Persistência observada e limites de inferência sobre a viabilidade populacional de Lachesis rhombeata
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n4-002Palavras-chave:
Lachesis rhombeata, viabilidade populacional, baixa detectabilidadeResumo
A revalidação de Lachesis rhombeata como espécie distinta redefine a unidade biológica e conservacionista representada pelas populações de surucucu da Mata Atlântica. Este ensaio examina criticamente o alcance das evidências atualmente disponíveis para a espécie, distinguindo ocorrência contemporânea, persistência local e viabilidade populacional. A literatura sobre ocorrência, reprodução, ecologia espacial, genética e conservação foi confrontada com conceitos relacionados à baixa detectabilidade, fragmentação de habitats e viabilidade populacional. Os registros disponíveis demonstram a presença de L. rhombeata em diferentes remanescentes florestais, a continuidade de processos reprodutivos e o uso do habitat, enquanto evidências genéticas revelam estruturação entre populações. Entretanto, esses dados não permitem determinar abundância, tendências demográficas, sobrevivência, recrutamento, tamanho efetivo ou conectividade funcional entre os núcleos conhecidos. A baixa detectabilidade da espécie e a fragmentação da Mata Atlântica ampliam essas limitações. Conclui-se que as evidências atuais sustentam a persistência contemporânea de L. rhombeata, mas não permitem inferir sua viabilidade populacional em longo prazo. O caso evidencia a necessidade de distinguir os diferentes níveis de inferência conservacionista e indica como prioridades o monitoramento populacional, a obtenção de séries temporais e a investigação da conectividade entre populações.
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