Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA): avanços terapêuticos e sobrevida

Autores

  • Daniela Ferreira de Araújo
  • Rodrigo Arthur de Faria
  • Marta Maria Azevedo de Carvalho Amorim

DOI:

https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-332

Palavras-chave:

Leucemia Linfoblástica Aguda, imunoterapia, Neoplasia residual, Receptores de Antígenos Quiméricos, sobrevida

Resumo

Introdução: A leucemia linfoblástica aguda (LLA) é a neoplasia maligna mais frequente na infância e representa parcela relevante das leucemias agudas do adulto, com prognóstico historicamente contrastante entre as faixas etárias pediátrica e adulta. Nas últimas décadas, o refinamento da estratificação de risco, o monitoramento da doença residual mínima (DRM) e, mais recentemente, a incorporação de imunoterapias direcionadas modificaram de forma expressiva a trajetória da sobrevida na doença. Objetivo: Sintetizar as evidências disponíveis sobre os principais avanços terapêuticos na LLA e seu impacto na sobrevida de pacientes pediátricos e adultos. Métodos: Revisão de literatura de caráter narrativo, estruturada segundo os princípios da declaração PRISMA para maior rigor metodológico, com busca nas bases PubMed/MEDLINE, Cochrane Library, Scopus, LILACS/BVS e clinicaltrials.gov, além de diretrizes de sociedades de especialidade, priorizando ensaios clínicos de fases II/III, revisões sistemáticas, metanálises e diretrizes publicados majoritariamente entre 2015 e 2026. Resultados: A quimioterapia multiagente estratificada por risco permanece a base do tratamento, com sobrevida global em cinco anos superior a 90% em crianças de países de alta renda, contra 40% a 50% em adultos. A incorporação de inibidores de tirosina quinase na LLA com cromossomo Filadélfia positivo, do biespecífico blinatumomabe, do conjugado anticorpo-fármaco inotuzumabe ozogamicina e das terapias com células CAR-T anti-CD19 ampliou as taxas de remissão completa e de sobrevida global na doença recidivada/refratária e, mais recentemente, na primeira linha de tratamento, com destaque para o ensaio E1910, que demonstrou redução relativa de 58% no risco de óbito com a adição de blinatumomabe à consolidação em adultos com DRM negativa. A avaliação seriada da DRM consolidou-se como principal ferramenta prognóstica e norteadora de decisões terapêuticas. No Brasil, persistem desigualdades regionais no acesso a diagnóstico molecular e a terapias-alvo, refletidas em taxas de mortalidade heterogêneas entre regiões. Conclusão: Os avanços terapêuticos da última década reposicionaram a LLA como modelo de sucesso da oncologia translacional, embora disparidades etárias e regionais de acesso permaneçam desafios centrais para a tradução desses ganhos em sobrevida real na prática clínica brasileira.

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Publicado

2026-09-28

Como Citar

Araújo, D. F. de, Faria, R. A. de, & Amorim, M. M. A. de C. (2026). Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA): avanços terapêuticos e sobrevida. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, 9(3), e89523. https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-332

Edição

Seção

Artigos originais