Nutrição como fator determinante da dispensabilidade do suporte de radiação UVA/UVB para serpentes em cativeiro
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n4-025Palavras-chave:
répteis, vitamina D³, cálcio, radiação ultravioleta, doença óssea metabólicaResumo
Os répteis mantidos em cativeiro apresentam necessidades nutricionais e ambientais específicas, e alterações no metabolismo do cálcio e da vitamina D³ podem contribuir para o desenvolvimento de doenças ósseas metabólicas. Em espécies de lagartos, a radiação ultravioleta B (UVB) apresenta importante participação na síntese cutânea de vitamina D³; entretanto, nas serpentes, a relevância da exposição artificial à UVB permanece menos definida. O presente trabalho teve como objetivo avaliar, por meio de revisão bibliográfica, a influência da nutrição e da radiação UVA/UVB sobre a integridade óssea de répteis mantidos em cativeiro, com ênfase na necessidade de suporte artificial de UVB para serpentes alimentadas com presas inteiras. A literatura analisada demonstra que serpentes alimentadas com presas inteiras recebem cálcio e outros nutrientes a partir dos ossos e tecidos das presas, constituindo uma via nutricional relevante para a homeostase mineral. Estudos experimentais apresentam resultados distintos entre espécies: a exemplo das cobras-do-milho (Pantherophis guttatus) cuja a exposição à UVB elevou a concentração plasmática de 25-hidroxivitamina D³, sem alteração de peso, enquanto em pítons-bola não foi demonstrada associação entre UVB e as concentrações de 25-hidroxivitamina D³ ou cálcio ionizado. A participação da paratireoide e do paratormônio na manutenção da homeostase mineral também foi abordada, especialmente em relação ao hiperparatireoidismo nutricional secundário e à doença óssea metabólica. Conclui-se que, nas condições avaliadas pela literatura, não há evidência suficiente para considerar a radiação UVB artificial fisiologicamente indispensável para todas as serpentes adequadamente alimentadas com presas inteiras. Entretanto, a conclusão não deve ser generalizada para todas as espécies, e o manejo deve considerar dieta, temperatura, fotoperíodo, iluminação e características específicas de cada animal.
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