A etnociência dos povos indígenas da Amazônia / The ethnoscience of the indigenous peoples of the Amazon
DOI:
https://doi.org/10.34117/bjdv7n10-026Keywords:
Etnometodologia. Etnociência. Multiculturalismo. Práticas socioculturais. Grupos Indígenas.Abstract
Este artigo faz parte de uma pesquisa mais ampla que estamos realizando sobre a Etnociência como uma das vertentes teóricas mais profícuas no interior do paradigma da Etnometodologia, enquanto uma das abordagens teórico-metodológicas emergentes no campo da pesquisa científica. Em contraposição aos paradigmas teóricos tradicionais, fundamentados em uma concepção eurocêntrica de conhecimento científico, a Etnociência evidencia que não existe uma Ciência única e universal, mas diversos modos de organização do conhecimento, baseado em um raciocínio prático do senso comum, enquanto processo e produto históricos das experiências e práticas vividas e construídas pelos sujeitos sociais no mundo sócio-cultural em que (con)vivem. Objetivando resgatar esses saberes práticos alijados das academias e, da Escola em geral, enfatizamos a importância dessa Ciência pluricultural entre os diversos povos culturalmente distintos, como casos dos povos indígenas, quilombolas e demais “minorias” socialmente oprimidas e discriminadas em seus diferentes modos de organização de viver e raciocinar. Para tanto, realizamos uma acurada pesquisa bibliográfica nas obras de referência e paradigmática sobre a temática, que foi aprofundada por uma pesquisa documental, acessando-se os “sites” mas recentes que se reportam sobre o assunto, via “Internet”. Com a finalidade de fornecer maior concretude e atualidade sobre o objeto problematizado, realizamos uma pesquisa de campo entre os acadêmicos de Licenciatura Plena em diversas áreas do conhecimento humano no Centro de Ciências Sociais e Educação da Universidade do Estado do Pará, objetivando através de entrevistas verificar o conhecimento desses sujeitos sociais sobre o raciocínio prático dos grupos indígenas da Amazônia que apresentam uma racionalidade concreta fora dos padrões da lógica conjuntista-identitária. Tendo em vista complementar o nível de aprofundamento desta investigação científica, realizamos também uma pesquisa de campo junto aos grupos indígenas Munduruku, Tapirapés, Waimiri-Atroari, Guajajaras e Tembés, nos estados do Amazonas, Maranhão e Pará, unidades federadas pertencentes à Amazônia Legal.
References
ALBUQUERQUE JUNIOR, Ailton Batista de. et al... Análises da Concentração de Terras no Brasil a partir de uma Visão Crítica. Curitiba (PR): BRAZILIAN JOURNAL OF DEVELOPMENT, 2019
D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Etnomatemática: Elo entre as Tradições e a Modernidade. São Paulo (SP): AUTÊNTICA, 2001.
EINSTEIN, Albert. Como Vejo o Mundo. Rio de Janeiro (RJ): NOVA FRONTEIRA, 1981.
FERREIRA, Eduardo. Racionalidade dos Índios Brasileiros. In. Revista Science American, Ed. Especial Nº 11, São Paulo (SP): EDIOURO, 2005.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro (RJ): GRAAL, 1979.
GADOTTI, Moacir. Pedagogia da Terra. São Paulo (SP): PETRÓPOLIS, 2001.
GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas na América Latina. Rio de Janeiro (RJ): PAZ e TERRA, 1987.
GAMBINI, Roberto. Espelho Índio: A Formação da Alma Brasileira. São Paulp (SP): AXIS MUNDI, 2000.
GARFINKEL, Harold. Studies in Etnometodology. New Jersey (EUA): PRENTICE HALL, 1967.
GEERTZ, Clifford. A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro (RJ): ZAHAR, 1978.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Estatística do Povoamento e Grupos Indígenas Extintos. Rio de Janeiro (RJ): IBGE, 2019.
KOSIK, Karel. Dialética do Concreto. Rio de Janeiro (RJ): PAZ e TERRA, 1985.
LANDER, Edgar. (ORG.). Colonialidade do Saber: Eurocentrismo e Ciências Sociais. São Plabo: (CHL): CLACSO, 2005.
LEVY-BRUHL, Lucien. La Mentalité Primitive. Paris (FRA): PUF, 1921.
LEVY-STRAUSS, Claude. O Pensamento Selvagem. São Paulo (SP): PAPIRUS, 1989.
MELO, Lúcia. Etnometodologia e Educação. Belém (PA): SOCID/CCSE/UEPA, 2015.
¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬¬______. Violência e Conflito na Amazônia Rural. Campina Grande (Pb): CENTRO DE HUMANIDADES/UFPb, 1990.
_____ . A Revolta dos Índios Guajajaras. In. _______ Violência e Conflito na Amazônia Rural. Campina Grande (Pb): CH/UFPb, 1990.
______. Diagnóstico Preliminar sobre o Raciocínio Lógico-Prático dos Povos Indígenas da Amazônia. Belém (PA): SOCID/UEPA, 2017
MENEGAT, Jardelino et al... Comunidade Educadoras: Perspectivas para a Defesa do Direito à Educação. Curitiba (PR): BRAZILIAN JOURNAL OF DEVELOPMENT, 2019.
OLIVEIRA, Cintra & NASCIMENTO, Tania. Processo de Aculturação e Agricultura Mecanizada: um estudo de caso sobre a Comunidade Indígena Parkatejê de Bom Jesus de Tocantins. Belém(PA): CCSE/UEPA, MCC do Curso em Sociologia e Educação Ambiental, 2008.
OLIVEIRA NETO, Benjamim Machado de. O valor da Pluralidade Cultural e o Currículo Escolar na Concepção do Professor. Curitiba (PR): BRAZILIAN JOURNAL OF DEVELOPMENT, v.5, n. 9, 2019.
PASSOS, Patrick & CUNHA, Vânia. Diagnóstico das Condições Sociais de Saúde dos Índios Tembé. Belém (PA): CCSE/UEPA, MMC, 2007
SOUZA, Cristina. Educação Tribal x Educação Formal Indígena Tutelada pela FUNAI: O Caso dos Tembés do Alto-Guamá. Belém (PA): CCSE/UEPA, 1996.

