Gradiente de integração antropogênica: framework conceitual para analisar trajetórias de coexistência humano-fauna em paisagens modificadas
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-305Palavras-chave:
coexistência humano-fauna, paisagens antropizadas, autonomia ecológicaResumo
A transformação de paisagens naturais por atividades humanas produz diferentes formas de associação entre populações de fauna silvestre e elementos antropogênicos, que não implicam necessariamente dependência ecológica. Propomos o Gradiente de Integração Antropogênica (GIA) como um framework conceitual e heurístico para interpretar essas relações. Integração antropogênica é definida como o grau em que elementos associados às atividades humanas participam dos processos ecológicos relacionados à persistência de uma população em determinado contexto espacial e temporal. O GIA integra quatro dimensões de evidência — uso de recursos antropogênicos, alterações comportamentais, dinâmica populacional e autonomia ecológica — organizadas em quatro configurações conceituais de referência: Independência Ecológica, Associação Antropogênica Facultativa, Integração Antropogênica e Dependência Antropogênica. Essas configurações não constituem categorias fixas, etapas obrigatórias ou posições definidas por limiares quantitativos. A Zona de Transição da Coexistência (ZTC) representa situações de transformação na relação funcional entre população e elementos antropogênicos, sem constituir um quinto estágio ou possuir posição fixa. A aplicação do GIA baseia-se em julgamento ecológico contextualizado espacial e temporalmente. Exemplos com capivaras, quatis e psitacídeos ilustram sua aplicação, sem constituir validação empírica. O GIA organiza evidências ecológicas heterogêneas e gera questões passíveis de investigação empírica.
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