Adaptação, desempenho acadêmico e aprendizado em PBL: o impacto do TDAH nos alunos do curso de Medicina de uma Universidade do Norte do Paraná

Autores

  • João Francisco Perin
  • Isabela Saboia Gomes
  • Marco Aurélio Rodrigues da Silva
  • Gabriele Luisa de Souza Cruz
  • Denise Lessa Aleixo

DOI:

https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-289

Palavras-chave:

Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, educação médica, aprendizagem baseada em problemas, estudantes de medicina, saúde mental

Resumo

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode comprometer o desempenho acadêmico e a adaptação de estudantes de Medicina, especialmente em currículos baseados em metodologias ativas, como a Aprendizagem Baseada em Problemas (Problem-Based Learning – PBL). O objetivo deste estudo foi analisar a influência do TDAH sobre o desempenho acadêmico, os aspectos psicossociais e a adaptação à metodologia PBL em estudantes de Medicina. Trata-se de um estudo observacional, transversal e analítico, realizado com 207 estudantes do 1º ano de Medicina de uma instituição privada do Norte do Paraná (UniCesumar). Os participantes responderam a um questionário estruturado contendo variáveis sociodemográficas, clínicas, acadêmicas e psicossociais, sendo os dados complementados por informações objetivas das notas tutoriais e médias finais de seis módulos acadêmicos obtidas nos históricos escolares. As comparações foram realizadas entre estudantes com e sem diagnóstico de TDAH utilizando testes estatísticos inferenciais (p<0,05). A prevalência de TDAH foi de 11,1% (n=23). O grupo com TDAH apresentou maior proporção de alunos com idade superior a 25 anos (13,0% vs. 1,6%; p=0,016), maior frequência de acompanhamento psicoterapêutico (47,8% vs. 25,0%; p=0,0391), pior percepção da saúde mental após o ingresso no curso (43,5% relataram piora ou situação de "mal a pior" vs. 20,7%), menor apoio emocional familiar (8,7% relataram ausência total de suporte vs. 1,1%; p=0,009) e elevada taxa de tratamento farmacológico (87,0%), com 69,6% relatando efeitos colaterais. Embora tenham obtido desempenho semelhante ou discretamente superior aos colegas nas atividades tutoriais desenvolvidas na metodologia PBL, os discentes com TDAH apresentaram médias finais significativamente inferiores em todos os seis módulos avaliados. Esses achados sugerem que a participação em atividades colaborativas permanece preservada, enquanto dificuldades relacionadas às funções executivas podem comprometer o desempenho em avaliações somativas. O PBL mostrou-se capaz de favorecer a participação acadêmica de estudantes com TDAH, porém não eliminou diferenças no desempenho global. Os resultados reforçam a necessidade de estratégias institucionais voltadas ao fortalecimento das funções executivas, ao suporte psicopedagógico e à promoção da saúde mental, contribuindo para uma formação médica mais inclusiva.

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Publicado

2026-09-18

Como Citar

Perin, J. F., Gomes, I. S., Silva, M. A. R. da, Cruz, G. L. de S., & Aleixo, D. L. (2026). Adaptação, desempenho acadêmico e aprendizado em PBL: o impacto do TDAH nos alunos do curso de Medicina de uma Universidade do Norte do Paraná. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, 9(3), e89351. https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-289

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Artigos originais