Cidades sitiadas: representações do medo da morte e das enfermidades na pandemia do COVID-19 e nas charges do final do Século XIX NO Brasil/ Besieged cities: representations of the fear of death and disease in the COVID-19 pandemic and in the cartoons of the end of the XIX century in Brazil

Authors

  • Élcia de Torres Bandeira

DOI:

https://doi.org/10.34117/bjdv7n10-396

Keywords:

covid-19, charges, representações.

Abstract

As epidemias assolaram o Brasil em diversos períodos da história como o final do século XIX e repercutiram largamente na Revista Ilustrada, coordenada pelo chargista ítalo-brasileiro Ângelo Agostini. O medo das enfermidades e da morte nos acompanha ao longo da história e gera práticas e representações associadas ao contexto histórico da época. Hoje, a pandemia do covid-19 ceifa milhares de vida no Brasil e no mundo, e a forma como nos apropriamos da trágica realidade nos leva a produzir representações que resvalam, em muitos casos, para o negacionismo científico e contribuem para que muitas vidas ainda sejam perdidas pelos discursos e práticas esvaziados de fundamentação científica. Sitiadas, as cidades enfrentam o microscópico inimigo com distanciamento social e medidas sanitárias de higiene básica, enquanto a vacinação não consegue imunizar a maioria da população brasileira. O amor e a empatia tornam-se lenimentos no vazio deixado pela ausência de vacinas suficientes ou remédio específico contra o coronavírus até o presente momento, em 20 de março de 2021. Janelas antes fechadas são abertas para propiciar a visão do outro. Destacaremos neste artigo a relação entre sentimentos e suas expressões representativas relativas ao medo da morte e das enfermidades nas linguagens escrita e iconográfica e procuraremos articulá-los aos fatos históricos que serviram de palco para a sua construção. Analisar as práticas e representações associadas à saúde pública e desenvolver um estudo comparativo entre as epidemias do final do século XIX e a pandemia do covid-19 torna-se relevante para encontrarmos soluções realistas que nos conduzam com segurança para a liberdade, a saúde e o usufruto da vida em comunidade.

References

AGOSTINI, Angelo. Revista Ilustrada. Rio de Janeiro, 1878 e 1881. Disponível em http://www.hemerotecadigital.bn.br/acervodigital/revista-ilustrada/332747. Acesso em 12 de junho de 2021.

ALMEIDA, Argus Vasconcelos de. A epidemiologia histórico-ontológica da febre amarela em Pernambuco. Recife: Editora Universitária da UFRPE, 2018.

CHALHOUB, Sidney. Cidade febril: cortiços e epidemias na Corte Imperial. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

CHARTIER, Roger. A História Cultural: entre práticas e representações. Tradução de Maria Manuela Galhardo. 2ª ed. Algés, Portugal: DIFEL, 2002.

DUBY, Georges. Ano 1000, ano 2000, na pista de nossos medos. Tradução Eugênio Michel da silva; Maria Regina Lucena Borges-Osório. Revisão do texto em Português Ester Mambrini. São Paulo: Fundação Editora UNESP, 1998.

GOMES, Pedro Henrique. Presidente do Brasil Jair Bolsonaro em 20 de abril de 2020. Disponível em http://www.G1.globo.com. Acesso em 25/04/2021.

LE GOFF, Jacques. Por amor às cidades: conversações com Jean Le Brun. São Paulo: Fundação Editora da UNESP, 1988.

ORLANDI, Eni P. Cidade dos sentidos. Campinas, SP: Pontes, 2004.

SCHERER-WARREN, Ilse. Cidadania sem fronteiras: ações coletivas na era da globalização. São Paulo: HUCITEC, 1999.

GLOBO, Brasil chega à marca de 500 mil mortes por Covid. Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em 19 de junho de 2021.

Published

2021-10-28

How to Cite

Bandeira, Élcia de T. (2021). Cidades sitiadas: representações do medo da morte e das enfermidades na pandemia do COVID-19 e nas charges do final do Século XIX NO Brasil/ Besieged cities: representations of the fear of death and disease in the COVID-19 pandemic and in the cartoons of the end of the XIX century in Brazil. Brazilian Journal of Development, 7(10), 100644–100658. https://doi.org/10.34117/bjdv7n10-396

Issue

Section

Original Papers