Fratura de sustentaculum tali em fêmea da raça crioula: relato de caso / Sustentaculum tali fracture in a crioulo female: a case report

Authors

  • Glaurien Carvalho Palma
  • Tiago Zart de Arruda

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv8n2-062

Keywords:

crioulo, sustentaculum tali, fratura, tarso, cirurgia.

Abstract

Fraturas e luxações do tarso envolvem vários locais e configurações, fazendo o tratamento e avaliação um desafio para seu prognóstico. Por conta de vários ligamentos e inserções musculares, as fraturas e luxações do tarso não são comuns, mas quando ocorrem, envolvem significativos traumas, com rupturas estruturas de suporte (Baxter, 2020; Nixon, 2019; Hinchcliff et al., 2007). O calcâneo quando fraturado, é resultado de algum tipo de evento com trauma externo lesionando a articulação do tarso (Auer & Stick, 2020; Baxter, 2020). Osteomielite, sequestro ósseo e drenagem crônica são complicações comuns neste tipo de fratura, podendo ter como sequelas a ruptura do sustentaculum tali, infecção da bainha tendinea do tendão flexor profundo e deslocamento do tendão flexor superficial para tuberosidade calcânea (Baxter, 2020; Nixon, 2019). O diagnóstico é realizado com exame radiográfico, podendo ter como principais projeções a flexionada lateral e flexionada skyline. A determinação do local da fratura provê um diagnóstico preciso e determina se o reparo cirúrgico é possível (Auer & Stick, 2020; Baxter, 2020). Uma égua, da raça Crioula de 6 anos de idade deu entrada na Grande Porte Centro Cirúrgico Equino. Ao desembarque apresentava claudicação grau IV no membro posterior esquerdo, com ferida lacerativa na região plantar do tarso e edema difuso, após incidente com outros animais no mesmo piquete, ocorrido 10 dias antes. A termografia mostrou um aumento de temperatura na região do jarrete e no estudo radiográfico, observou-se um fragmento avulsionado no sustentaculum tali e uma leve reação proliferativa do osso talus, através das imagens latero-medial e skyline flexionada. Já no ultrassom, constatou que o fragmento não estava na bainha tendinea do flexor profundo. Em base nos resultados, foi realizada a excisão cirúrgica direta do fragmento, utilizando a ferida como acesso cirúrgico e posteriormente foi efetuada a lavagem articular tarsica, sob anestesia geral em bloco cirúrgico. Foi instituído antibioticoterapia e analgesia por sete dias, com tratamento da ferida aberta e adesivo hidrocoloide. Após 15 dias, com a boa evolução da cicatrização, a mesma foi mantida aberta, sem colocação de nova bandagem. Passados 40 dias, o animal não apresentou mais claudicação, mas permaneceu com a articulação do tarso edemaciada, condizente com os traumas ligamentares descritos por Baxter (2020), Nixon (2019) e Hinchcliff et al. (2007). A agilidade no início do tratamento correto foi fundamental para o melhor prognóstico quanto à vida atlética do animal.

References

Auer, Jorg A., and John A. Stick. Equine Surgery. Elsevier Health Sciences, 2020.

Barroco, V., et al. "The use of a hydrocolloid dressing in the facial wound healing process of a horse-case report." Revista Acadêmica Ciência Animal 14 (2016): 203-208.

Baxter, Gary M., ed. Adams and Stashak's lameness in horses. John Wiley & Sons, 2020.

Bertone, A. L., et al. "Comparison of various treatments for experimentally induced equine infectious arthritis." American journal of veterinary research 48.3 (1987): 519-529.

Hinchcliff, K. W. et al.. Medicina y cirugía en los equinos de deporte: Ciencias básicas y clínicas de los equinos de deporte. No. V601 HINm. 2007.

Loftus, L. (2011). Review of current wound-care protocol and dressing choice in equine veterinary practice. Veterinary Nursing Journal, 26(9), 309–313. doi:10.1111/j.2045- 0648.2011.00085.x

Meijer, M. C., Weeren, P. R., & Rijkenhuizen, A. B. M. (2000). Clinical Experiences of Treating Septic Arthritis in the Equine by Repeated Joint Lavage: a Series of 39 Cases. Journal of Veterinary Medicine Series A, 47(6), 351–365. doi:10.1046/j.1439- 0442.2000.00290.x

Nixon, A. J. (2019). Fractures and Luxations of the Hock. Equine Fracture Repair, 613–647. doi:10.1002/9781119108757.ch34

Straticò, Paola, et al. "Traumatic septic tenosynovitis of the tarsal sheath with fragmentation of the sustentaculum tali: surgical treatment and outcome in 3 horses." Journal of Equine Veterinary Science 34.4 (2014): 538-543.

Published

2022-02-07

How to Cite

Palma, G. C., & de Arruda, T. Z. (2022). Fratura de sustentaculum tali em fêmea da raça crioula: relato de caso / Sustentaculum tali fracture in a crioulo female: a case report. Brazilian Journal of Development, 8(2), 9358–9365. https://doi.org/10.34117/bjdv8n2-062

Issue

Section

Original Papers