A trajetória histórica e socioespacial do Mercado Municipal de Campos dos Goytacazes: modernização elitista, informalidade e resistência operária (séculos XIX – XXI)
DOI:
https://doi.org/10.34188/bjaerv9n3-278Palavras-chave:
mercado municipal, Campos dos Goytacazes, modernização elitista, higienismo urbano, economia informalResumo
Considerando que as intervenções na infraestrutura de abastecimento público em Campos dos Goytacazes historicamente articularam modernização urbana, disputas econômicas e estratégias de segregação socioespacial das camadas populares do centro histórico, questiona-se como o Mercado Municipal refletiu as mutações da agroindústria canavieira e da economia petrolífera. Objetiva-se analisar a evolução histórica, socioeconômica e arquitetônica do Mercado Municipal de Campos dos Goytacazes no contexto das transformações urbanas do município desde o século XIX até a contemporaneidade. Para tanto, procede-se à investigação historiográfica e documental das etapas de estruturação do abastecimento local, contemplando desde as primitivas Bancas de Pescado e a Quitanda Velha até a construção do prédio higienista de 1921. Desse modo, observa-se que, a despeito das tentativas das elites locais de higienizar o espaço central e exercer controle político sobre o trabalho informal, o comércio popular reagiu organicamente, ressignificando a dinâmica urbana por meio da Feira Livre, do Camelódromo e das práticas cotidianas de resistência coletiva. O que permite concluir que o Mercado Municipal se consolidou não apenas como equipamento funcional de abastecimento, mas como um território de disputa socioespacial tensionado entre a precarização do trabalho e a permanente recriação da informalidade urbana.
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