais questionam o lugar do outro na sociedade pós-moderna. Como resultado parcial, observamos que as crianças envolvidas no primeiro projeto mostraram-se receptivas à cultura afro exposta na literatura apresentada, o que nos levou a perceber que a criança não nasce preconceituosa; ao contrário, ela aceita o outro sem ater-se a sua aparência e tem forte inclinação para acolhê-lo, bem como ao que este lhe traz, desde que seja ela igualmente bem aceita.
References
ADORNO, Theodor Wiesengrund-. Educação e emancipação. (W. L. Maar, Trad.). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2000. Recuperado de http://www.academia.edu/download/37979933/ADORNO_Educacao_Emancip....pdf
BHABHA, K. Homi. O local da cultura. Trad. M. Ávila, E. L. de L. Reis, & G. R. Gonçalves. 2o ed. Belo Horizonte: UFMG, 2014.
CABRAL, Fernando Araujo. Investigação do potencial de desenvolvimento do preconceito em crianças pequenas. Tese de Doutorado. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2016.
COELHO, N. N. Literatura Infantil: teoria, análise, didática. 1 ed. São Paulo: Moderna, 2000.
BARTHES, Roland. Aula: aula inaugural da cadeira de semiologia literária do Colégio de França, pronunciada em 7 de janeiro de 1977. Trad. Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Cultrix, 2013.
BRASIL. Presidência da República. Lei n. 11.645, de 2008.
FERNANDES, Viviane B.; SOUZA, Maria C. C. C. Identidade Negra entre exclusão e liberdade. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, n.63, USP: São Paulo, 2016.
FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967.
GOMES, Nilma L. Relações étnico-raciais, educação e descolonização dos currículos. UFMG. Culturas sem Fronteiras, v.12, n.1, 2012.
GRAÚNA, G. Contrapontos da literatura indígena contemporânea no Brasil. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2013.
JECUPÉ, K. W. As fabulosas fábulas de Iauaretê. São Paulo: Peirópolis, 2007.
MACHADO, Ana M. Menina bonita do laço de fita. Ilustração Claudius. 7ª ed. São Paulo: Ática, 2011.
MACHADO, A. M. O veado e a onça. Ilustração de Suppa. São Paulo: FTD, 2004.
MACHADO, Ana M. De olho nas penas. Ilustração de Gonzalo Cáecano. 1. ed. São Paulo: Pitaguá, 2018.
MAGALHÃES, C. de. O Selvagem. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1940.
MUNDURUKU, D. O banquete dos deuses: conversa sobre a origem e a cultura brasileira (1. ed. digital). São Paulo: Global, 2013.
PEREIRA, R. L.; SILVA, A. G. Da Metodologia Tradicional Expositiva: as inovações do PIBID em sala de aula. Universidade Estadual da Paraíba, João Pessoa, 2013.
PLANTA, Mariana. População negra e o direito à cidade: interfaces entre raça e espaço urbano no Brasil. Acervo: revista do Acervo Nacional. Vol. 33, n. 1, jan-abr, 2020.
QUEIROZ, Sônia M. de M. Pé preto no barro branco: a língua dos negros da Tabatinga. Belo Horizonte: UFMG, 2018.
RODRIGUES, João Batista. Racismo e evasão escolar. [Trabalho de Conclusão de Curso]. Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2014.
SACCO, Airi M. Orgulho e preconceito: o desenvolvimento de atitudes raciais implícitas e explícitas em crianças de Porto Alegre e Salvador. Tese de doutorado. Porto Alegre: UFRGS, 2015.
SALES, Maria da L. L. A Literatura Infantil Indígena como meio de promoção da educação multicultural: a intervenção didática em uma escola de Belém (Brasil). universidade de Évora, Portugal (Tese de Doutorado), 2019.
SILVA, L. M. C.; RIBEIRO, D. M. A Ressignificação de uma Pedagogia: construção da identidade da criança negra na educação. s/d.
SOSTER, Demétrio A. O quarto narrador, a midiatização e as narrativas da violência. Universidade de Santa Cruz do Sul, São Paulo: Intercom – RBCC, v. 40, n.1, 2017.
SOUZA, Sephora S.; LOPES, Tarcília M. & SANTOS, Fabianne G. da S. Infância Negra: a representação da figura do negro no início da construção de sua identidade. III Jornada Internacional de Políticas Públicas. São Luís: UFMA, 2007.
TOGUCHI, Isabella S. A gramática do preconceito: estudo cognitivo-funcional do discurso jornalístico sobre o indígena brasileiro. Dissertação de Mestrado. Brasília: Universidade de Brasília, 2016.
VASQUES, Raquel c. Y.; MENDES-CASTILHO, ANA M. C; BOUSSO, Regina S.; BORGHI, Camila A. Dando voz às crianças: considerações sobre a entrevista qualitativa em pediatria. REME, Belo Horizonte, 2016.

