Mortalidade de abelhas em apiário de escola rural: impactos ambientais e possíveis causas no Ceier de Boa Esperança – Espírito Santo
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n4-034Palavras-chave:
apicultura, meliponicultura, defensivos agrícolas, polinizadores, agroecologiaResumo
O presente artigo analisa a mortalidade de abelhas em uma propriedade vinculada ao Centro Estadual Integrado de Educação Rural de Boa Esperança, no Espírito Santo (CEIER-BE), considerando seus impactos ambientais, produtivos e pedagógicos. A investigação parte da compreensão de que as abelhas exercem papel essencial na polinização, na manutenção da biodiversidade, na segurança alimentar e no fortalecimento de práticas sustentáveis no campo. O objetivo geral foi investigar os fatores relacionados à mortalidade de abelhas no contexto escolar rural, analisando possíveis causas, impactos ambientais, efeitos sobre a produção de mel e contribuições das práticas de apicultura, meliponicultura e Educação Ambiental. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, descritiva e exploratória, com características de estudo de caso, construída por meio de pesquisa bibliográfica, análise documental, observação direta, registros fotográficos, projetos do Tema Gerador, relatórios escolares e dois relatos orais transcritos. Os resultados indicam que a mortalidade das abelhas deve ser compreendida como fenômeno multifatorial, associado a pressões ambientais e antrópicas, como uso de defensivos agrícolas no entorno, alteração de habitats, redução de recursos florais, condições de manejo e fragilidades de fiscalização. Os relatos orais revelam que o apiário do CEIER-BE passou por trajetória de recuperação produtiva após o período pandêmico, com a produção de mel evoluindo de aproximadamente 10 kg para 90 kg e, em seguida, para quase 150 kg, graças a parcerias com a Multivix, o Incaper e o IDAF. A partir de 2025, contudo, episódios de mortalidade reduziram o apiário de 12 para 2 caixas ativas, levando ao descarte preventivo de mais de 150 kg de mel por suspeita de contaminação por inseticidas aplicados em propriedades vizinhas de cacau, seringueira e café. Por ausência de laudo técnico-laboratorial, essa suspeita é tratada como indício empírico, coerente com a literatura e com a legislação sobre proteção de polinizadores, e não como comprovação definitiva. Conclui-se que o apiário e o meliponário escolar constituem laboratórios vivos de aprendizagem, permitindo articular ciência, agroecologia, formação técnica, segurança alimentar, produção sustentável e Educação Ambiental crítica, e propõe-se, como produto técnico-profissional, um protocolo escolar de boas práticas para manejo, monitoramento e preservação de abelhas.
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